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Campo Grande, Terça-feira, 21 de Agosto de 2018

09/02/2018 07:39

Carnaval 2018 estreia no Bairro Amambaí, rompendo "medo" de região abandonada

Além da folia, bloco faz do Carnaval uma oportunidade de luta por projetos que valorizem o bairro mais antigo da cidade.

Thailla Torres
Noite foi marcada pela chegada do cortejo, às 2h.
(Foto: Thailla Torres)Noite foi marcada pela chegada do cortejo, às 2h. (Foto: Thailla Torres)

A paisagem morna do bairro mais antigo da cidade, o Amambaí, ganhou novas cores na noite desta quinta-feira (8). O lugar abriu, oficialmente, o Carnaval em Campo Grande. A folia começou tímida na Rua Barão do Rio Branco, em frente ao antigo terminal rodoviário, que há anos também luta para voltar a ser um lugar importante na cidade.

Pouco depois das 20h o público começou a aparecer. As marchinhas que ecoavam da caixa de som animavam tanto os foliões da rua, quanto os bares, que aproveitaram a festa para estender o atendimento.

Do lado de fora, venda de bebida e, principalmente, as comidinhas como espetinho, cachorro- quente, hambúrguer e acarajé, foram o principal atrativo antes da chegada do cortejo do Bloco Evoé Baco, do Teatro Imaginário Maracangalha que animou famílias do bairro, assim como moradores de rua que ficam no entorno do antigo terminal.

Rosane, estava feliz com o Carnaval. (Foto: Thailla Torres)Rosane, estava feliz com o Carnaval. (Foto: Thailla Torres)

No Evoé Baco, o repertório de marchinhas carnavalescas foi extenso. A noite também foi de apresentação da bateria da escola de samba Igrejinha e um cortejo, com a orquestra Vai Quem Vem puxando o bloco.

No primeiro dia, pouca gente investiu na fantasia. Mas não faltou sorriso entre quem voltou às origens com a ideia de fazer Carnaval na região. “Eu cresci nesse bairro, minha história está nele, achei o máximo curtir aqui”, diz Tereza Chaves, de 60 anos, ao lado da irmã Lúcia  Chaves, 67, e da amiga Andreia Parada, de 50. O trio veio do Bairro Vilas Boas para curtir o evento.

Quem também não perdeu a folia foi o serralheiro Reginaldo Nunes, de 50, que saiu do Nova Lima. “Não é igual o meu Carnaval corumbaense, mas está bom. Estou adorando”, resumiu, cantoralando alto e distribuindo abraços.

Para muitos foliões a escolha do lugar que parece esquecido, surpreendeu. O temor diante do abandono do prédio da antiga rodoviária e recorrente ocupação do espaço por dependentes químicos foi, aos poucos, se transformando em tranquilidade.

“Confesso, cheguei aqui com muito medo e tentei me libertar disso, para ter leveza. Acho que a partir de hoje terei outros olhos”, comenta a cantora Prinata Christofo.

Além da animação, o ambiente tornou-se familiar e atraiu gente de várias idades. O servidor público Luciano Galhões Marques, de 44, estava na companhia dos filhos e a da esposa. “Me surpreendi, está tudo muito tranquilo. Acho que essa é uma oportunidade para se criar um novo olhar”.

As amigas Tereza, Lucia e Andreia não perderam a folia. (Foto: Thailla Torres)As amigas Tereza, Lucia e Andreia não perderam a folia. (Foto: Thailla Torres)
Reginaldo, corumbaense, foi a matar a saudade do Carnaval. (Foto: Thailla Torres)Reginaldo, corumbaense, foi a matar a saudade do Carnaval. (Foto: Thailla Torres)

É o que busca os idealizadores do bloco e a presidente da Associação de Moradores, Rosana Neli, que também administra o centro comercial antigo do bairro. “As pessoas precisam entender que esse bairro tem história e ele não pode acabar no esquecimento. Esse Carnaval é mais um passo para trazer vida, aquela vida, que há muitos anos fazia da região uma das mais movimentadas”.

O processo para não se marginalizar o local, segundo Rosana, exige consciência. “Esses moradores de rua e dependentes químicos não são bandidos. Isso é um problema social que exige tratamento e politicas publicas eficientes para atender esse grupo”, destaca.

Não é à toa que quem sobrevive há 34 anos na região ainda hoje acredita no potencial do bairro. O comerciante Fernando Fasano, de 59 anos, começou sua história na cidade quando o espaço era considerado o primeiro shopping de Campo Grande. “Isso daqui era um movimento danado. Essa juventude não sabe, mas aqui era point. Eu não consigo esquecer disso e não vou abandonar por que sei a gente merece respeito”.

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Evento reuniu turma com história no bairro. (Foto: Thailla Torres)Evento reuniu turma com história no bairro. (Foto: Thailla Torres)
Comerciante que há 34 anos resiste no Amambaí,
é o maior torcedor para revitalização. (Foto: Thailla Torres)Comerciante que há 34 anos resiste no Amambaí, é o maior torcedor para revitalização. (Foto: Thailla Torres)


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