Com morte do sogro, nora assume cocada e mantém vida na estrada
Receita de mais de 40 anos segue viva nas feiras com preparo artesanal e venda na Expogrande
No meio do cheiro doce que toma conta das barraquinhas de comida na Expogrande, uma história antiga é orgulho da família. Pela primeira vez, Márcia Regina da Mata, natural de Fernandópolis (SP), está à frente da venda de cocadas no mesmo lugar onde o sogro trabalhou por décadas.
A tradição da família com o doce começou há mais de 40 anos e nunca parou. Hoje, o negócio roda o Brasil, passando por exposições e feiras, sempre com o mesmo produto que atravessou gerações.
“Isso vem da época do meu sogro. Ele vinha na Expogrande muitas vezes”, conta Márcia. “Eu só passei a vir nesse primeiro ano.”
O retorno ao evento carrega também um significado pessoal. O sogro, que iniciou tudo, morreu há 12 anos, mas deixou uma receita que ninguém esquece. “É uma satisfação da gente continuar. Hoje estou na exposição em que ele trabalhava”, diz.
No estande, o preparo chama atenção de quem passa. O tacho no fogo e o movimento constante de quem mexe a massa viram quase um espetáculo.
Quem assume essa parte é Aguinaldo Sérgio da Silva, que trabalha há 30 anos com cocada do pai e domina o processo. Para ele, o segredo é simples: “carinho e amor”.
A rotina não é leve. São cerca de 50 minutos mexendo o tacho sem parar, exigindo força e atenção. “Não pode deixar queimar”, explica. No total, a produção pode passar de 300 cocadas por dia.
Mesmo com o trabalho intenso, ele garante que não vê dificuldade. “Maior dificuldade eu não tenho, porque eu gosto de fazer doce.”
Alguns produtos exigem ainda mais tempo. A cocada de doce de leite, por exemplo, pode levar mais de quatro horas no fogo até chegar ao ponto certo e ser cortada.
Os sabores seguem a base tradicional da família, mas também acompanham o gosto do público. “Os sabores vêm da família, os tradicionais. O pessoal vai inventando também. É para agradar o paladar de todo mundo”, explica Márcia.
Entre as opções estão cocada, doce de leite, paçoca, cocada queimada e outras variações.
Os preços são acessíveis: cocadas e doce de leite custam R$ 12. Já o coquinho e o pote de quebra-queixo saem por R$ 15.
Com décadas de estrada, a família já passou por vários estados levando o doce. Aguinaldo, por exemplo, começou nesse tipo de evento ainda nos anos 90. “Aqui a primeira vez que vim foi em 1990”, lembra.



