Restaurante coreano de amigos serve o que todo mundo vê nos doramas
Lugar tem arquitetura inspirada nas casas ancestrais do país, feitas de pedra, muro baixo e portão sem tranca
De repente, a Rua Rio Grande do Sul ganhou um pedacinho da Coreia do Sul. As paredes de pedra, o muro baixo e a porta de madeira sem tranca, chamada Hanok, têm causado curiosidade em quem passa por lá. Depois do sucesso das comidas do país nos doramas e da popularidade do k-pop, os amigos Paul Kim, de 69 anos, e Willian Alexandre Gonçalves, de 44, resolveram trazer parte da culinária de lá e acabar de uma vez com a dúvida: “o que é aquela comida preta” que tanto aparece nos filmes.
O Lado B foi conhecer o espaço antes da pré-inauguração. O ambiente é dividido em 4 salas. Na entrada, há uma lojinha com produtos coreanos, latas dos ídolos pop e a famosa bebida alcoólica soju.
Paul explica que a ideia é levar os clientes a uma experiência imersiva na cultura e na culinária coreanas.
“Como não posso trazer toda Coreia para cá, fiz algo simbólico. Queria trazer esse portão, chamado de Hanok, e esses muros que simbolizam o país e a casa antiga coreana. Os muros são baixos, altura da vista que você pode olhar, mas não dá para pular. A cultura coreana não esconde a casa, deixa a metade aberta para ter comunicação entre fora e dentro. Outra coisa diferente é que não tem chave, fechadura. Você pode bater na porta e alguém abrir. Tudo isso mostra um pedaço da Coreia. A entrada é com madeira, telhas pintadas de preto iguais às da Coreia e o mesmo tom de madeira. Isso não caracteriza toda a Coreia, mas para Campo Grande queria trazer tudo isso. Fizemos um esforço, na frente você encontra cultura e dentro culinária de 5 mil anos”.
Por lá é Paul que comandará as panelas junto com a família: a esposa Pauline Kim, Sr. Park e a esposa Mi Jung Park.

Paul cresceu dentro de um restaurante na Coreia, acompanhando o trabalho dos pais. Não passou por uma formação tradicional como chef, mas desenvolveu o conhecimento ao longo do tempo.
“Eu praticamente vivi naquele ambiente e também gosto de cozinhar, então sempre tive interesse em viajar o mundo, viajei dezenas de países e sou encantado pela culinária e cultura. Ninguém me ensinou, mas ao longo do tempo fui desenvolvendo. Fiquei fascinado com temperos e ingredientes. Sempre tive o sonho de ter um restaurante igual ao meu pai e minha mãe. Quando visitei com frequência Campo Grande há 3 anos vi que não tinha resultado assim aqui e toda mídia está falando da Coreia, perguntando o que é aquela comida preta. Eu vi as pessoas terem curiosidade”.
A ideia é, além do dinheiro, fazer com que os pratos sejam conhecidos. Paul trabalhou como missionário; nas andanças entre Campo Grande e as fronteiras (Bolívia e Paraguai) viu que havia restaurantes japoneses, mas nenhum coreano.
“A expectativa está muito boa, estamos muito felizes. O pessoal passava e perguntava quando iria abrir. Isso nos acelerou e trabalhamos de sábado e domingo. Estou realizado”.
Cardápio - Por enquanto, os pratos seguem uma linha considerada mais acessível ao público, classificados como “iniciante”, mas a ideia é ir mudando ao longo do tempo até chegar à culinária mais avançada.
A estratégia é introduzir sabores gradualmente antes de avançar para preparações mais tradicionais ou intensas. Entre as opções estão clássicos como bulgogi, carne bovina marinada preparada na chapa, jeyuk bokkum, com carne suína apimentada, e dak bokkum, com frango em molho coreano. Há também o donkatsu, uma costeleta de porco empanada que remete a sabores mais familiares ao paladar brasileiro.
Na parte de pratos populares, aparecem combinações como arroz frito com kimchi, japchae, feito com macarrão de batata-doce, e jajangmyeon, com molho de feijão e carne suína. Já as chamadas comidas de rua incluem kimbap, dak gangjung, mandu e o k-dog, versão coreana do hot dog no palito.
Os preços variam de R$ 19 a R$ 78, com possibilidade de adaptação vegetariana. Um detalhe relevante é a origem dos ingredientes. Muitos insumos são importados, incluindo molhos e temperos. O óleo de gergelim utilizado, por exemplo, é produzido artesanalmente por uma coreana. Ela produz no interior de São Paulo. Já o shoyu é importado diretamente da Coreia e feito com fermentação natural, diferente do shoyu brasileiro.
Falando em Brasil, é Willian que toca o lado campo-grandense do negócio. Ele se apaixonou pela culinária coreana há 20 anos. O contato começou quando o filho foi matriculado em uma escola ligada à comunidade de lá.
O que era apenas uma decisão educacional acabou se transformando em convivência constante. Ao longo dos anos, Willian passou a consumir a culinária, entender hábitos e criar vínculos. Quando conheceu Paul, em um encontro religioso, a conexão se formou de maneira natural. O projeto do restaurante surgiu dessa interseção entre vivência cultural e visão de negócio.
“Antes de conhecer não comia nada de comida coreana. Na época não tinha a onda de k-pop, cultura coreana. Essas comidas que comia trouxe para o cardápio. Ele foi estabelecido em comida genuinamente coreana. No retorno da Coreia agora o Paul trouxe cumbucas e talheres de lá. As coisas são de lá, os ingredientes também. O óleo de gergelim é feito por uma coreana. O shoyu são galões de 20l que trazemos da Coreia. Todos ingredientes, tirando hortaliças e legumes, são coreanos. Os insumos principais são importados”.
A proposta nunca foi apenas abrir mais um ponto gastronômico. Willian explica o simbolismo da refeição na cultura coreana, diz que carrega um peso maior do que a brasileira. Em um país marcado por períodos de guerra e escassez, o ato de servir comida se tornou uma forma de cuidado.
“Queremos que a pessoa viva a culinária. Na Coreia servir a mesa vai além da refeição. É um momento em que as pessoas compartilham o que elas mais têm de valor na vida. Se presentear alguém com material não tem o mesmo valor que cozinhar para ele. É isso que buscamos, não só o negócio, mas uma imersão na cultura”.
Antes de resolver entrar nesse universo do restaurante, Willian viveu exclusivamente da fabricação de esquadrias de alumínio, portas e janelas para condomínios e construções verticais. Foram 20 anos nisso. Agora o empresário vai tocar os dois empreendimentos, mas alerta: foco total no restaurante.
Espaço - Willian relembra que foi 1 ano decidindo e analisando onde o sonho dele e de Paul poderia se tornar real. Depois de batido o martelo, a reforma do imóvel foi rápida no papel, cerca de 40 dias, mas complexa na execução.
Com o objetivo de trazer a Coreia para a fachada, a obra incluiu pintura completa, abertura de ambientes e remoção de divisórias para criar integração entre os espaços. A área externa foi tratada como ponto central do projeto, concentrando os principais elementos visuais ligados à proposta cultural.
O maior obstáculo, segundo ele, foi encontrar mão de obra capaz de executar detalhes inspirados na arquitetura coreana. Não se trata de um tipo de construção comum na cidade, o que exigiu adaptações e soluções improvisadas.
Mesmo com a inauguração, o projeto ainda é visto como incompleto pelos próprios sócios. A segunda etapa da obra vem depois.
E mais, não satisfeitos apenas com uma unidade, eles já sonham em expandir e criar uma segunda unidade com características ainda mais próximas das casas tradicionais coreanas, incluindo salas fechadas para reuniões, portas de papel de arroz e espaços onde os clientes possam se sentar no chão. A cena é típica nos doramas.
A previsão é de 2 anos, mas, como costuma acontecer em projetos desse tipo, o prazo depende de uma série de fatores que ainda não estão totalmente sob controle.
“A expectativa está muito boa, estamos muito felizes. O pessoal passava e perguntava quando iria abrir. Isso nos acelerou e trabalhamos de sábado e domingo para abrir logo. Estou realizado”, comenta Paul.
A casa conta com 56 lugares e a inauguração oficial deve acontecer no dia 30 de abril. O restaurante fará um soft opening, pré-inauguração, das 11h às 13h30 e no jantar das 18h às 21h30. As vagas estão todas preenchidas. O Koreia House deve receber 200 pessoas nesta sexta-feira e sábado, período de testes. Depois disso, a casa vai funcionar de segunda a sábado nos mesmos horários.
O Koreia House fica na Rua Rio Grande do Sul, 978.

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