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Copo reutilizável ao invés do absorvente. Será que dá certo? Elas dizem que sim

Por Paula Maciulevicius | 25/10/2014 08:11
Copinho ou absorvente? Nos últimos anos, mulheres adotaram uma outra medida no que diz respeito à absorção ou contenção do sangue. (Foto: Marcelo Callazans)
Copinho ou absorvente? Nos últimos anos, mulheres adotaram uma outra medida no que diz respeito à absorção ou contenção do sangue. (Foto: Marcelo Callazans)

O período menstrual pode ser drama como bem pode passar batido. Na hora de lidar com a menstruação, cada mulher sabe a dor, o incômodo, a duração e a intensidade do fluxo. Nos últimos anos, têm as que adotaram uma outra medida no que diz respeito à absorção ou contenção do sangue: o copinho reutilizável. O uso ainda é tímido, mas quem experimentou, não troca por nada. 

O nome correto é coletor menstrual. Feito de silicone, ele deve ser inserido na vagina de modo a coletar todo fluxo desde a saída. A flexibilidade do material faz com que ele se adapte ao corpo e  possa, enfim, substitui os absorventes tanto externo como interno. Podendo ser usado até 12h seguidas, basta retirar, descartar o sangue, lavar e colocar novamente. 

Foi num grupo de mães, há quatro anos, que a administradora, Adeise Marcondes, de 31 anos, conheceu o coletor. "Me bateu curiosidade, eu gosto de produtos que não agridem ao Meio Ambiente. Achei prático de usar, ouvi relatos de pessoas que já usavam e resolvi experimentar. Estou até hoje", descreve. 

O nome correto é coletor menstrual. Feito de silicone, ele deve ser inserido na vagina de modo a coletar todo fluxo desde a saída. (Foto: Marcelo Callazans)
O nome correto é coletor menstrual. Feito de silicone, ele deve ser inserido na vagina de modo a coletar todo fluxo desde a saída. (Foto: Marcelo Callazans)

O desconforto, segundo ela, é zero. "É só mesmo uma questão de se adaptar, mas ele não é diferente de um absorvente interno, por exemplo. É capaz de você até se esquecer dele", comenta.

O método ela diz que não troca por nehum outro. Durante a menstruação, retira apenas uma vez ao dia para higienizar. "Dá para ficar 8, até 10h. Ele não altera cheiro, fluxo, nada. Só quando enche é que precisa tirar", reforça. Na hora de praticar esportes ou até mesmo sair para trabalhar, por segurança, ela no início colocava um protetor na calcinha. "Mas se for bem colocado o coletor, não vaza não. O interessante é que com o tempo cada mulher vai conhecendo o processo do uso", exemplifica Adeise.

A recomendação dela é clara e toda vez que o assunto surge, ela trata logo de por na roda. "É mais praticidade e questão de economia também, porque eu acabo tendo menos lixo e de certa forma, o absorvente comum incomoda bastante. Você tem que trocar várias vezes, tem também o odor".

Por questões alérgicas que a jornalista e professora Laís Camargo, de 24 anos, chegou até o coletor. Hoje uma das maiores defensoras do uso na Capital, ela é tão convincente que até dá vontade de trocar o velho absorvente pelo reutilizável copinho.

O desconforto, segundo Adeise, é zero e nem se sente o produto no corpo. (Foto: Marcelo Callazans)
O desconforto, segundo Adeise, é zero e nem se sente o produto no corpo. (Foto: Marcelo Callazans)

"É muito mais higiênico, porque o sangue não entra em contato com o ar, então não tem cheiro nenhum e você acompanha todo o seu ciclo pela cor", aponta a vantagem. Há cinco anos ela deixou o absorvente pelas alergias que apareciam depois, na prática, sentiu que o fluxo até diminuiu. "Os absorventes têm uma substância que é anticoagulante e faz você sangrar mais para você usar mais. Diminuíram as minhas cólicas também, nossa, é muito mais prático e você nem percebe", compartilha.

O coletor precisa ser comprado pela internet e custa uma média de R$ 70,00, mas pode ser usado por anos dependendo da forma como a higiene é feita.

Para a engenheira química MorenaBertuzzi, de 29 anos, o que pesou foi o fato do produto não ser testado em animais. "Ele é um coletor vegano, não é testado em animais, é reutilizável, não polui o Meio Ambiente", pontua. Vegana, Morena ainda não usa, mas pretende por o coletor em prática ainda este ano.

O coletor precisa ser comprado pela internet e custa uma média de R$ 70,00, mas pode ser usado por anos. (Foto: Marcelo Callazans)
O coletor precisa ser comprado pela internet e custa uma média de R$ 70,00, mas pode ser usado por anos. (Foto: Marcelo Callazans)

Modo de usar - No corpo, o copinho fica numa posição mais baixa que um absorvente interno, ou seja, ao retirar, a mulher não terá contato com o sangue. De silicone medicinal, é quase zero as chances de ele provocar alergias. Ao colocar, é preciso lavar bem as mãos e higienizar o coletor.

A mulher precisa procurar uma posição confortável que pode ser em pé, agachada ou ainda sentada no vaso sanitário. Com as pernas abertas, o copinho deve ser inserido começando pela parte arredondada. Depois se deve colocá-lo na direção horizontal. O coletor precisa ser inserido até ficar dentro da vagina.

Não é necessário retirá-lo na hora de ir ao banheiro. A retirada é, pelo menos na teoria, simples e basta apenas puxar o coletor pela haste até alcançar a base. Tudo isso com as mãos muito bem lavadas. Os fabricantes do produto indivam lavar com água e sabão neutro antes de colocá-lo novamente e ao final de cada ciclo, ferver por cinco minutos.

O médico ginecologista Alex Bortotto explica que o uso vai muito de pessoa para pessoa, conforme os próprios costumes. Na maioria das vezes, a opção leva em conta alergias, mas mesmo assim, ele alerta que o coletor precisa ser bem manipulado. "Todo e qualquer objeto intravaginal precisa ser muito bem esterelizado, não podendo adentrar bactérias", frisa.

Sobre a diminuição do fluxo, ele não relaciona diretamente ao uso. "As mulheres que tiverem redução pode ser tido alguma outra modificação em termos hormonais no ciclo.

Mal não faz e não há também contraindicações, a não ser em casos específicos de alergia até do silicone. Para o médico, o uso ainda tímido se dá pela rejeição das mulheres. "Geralmente, quando se fala em manipulação vaginal, a paciente tem uma certa resistência, como era com o diafragma", compara ao contraceptivo que já caiu em desuso.

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