Em vídeo, Xamã elogia pioneirismo do Brô MCs em subgênero do rap
Grupo indígena de Dourados mistura língua originária e batida criada na Europa
“São únicos, autênticos.” O cantor Xamã não mediu elogios aos músicos indígenas sul-mato-grossenses Brô MCs. Em um vídeo postado nas redes sociais, ele explica que o grupo é o primeiro a fazer drill (subgênero do rap) com flow (cadência, velocidade, pausas e entonação) em língua Guarani Kaiowá.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
“Eu gosto de coisas autênticas. Faz parte do brasileiro. Você vai no Sul, tem uma galera que faz rap que entende a sua realidade, galera no Norte a mesma coisa, no Nordeste. O rap é isso: a união.”
Ele explica que o drill é um gênero que surgiu nas ruas de Londres há menos de uma década. Segundo o próprio rapper, isso é inédito. “O que é mais da hora de fazer um som com o Brô é fazer um drill na língua deles. É a primeira vez que alguém faz isso junto com flow.”
A conexão entre os artistas começou em 2021. “Conheci o Brô e a gente começou a fazer umas músicas, rimas. Sempre fui muito curioso com formas de rimar. A gente foi pro estúdio e fluiu. Coisa de MC: não importa de onde vem, parece que a gente se conhece há muito tempo”.
Xamã, nome artístico de Geizon Fernandes, nasceu no Rio de Janeiro e construiu carreira a partir das batalhas de rima, antes de alcançar o grande público com músicas que misturam rap, poesia e influências da música brasileira. Ao longo dos anos, ampliou sua presença para além da música, incluindo trabalhos como ator, o que ajudou a consolidar sua imagem como um artista versátil.
Para quem não conhece, o Brô MCs surgiu nas aldeias Jaguapiru e Bororó, em Dourados, e é considerado pioneiro do rap indígena no Brasil. Suas letras tratam de território, resistência e cotidiano nas comunidades Guarani Kaiowá.
O grupo se apresentou no Rock in Rio 2022, inclusive como convidado do Xamã. No palco, o grupo manteve o que sempre fez desde 2009: rap com identidade indígena, misturando português e Guarani Kaiowá. Quando o grupo subiu no palco, não houve adaptação para agradar o público. Não suavizaram o discurso, não “traduziram” tudo. Cantaram do jeito deles.
O Brô já vinha construindo esse caminho há anos. Antes do Rock in Rio, eles já tinham passado por festivais, eventos políticos como o Acampamento Terra Livre e outras apresentações nacionais e internacionais. Eles também já fizeram faixas com o DJ Alok.
Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e X. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.

