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Lado Rural

Colheita se aproxima do fim, mas vendavais ainda ameaçam safra de milho

Restam cerca de 300 mil hectares a serem colhidos, mostra levantamento semanal da Aprosoja/MS

Por Helio de Freitas, de Dourados | 02/09/2026 09:51
Colheita se aproxima do fim, mas vendavais ainda ameaçam safra de milho
Máquina colhe milho plantado na 2ª safra do grão de Mato Grosso do Sul (Foto: Aprosoja/MS)

A colheita do milho 2ª safra já atingiu 87,2% das lavouras de Mato Grosso do Sul. Levantamento semanal da Aprosoja/MS, que representa também produtores de milho e outros grãos, mostra que até o dia 28 de agosto, 1,92 milhão de hectares já tinham sido colhidos. No total, foram plantados 2,206 milhões de hectares.

RESUMO

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A colheita do milho da 2ª safra em Mato Grosso do Sul atingiu 87,2% das lavouras, com 1,92 milhão de hectares já colhidos até 28 de agosto, segundo a Aprosoja/MS. A entidade mantém alerta para vendavais na região centro-sul, mas sem registros de prejuízos. A produção total estimada é de 11,139 milhões de toneladas, com produtividade média de 84,2 sacas por hectare.

Embora a área ainda a ser colhida represente menos de 15% das lavouras (cerca de 300 mil hectares), a Aprosoja/MS mantém alerta para eventuais prejuízos em decorrência de vendavais, especialmente na região centro-sul, onde ficam os cinco maiores produtores estaduais – Maracaju, Dourados, Sidrolândia, Ponta Porã e Rio Brilhante.

Gabriel Balta, coordenador técnico da Aprosoja/MS, informou nesta quarta-feira (2) que ainda não há registro de prejuízo nas lavouras em decorrência dos vendavais que atingiram municípios da região na segunda-feira (31).

“A colheita encontra-se em estágio avançado, alcançando aproximadamente 85% da área cultivada na região sul, que vem sendo afetada pelos vendavais observados recentemente. No entanto, seguimos monitorando os 15% restantes para verificar a ocorrência de eventuais impactos decorrentes desses ventos”, afirmou ele, em nota enviada ao Campo Grande News.

Conforme o especialista, após a completa formação das espigas, os efeitos sobre a produtividade tendem a ser limitados. “Nesses casos, o principal impacto do acamamento (tombamento) está relacionado à operação de colheita, que se torna mais lenta e complexa, exigindo a utilização de equipamentos específicos para levantar as plantas e possibilitar a retirada adequada do milho do campo.”

Colheita se aproxima do fim, mas vendavais ainda ameaçam safra de milho
Lavoura de milho nesta 2ª safra, que ocupa 2,2 milhões de hectares em MS (Foto: Aprosoja/MS)

Estágio da colheita

O boletim semanal sobre o acompanhamento da safra mostra que a região norte de Mato Grosso do Sul apresenta a colheita mais avançada, com média de 98,8% da área já colhida. Em seguida, aparece a região centro, com média de 86,3%, enquanto a região sul registra 85,6%. A porcentagem de área colhida nesta safra encontra-se inferior em 3,6 pontos percentuais em relação à 2ª safra anterior.

Segundo a Aprosoja/MS, a estimativa inicial é de produtividade média de 84,2 sacas por hectare, média observada nas últimas cinco safras. A produção total estimada é de 11,139 milhões de toneladas.

“Os resultados preliminares de produtividade obtidos ao longo da semana mantêm os elevados patamares já registrados anteriormente, evidenciando que as condições climáticas durante o ciclo da cultura favoreceram, de maneira geral, o desenvolvimento das lavouras. As produtividades observadas variam entre 40 e 192 sacas por hectare, reforçando o alto potencial produtivo da safra e sustentando as perspectivas positivas para a produção estadual”, afirma o boletim.

Escoamento

O levantamento semanal chama a atenção para a saturação observada em silos de cerealistas e cooperativas em algumas regiões de Mato Grosso do Sul, o que tem causado filas para descarga. “A recomendação é que produtores reforcem o planejamento logístico do escoamento da produção, evitando gargalos justamente no momento em que colheita e preparo de área para a nova safra acontecem em paralelo”, diz a Aprosoja/MS.

Colheita se aproxima do fim, mas vendavais ainda ameaçam safra de milho
Técnica mostra espiga de milho colhida em lavoura de Mato Grosso do Sul (Foto: Aprosoja/MS)

Transição

Conforme os técnicos do setor, Mato Grosso do Sul vive momento de transição no campo. Com a colheita do milho 2ª safra na reta final, a atenção dos produtores se volta agora para a safra de soja 2026/2027.

O Boletim Agricultura nº 676 mostra que a umidade residual do solo, combinada a pancadas de chuva isoladas registradas ao longo da semana anterior, tem favorecido a continuidade das operações de dessecação, além dos trabalhos de correção e adubação das áreas que serão destinadas à soja.

“O controle antecipado das plantas daninhas – em especial a buva – é considerado um dos pontos mais sensíveis do início de safra, já que interfere diretamente na eficiência do plantio e no potencial produtivo da lavoura”, aponta o analista técnico da Aprosoja/MS, Lucas Santana.

El Niño

O monitoramento das lavouras também traz um prognóstico sobre o comportamento do clima para os próximos meses e aponta predominância do fenômeno El Niño muito forte, com magnitude severa e probabilidade total próxima de 100%, sendo aproximadamente 7% para a categoria El Niño Forte e 93% para El Niño Muito Forte.

Nos trimestres de outubro, novembro e dezembro, a previsão indica a manutenção do El Niño em intensidade forte a muito forte, com a categoria muito forte atingindo seu pico e alcançando até 95% de probabilidade.

Entre os principais impactos esperados estão temperaturas acima da média climatológica e maior frequência de ondas de calor, com efeitos mais expressivos entre a primavera e o início do verão. “Ressalta-se, contudo, que o fenômeno atua de forma indireta sobre as condições meteorológicas e seus efeitos dependem da interação com outros sistemas atmosféricos que influenciam o clima regional”, diz o boletim da Aprosoja/MS.

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