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Diversão

Mordida, banho de champagne e gafe: os shows icônicos da Capital

Cidade coleciona histórias de fãs apaixonados, recordes de público e confusões que foram além da música

Por Natália Olliver | 06/06/2026 07:00
Mordida, banho de champagne e gafe: os shows icônicos da Capital
a boy band Menudos provocou uma verdadeira febre entre as sul-mato-grossenses (Foto: Roberto Higa)

Ao longo dos anos, Campo Grande coleciona histórias engraçadas quando o assunto é shows icônicos que passaram por aqui. Já teve fã mordendo senhor no aeroporto por causa dos Menudos, Chorão encerrando apresentação com banho de champagne e adolescentes desmaiando de emoção por ficarem perto dos Mamonas Assassinas. De quebra, Rita Lee confundindo Mato Grosso do Sul com Mato Grosso e xingando a galera no antigo Twitter. Hoje o Lado B relembra o que  ficou, para muitos, apenas na memória.

RESUMO

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Campo Grande acumula histórias marcantes de shows icônicos, como a febre dos Menudos nos anos 1980, que resultou em uma fã agredindo um homem no aeroporto. Os Mamonas Assassinas lotaram a cidade nos anos 1990, enquanto o Charlie Brown Jr. reuniu 100 mil pessoas em 2012. Rita Lee confundiu Mato Grosso do Sul com Mato Grosso, e o Guns N' Roses gerou caos na BR-262. Marília Mendonça lotou o Parque das Nações em menos de 12 horas, e Luan Santana gravou seu primeiro DVD na cidade.

Entre gritos, multidões e momentos inusitados, a Capital recebeu artistas que transformaram shows em capítulos inesquecíveis. Juntamos momentos que aconteceram antes dos celulares gravarem tudo a todo momento.

Vamos à história. Na década de 1980, a boy band porto-riquenha Menudos provocou uma verdadeira febre entre as sul-mato-grossenses. A recepção no aeroporto reuniu fãs aos gritos e, anos depois, uma história continuava sendo lembrada: uma jovem apaixonada pelo grupo chegou a agredir um homem que fazia comentários maldosos sobre os ídolos. O resultado foi uma ida ao hospital e quatro pontos no ferimento. Com estádios lotados e mais de 50 mil pessoas acompanhando as apresentações, o grupo deixou sua marca na cidade.

Mordida, banho de champagne e gafe: os shows icônicos da Capital
Chegada da boyband Menudos no aeroporto de Campo Grande (Foto: Roberto Higa)

Nos anos 1990, os Mamonas Assassinas transformaram Campo Grande em um grande palco de euforia. O show no Albano Franco reuniu uma multidão que acompanhou a banda desde a chegada ao aeroporto até a apresentação. Algumas fãs chegaram a passar mal pelos músicos.

O que pouca gente sabe é que Carlos Alberto Rezende, ou professor Carlão, foi o responsável por trazer o grupo para cá. Em 2025 ele relembrou o momento em que a cidade foi "tomada" por fãs e pessoas passando mal no aeroporto. "Eu vi a música Vira na TV, que era um dos grandes sucessos deles, e arrisquei. Assinei o contrato e trouxe o show", recorda.

No palco do Centro de Convenções Albano Franco, a energia da banda confirmou o fenômeno que o Brasil inteiro acompanhava. Carlão lembrou do encontro dos músicos com os Paralamas do Sucesso nos bastidores e do comentário sobre o calor sul-mato-grossense, mas disse que o que mais o marcou foi a relação dos integrantes com os fãs.

"A intensidade e a concentração deles eram sensacionais. Eles tinham um carinho pelo público que era sensacional", relembra. Poucos meses depois, a tragédia aérea de 1996 interromperia a carreira meteórica da banda.

Mordida, banho de champagne e gafe: os shows icônicos da Capital
Mordida, banho de champagne e gafe: os shows icônicos da Capital
Memória da passagem da banda Mamonas Assassinas em Campo Grande (Foto: Professor Carlão)

Se os Menudos causaram histeria nos anos 1980 e os Mamonas lotaram aeroportos nos anos 1990, o Charlie Brown Jr. foi responsável por um dos maiores encontros da geração que cresceu nos anos 2000.

Em junho de 2012, cerca de 100 mil pessoas tomaram conta do Parque das Nações Indígenas para assistir à banda no MS Canta Brasil, transformando a concha acústica em uma verdadeira arena de rock. O público era formado por gente que havia passado a adolescência ouvindo as músicas de Chorão. Nem o atraso, por problemas técnicos, de quase 2 horas esfriou os ânimos de quem estava animado para ver Chorão cantar.

A apresentação terminou em clima de celebração, com banho de champagne no palco e Chorão deixando Campo Grande com a promessa de voltar. "Foi demais, estou muito feliz. Quero voltar", disse na época.

Mordida, banho de champagne e gafe: os shows icônicos da Capital
Show terminou em clima de celebração, com banho de champagne (Arquivo Campo Grande News)

Rita Lee também deixou sua assinatura em Campo Grande. Dona de sucessos que atravessaram gerações, a cantora reuniu fãs de diferentes idades em uma apresentação marcada pelo tom descontraído. O show aconteceu em 2011 para  cerca de 70 mil pessoas no Parque das Nações Indígenas.

Nos bastidores, conversou com o trio Hermanos Irmãos e se encantou com a mistura de polca paraguaia e rock apresentada pelos músicos. "Eu ouvi os paraguaios 'trintintin'. Parabéns, adorei. Vou falar muito de vocês", elogiou.

Durante a passagem dela por aqui, Rita acabou cometendo a gafe que muitos artistas comentem: confundir Mato Grosso do Sul com Mato Grosso. Tempos depois, durante um show no Festival de Inverno de Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, a cantora agradeceu o carinho do "povo de Mato Grosso do Sul". Na época ela disse que era para "vingar" o povo de MS.

Mordida, banho de champagne e gafe: os shows icônicos da Capital

O Guns N' Roses entrou para a história de Campo Grande, não só pelo show épico, mas  porque a logística deixou uma boa parte dos fãs na BR-262, presos no engarrafamento que durou mais de 6 horas. A expectativa era que 35 mil pessoas estivessem na arena do Autódromo Internacional Orlando Moura.

Devido ao problema, que acabou se transformando em um caos generalizado na estrada, muitas pessoas não chegaram a assistir aos ídolos do rock. Os que conseguiram tiveram que andar até 13 km para chegar a tempo. Os mototaxistas ajudaram a encurtar a caminhada.

Mordida, banho de champagne e gafe: os shows icônicos da Capital
Mordida, banho de champagne e gafe: os shows icônicos da Capital
Guns N' Roses entrou para a história de Campo Grande pelo show e pelo caos (Foto: Divulgação)

A passagem da banda pela Capital foi tratada como um dos maiores eventos internacionais de rock já realizados na cidade. No fim, o Guns N' Roses entregou um espetáculo que entrou para a memória dos fãs.

Quando o show ainda atrasou para começar, a tensão aumentou. A própria mãe do Axl Rose subiu ao palco para pedir desculpas. Na porta do hotel em que a banda ficou por 2 dias os fãs bateram ponto. Os rockeiros desceram para atender o público e teve até quem deu uma escapada para correr no Parque dos Poderes pela manhã.

Mordida, banho de champagne e gafe: os shows icônicos da Capital
David interage com público e lota Jóquei Clube em 2012 (Fotos: João Garrigó)

A música eletrônica ganhou seu momento de glória quando David Guetta desembarcou no Jóquei Clube. Diante de um público estimado entre 20 e 25 mil pessoas, o DJ francês comandou uma madrugada de luzes, jatos de fogo, papel prateado e milhares de celulares erguidos para registrar cada momento. Simpático ele brincou com os fãs durante a apresentação.

Se teve artista capaz de mobilizar Campo Grande em questão de horas, essa artista foi Marília Mendonça. Em 2019, a cantora desembarcou na Capital para gravar o projeto "Te Vejo em Todos os Cantos" e conseguiu lotar o Parque das Nações Indígenas com menos de 12 horas de divulgação. Bastou o anúncio para que milhares de pessoas corressem para garantir um lugar diante daquela que já era considerada a maior voz feminina do sertanejo brasileiro.

Mordida, banho de champagne e gafe: os shows icônicos da Capital
Marília Mendonça nas ruas de Campo Grande. (Foto: Ricardo Gael)

O show tinha clima de encontro entre amigos. Marília conversou diretamente com o público, brincou, agradeceu a paciência da multidão e conduziu a gravação da música "Obrigada por Estragar Tudo".

O Parque ficou tomado por pessoas de todas as idades que queriam participar de um momento que acabaria eternizado em vídeo. A cantora também apareceu no Centro da Cidade e surpreendeu fãs.  Em questão de minutos ela estava rodeada de pessoas atrás de uma foto com a sertaneja.

Anos depois, com a morte precoce da artista em um acidente aéreo, a gravação ganhou um significado ainda mais especial para quem esteve lá. Para milhares de sul-mato-grossenses, aquela noite deixou de ser apenas um show e passou a ser uma das últimas oportunidades de ver ao vivo a cantora que transformou a sofrência em fenômeno nacional.

Muito antes de lotar estádios pelo Brasil, Luan Santana escolheu Campo Grande para um dos momentos mais importantes da carreira. Em 2009, ele ainda dava os primeiros passos rumo ao estrelato nacional quando gravou seu primeiro DVD. Aproximadamente 75 mil pessoas acompanharam a apresentação no mesmo cenário que Marília Mendonça gravou anos depois.

Quando Luan finalmente subiu ao palco, a ansiedade deu lugar a gritos, lágrimas e muita emoção. Para quem estava ali, não era apenas um show, mas a chance de participar de um momento que entraria para a história da carreira do artista. Muitas adolescentes sonhavam em chegar ao camarim e algumas conseguiram subir ao palco para abraçar o cantor.

Anos depois, uma delas, Julia Casarin, relembrou a experiência ao Lado B (clique aqui e confira). O DVD ajudou a transformar sucessos como "Meteoro" em fenômenos nacionais e consolidou Luan Santana como um dos principais nomes da música sertaneja.

Mordida, banho de champagne e gafe: os shows icônicos da Capital
Sandy e Júnior no Parque de Exposições Laucídio Coelho (Foto: Reprodução vídeo)

A dupla já arrastava multidões por onde passava quando voltou à Capital, em 2005, para gravar o DVD da turnê "Identidade". O palco foi montado no Parque de Exposições Laucídio Coelho e o show, com entrada gratuita, reuniu milhares de fãs que acompanharam de perto um dos momentos mais importantes da fase adulta da carreira dos irmãos. A apresentação foi exibida na TV na virada do ano.

A expectativa começou muito antes do primeiro acorde. Fãs chegaram cedo para garantir um bom lugar e ver de perto os artistas que haviam acompanhado desde a infância. Para uma geração inteira, Sandy & Junior não eram apenas cantores, mas parte da trilha sonora da vida. Quando subiram ao palco, sucessos acumulados ao longo de mais de uma década foram cantados em coro por uma multidão que sabia cada palavra de cor.

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RPM m Campo Grande, durante o Festival do Sobá de 2013 (Foto: Arquivo Campo Grande News)

E para fechar essa viagem por diferentes gerações, o RPM provou que algumas músicas não envelhecem. Quando a banda se apresentou em Campo Grande, durante o Festival do Sobá de 2013, quem tomou conta da frente do palco foi o público que viveu a juventude nos anos 1980. Bastavam os primeiros acordes de sucessos como "Alvorada Voraz", "Olhar 43" e "Rádio Pirata" para transformar a apresentação em uma grande máquina do tempo.

O grupo comemorava 30 anos de carreira e levava aos palcos a mesma energia que o transformou em um dos maiores fenômenos da música brasileira. Entre casais, amigos e fãs que cresceram ouvindo os discos da banda, o show teve clima de reencontro. Muitos já não eram os adolescentes que lotavam ginásios e compravam vinis nos anos 1980, mas cantavam os refrões com a mesma intensidade de décadas atrás.

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