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Sabor

Menino da mandioca cresceu na Ceasa e hoje serve pastel a quem madruga

Empresário chegou à Central na infância, acompanhou o crescimento do espaço e mantém negócio há 21 anos

Por Clayton Neves | 05/08/2026 08:24
Menino da mandioca cresceu na Ceasa e hoje serve pastel a quem madruga
Lúdio ao lado da esposa, Rose, com quem toca o negócio há 21 anos. (Foto: Juliano Almeida)

Quando Lúdio Domingos da Silva chegou à Ceasa (Central de Abastecimento) pela primeira vez, tinha apenas 10 anos. Naquela época, o espaço onde hoje funciona a pastelaria da família era tomado por mato e carrapicho. “Era literalmente tudo mato e carrapicho, só tinha o primeiro pavilhão lá embaixo”, relata.

Ele conta que ajudava um primo a comprar mandioca na roça para vender e ainda não imaginava que, décadas depois, voltaria ao mesmo lugar como dono do próprio negócio.

Hoje, aos 57 anos, Lúdio abre as portas da pastelaria às 3h da manhã e recebe caminhoneiros, trabalhadores e clientes que procuram café, pastel e comida ainda antes do dia clarear. Segundo ele, rotina é resultado de uma história de décadas de trabalho na Ceasa.

Menino da mandioca cresceu na Ceasa e hoje serve pastel a quem madruga
Pastel é preparado e frito na hora de acordo com a preferência de cada cliente. (Foto: Juliano Almeida)

“Eu comecei jovem. Tinha 10 anos e ajudava um primo a vender mandioca. A gente comprava na roça e vendia aqui. Naquele tempo a Ceasa ainda estava começando. Só tinha o primeiro pavilhão e o restante era tudo mato e carrapicho”, conta.

Depois da infância, ele virou produtor e feirante e por causa do trabalho continuava indo diariamente à Ceasa. “A relação com o local continuou durante toda a vida”, detalha.

Há 21 anos, quando se preparava para ir embora para o Japão, Lúdio teve a oportunidade de assumir um espaço na Ceasa. Na época, o ponto à venda oferecia apenas salgados, mas a produção acabava cedo, muitas vezes antes das 8h, enquanto o movimento continuava na Central de Abastecimento.

Menino da mandioca cresceu na Ceasa e hoje serve pastel a quem madruga
Pastelaria oferece quase 20 sabores com preços entre R$ 7 e R$ 30. (Foto: Juliano Almeida)

Foi aí que ele e a esposa, Rose, pensaram em um produto que pudesse ser preparado durante toda a manhã.

“Quando eu trabalhava na feira, sempre tinha banca de pastel e eu observava o trabalho dos amigos. Daí percebi que poderia levar a ideia para a Ceasa. Eu nunca tinha trabalhado com pastel, mas nos arriscamos e fomos aprendendo”, destaca.

Mais de duas décadas depois, a pastelaria oferece quase 20 sabores entre R$ 7 e R$ 30. O de carne é o mais procurado e sai a R$ 13, mas o cardápio também ganhou pratos feitos e marmitas. Um dos destaques é o arroz carreteiro, servido com ovo frito que custa R$ 19.

Menino da mandioca cresceu na Ceasa e hoje serve pastel a quem madruga
Espaço abre as porta às 3h e logo na madrugada já tem fila de gente em busca dos pastéis. (Foto: Juliano Almeida)

Na Ceasa, a rotina de trabalho começa cedo, como Lúdio sempre esteve acostumado. O despertador toca por volta das 2h15 e ele e a esposa chegam à Ceasa às 3h. As portas ficam abertas até as 10h, atendendo principalmente quem trabalha durante a madrugada ou começa o expediente antes do sol nascer.

“Às vezes, quando eu abro as portas, já tem gente querendo comer. São caminhoneiros e pessoas que acordam cedo e querem comida logo pela manhã”, conta Rose.

Mesmo depois de tantos anos, Lúdio diz que não mudaria o horário de trabalho e para ele, a rotina já faz parte da vida. “Se fosse para escolher hoje, eu escolheria de novo o mesmo horário. A gente se acostuma”, afirma.

Ao olhar para trás, ele vê a trajetória como uma sequência de caminhos que, mesmo quando pareciam incertos, acabaram levando a novas oportunidades.

“Eu nunca imaginei que um dia seria dono do meu negócio aqui na Ceasa, mas para mim, nada é por acaso. Eu sempre vejo a mão de Deus na minha vida. Tem coisas que acontecem e, no momento, a gente não entende, mas lá na frente, vê que era um caminho bom”, finaliza.

Menino da mandioca cresceu na Ceasa e hoje serve pastel a quem madruga
No início, casal nunca tinha trabalhado com patel, mas insistência fez o negócio dar certo. (Foto: Juliano Almeida)

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