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Campo Grande, Domingo, 23 de Setembro de 2018

07/02/2017 08:38

Em plena segunda-feira, baile corta preço pela metade para não ser extinto

Thailla Torres
Tem muita gente animada em plena segunda-feira em Campo Grande.Tem muita gente animada em plena segunda-feira em Campo Grande.

Quase em extinção, em festa tradicional de segunda-feira o preço até caiu pela metade. Quem chega no Clube da Amizade para o Baile dos Garçons paga só R$ 10,00 até às 22h30, tática da proprietária para tentar continuar na ativa com o evento criado para quem só tem folga uma vez por semana.

A ideia surgiu há três anos, para garçons e seguranças. "Foi conversando com uma amigo, ele disse que em Corumbá também tinha uma festa para esses profissionais e eu pensei que se desse certo, eu faria", explica a dona Maria de Almeida Metello, 84 anos. Mas Campo Grande não parece tão animada quanto Corumbá.

Ramão Medina é produtor musical e curte baile em dia de descanso. Ramão Medina é produtor musical e curte baile em dia de descanso.

Por aqui, não há garçons no baile há um bom tempo. Quem está na função, justifica pelo cansaço.

Dona Amélia Caramalac, de 64 anos, trabalha na portaria do Clube e conhece quase todo mundo. "Há muito tempo não vem garçom", confirma. Ela acredita que o cansaço do fim de semana é o que impede eles de estarem no baile. "Não é fácil, as vezes eles trabalham tanto no fim de semana em pé, que segunda-feira é realmente o dia descanso. Eu comecei a trabalhar há 20 anos como segurança e vi muita gente que acaba não animando", conta. 

Mas se isso é desculpa para garçons, não é o caso dos músicos. Na segunda-feira o baile é um pouco vazio, mas o que não falta é músico se divertindo em roda de amigos. São eles que fazem do baile a diversão, já que o fim de semana é lotado de trabalho. 

Músico há 15 anos, Michel Martins, 34, toca sanfona com a dupla Jads e Jadson. Por conta da profissão, sábado e domingo é sempre dia de trabalho. A segunda ele aproveita para rever amigos e curtir a esposa. "É o único dia que a gente tem. Eu venho para prestigiar os amigos que nunca vejo, conversar e tomar um cerveja. Quando comecei na música, a gente ainda se divertia, mas chega um ponto do trabalho que não dá pra conciliar", explica. 

A esposa, Tamirys de Moraes, 26 anos, acaba acompanhando o ritmo do marido. "Eu gosto de sair com ele. Mas ele viaja na quarta-feira e as vezes só volta domingo. Segunda-feira não tem como abrir mão de vir aqui", afirma. 

Michel é sanfoneiro de dupla sertaneja e só tem segunda-feira para aproveitar com a esposa. Michel é sanfoneiro de dupla sertaneja e só tem segunda-feira para aproveitar com a esposa.

Todo mundo conhece o jeito peculiar da dona de administrar o Clube da Amizade, quem frequenta, já sabe que o lugar não é para bebedeira. Mais um atrativo para quem é músico, explica Ramão Medida, 34 anos, produtor musical. Depois de passar o fim de semana trabalhando, ele escolhe o lugar pelo som e os amigos. "Aqui não tem a bebedeira, porque a maioria trabalha amanhã. Mas é também pela forma como as pessoas se comportam, dá pra dançar e conversar tranquilamente", diz. 

Ninguém está a trabalho, mas como todo músico, sempre tem aquela vontade de dar um palhinha no palco. Na voz e violão, Icko Cordeiro, de 47 anos, sobe ao palco para cantar, mas garante que a segunda-feira é de diversão. "Hoje na verdade é o nosso domingo". Há 30 anos fazendo música, Icko é compositor e trabalha todo fim de semana. "A gente está acostumado, mas não é diversão, é trabalho. Então hoje pra falar a verdade o baile é de músicos", afirma. 

O ambiente é amplo, bem iluminado, tem enfeites no teto, mesas espalhadas pelo salão, cerveja trincando, mas o que impressiona numa segunda-feira são os clientes. A maioria já frequenta o clube há anos. Quem administra já está acostumada com quem rotula o lugar, sem conhecer. "Bar de velho", "clubinho das varizes" ou "coisa da terceira idade" são os mais comuns e é só motivo de risada.

Mas se engana quem acha que só vai encontrar vovôs pelo salão. O baile prova ser o mais animado da cidade, pelo ritmo na pista e pelas personalidades. Quem acha que não tem vocação para dança, pode sair dali um pé de valsa. Quem sabe, dá show, quem não, acaba aprendendo porque é impossível ficar parado.

Rosa não dança quando está sozinha, mas não perde oportunidade de observar.Rosa não dança quando está sozinha, mas não perde oportunidade de observar.
Amigos aproveitam o baile até madrugada.Amigos aproveitam o baile até madrugada.

Aos 24 anos, o eletricista Jefferson Floriano já frequenta o clube há 5 anos. Diz que escolheu o lugar pela dança, já que nas casas sertanejas o público prefere outro ritmo. "Ninguém tira a noite toda pra dançar. A maioria dança arrocha e aqui a gente gosta do chamamé e vanerão. Eu venho pra dançar. E também é uma maneira de socializar com as pessoas", afirma.

Ao chegar na pista, José Carlos Domingos, de 49 anos, mostra todo desempenho. Não falta dupla durante a noite. Duas vezes por semana ele vem de Sidrolândia (MS) até a Capital para dançar. "Lá não tem eventos e aqui é o único baile que abre segunda, eu gosto muito de dançar e por isso eu venho. Já faz dois anos que pego a estrada pra isso, por isso só tomo guaraná", comenta.

Jackeline de Moraes, tem 32 anos, mas começou a frequentar o lugar quando tinha 18 anos. Ela confessa que a primeira vez foi obrigada pela mãe. Estava pronta para dizer que o lugar era de velho, mas quando viu já estava no salão dançando. "Eu tinha esse pensamento, mas quando cheguei aqui mudei minha cabeça. Não é balada pra paquerar e ficar bebendo demais. É pra quem gosta de dançar mesmo. Por isso eu nunca parei".

O lugar é realmente aberto a todo tipo de público, até para quem só fica sentado. Rosa Barbosa, tem 53 anos e não dança, exceto quando vai ao lugar acompanhada do marido. Mas quando está só, prefere ficar só olhando. "Eu tenho vergonha de dançar com outra pessoa. Meu marido vem só uma vez por mês e eu venho toda segunda sozinha. Mas se olhar, a gente já se diverte, abre a cabeça da gente", garante.

Conhece o Clube da Amizade? O espaço fica na avenida Tiradentes, 942, no Taveirópolis, em Campo Grande. Os bailes acontecem no sábado, domingo e segunda.

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