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Campo Grande, Quarta-feira, 26 de Setembro de 2018

28/05/2018 07:34

Grupo encara o Inferninho à noite, para fazer rapel até de cabeça pra baixo

Parece loucura, mas essa turma passou três horas na escuridão subindo e descendo a cachoeira de 25 metros de altura

Thailla Torres
À noite, grupo encarou aventura durante três horas no Inferninho, cachoeira que fica na saída de Rochedo. (Foto: Thailla Torres)À noite, grupo encarou aventura durante três horas no Inferninho, cachoeira que fica na saída de Rochedo. (Foto: Thailla Torres)

Se durante o dia é radical, à noite essa aventura torna-se ainda mais desafiadora. Escuridão, obstáculos e até mesmo as histórias que permeiam a cachoeira do Inferninho parecem não intimidar um grupo que deixou tudo na noite de sábado para fazer rapel a 25 metros de altura.

No local, a luz vem das lanternas e quando o vida urbana fica para trás, o brilho das estrelas e da lua aparece de brinde. Cinco instrutores se revezam nas cordas, preparadas desde as primeiras horas do dia, para que os aventureiros possam subir e descer à vontade. Uma delas, exclusiva para segurança. "Se algo acontecer no meio do caminho, a gente desce na segunda corda e fazemos o salvamento".

Além das lanternas, o grupo ainda prepara uma fogueira como resposta às boas vindas que a natureza deu naquela noite. "Somos escoteiros e acreditamos que a fogueira traz uma energia nesse momento. Então, resolvemos fazer para mostrar que de inferno aqui não tem nada", explica o instrutor de rapel, Gilberto Gomes, de 30 anos.

(Foto: Thailla Torres)(Foto: Thailla Torres)

"Foi cerca de um mês de expectativa e não podia ter sido melhor. O silêncio, a paisagem, o contato com a natureza, somou a gratidão por um lugar de paz e equilíbrio", descreve a advogado.

O rapel noturno é também um desafio para Gilberto como instrutor, que além de proporcionar aventura, busca desmitificar o local que há anos ganhou título de "desova". "As pessoas falam muito do Inferninho, falam muito mal e só quem vive essa natureza sabe o quanto esse lugar é precioso. Precisa ser admirado e não taxado como algo ruim".

Mas à noite, é difícil evitar que as memórias ruins do lugar não venham à mente. Jeverson, de 33 anos, foi um dos primeiros a descer e até brincou com o que poderia encontrar lá em baixo. "A gente fica pensando se alguém vai puxar o nosso pé", ri. "Mas é uma descida tranquila, o lugar é maravilhoso", acrescenta.

Fogueira para trazer boas energias e servir de luz par ao grupo. (Foto: Thailla Torres)Fogueira para trazer boas energias e servir de luz par ao grupo. (Foto: Thailla Torres)

A descida começa em uma árvore no topo da cachoeira, em minutos, o aventureiro sente a água gelada nas costas. Apesar da temperatura baixo, o frio chega a passar durante os minutos de subida por uma trilha que foi sinalizada com bastões coloridos e luzes de LED. O grupo chegou a levar um gerador, mas que não funcionou e o jeito foi improvisar com o que havia de pilha.

O passeio noturno foi uma ideia dele após ver o desafio presente em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. "Fora é muito comum as pessoas fazerem rapel a noite. E sem contar que o contato que você tem com a natureza nessa momento é ainda mais intenso".

Mesmo sem enxergar durante aproximadamente cinco minutos de descida, quem chega lá em baixo consegue descrever a "loucura" pelo radical como algo incrível. "O mais legal é a adrenalina. A noite você perde a noção de profundidade e não sabe dizer se já está chegando. Nessa hora é que você precisa se soltar e curtir esse momento", afirma o analista de sistemas, Ederson Coimbra, de 31 anos.

Tem gente que vai ainda mais longe na experiência. Depois de ter sido convidado por uma amiga para fazer rapel durante o dia, o empresário André Zinsley, de 34 anos, não pensou duas vezes na descida à noite. "Eu vim porque achei mais desafiador", diz minutos antes de encarar a descida de cabeça para baixo. "Acho que quando a gente conhece o grupo e confia, não tem porque ter medo".

André teve coragem de descer de cabeça para baixo na primeira vez. (Foto: Thailla Torres)André teve coragem de descer de cabeça para baixo na primeira vez. (Foto: Thailla Torres)

Das sete pessoas que fecharam pacote para a descida, a advogada Ana Carolina Toledo, de 36 anos, era a única corajosa da turma. "Quando eu soube que era a noite, fiquei apaixonada pela ideia", diz. Depois das descidas e encarar com garra subidas íngremes, o sentimento foi de satisfação.

Mas para quem se interessa na aventura, o instrutor adianta, é preciso ter experiência. "Só vem quem já fez rapel durante o dia e tem segurança para descer à noite. É claro que a gente ajuda no que foi necessário, mas o passeio tem que ser relaxante e não desesperador", esclarece Gilberto.

A maioria fez pelo menos 4 descidas no passeio que durou aproximadamente três horas. E como deu certo, as próximas aventuras já estão previstas, basta acompanhar a programação pela página do Vertical Rapel no Facebook.

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Caroline foi a única mulher do grupo que encarou decida por 4 vezes. (Foto: Thailla Torres)Caroline foi a única mulher do grupo que encarou decida por 4 vezes. (Foto: Thailla Torres)


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