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Lado Rural

Tempo seco acelera colheita do milho e trigo avança em MS, aponta Conab

Chuvas mantiveram umidade para o trigo, enquanto clima favoreceu secagem do milho e qualidade do algodão

Por Jhefferson Gamarra | 01/09/2026 12:38
Tempo seco acelera colheita do milho e trigo avança em MS, aponta Conab
Lavoura de trigo em fase final para a colheita (Foto: Reprodução)

O tempo seco predominante em Mato Grosso do Sul durante a maior parte de agosto favoreceu o avanço das operações agrícolas no Estado, especialmente a secagem natural e a colheita do milho de segunda safra. No trigo, a colheita segue em ritmo acelerado, mas a incidência de brusone provocou perdas de produção, principalmente nas regiões Sul e de fronteira.

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O tempo seco predominante em Mato Grosso do Sul em agosto favoreceu a colheita do milho de segunda safra e do algodão, segundo boletim da Conab. No milho, a produtividade superou estimativas iniciais, embora fique abaixo do ciclo anterior. No trigo, a colheita avançou, mas a brusone causou perdas nas regiões Sul e de fronteira. O algodão está praticamente colhido no Norte e Nordeste do Estado.

Os dados são do Boletim de Monitoramento Agrícola da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) com análise das condições das principais regiões produtoras de grãos do país entre 1º e 24 de agosto, dentro da safra 2025/2026.

Em Mato Grosso do Sul, as chuvas ocorreram de forma esparsa no período. Segundo a Conab, foram suficientes para manter a umidade do solo nas áreas de trigo que ainda estavam em fase de enchimento de grãos, sem comprometer a maturação e a colheita das lavouras mais adiantadas.

Ao mesmo tempo, o período de estiagem contribuiu para a secagem natural do milho segunda safra em campo, condição que favoreceu a retomada das operações de colheita depois de um início de agosto marcado por precipitações que retardaram a perda de umidade dos grãos.

Milho recupera ritmo de colheita - No milho de segunda safra, as chuvas registradas no início do período analisado atrasaram a redução natural da umidade dos grãos e, consequentemente, o avanço da colheita no Estado.

A mudança nas condições climáticas a partir da segunda quinzena de agosto, porém, permitiu a recuperação do ritmo das operações. A Conab aponta que as produtividades observadas nas lavouras sul-mato-grossenses estão superando as estimativas iniciais.

Apesar do resultado positivo em relação às previsões iniciais, a produtividade está um pouco abaixo da registrada no ciclo anterior.

O cenário de tempo seco também foi considerado favorável para a qualidade dos produtos agrícolas. No Centro-Oeste, de maneira geral, a ausência de chuvas mais frequentes contribuiu para a secagem do milho e para a qualidade da fibra do algodão.

Colheita do algodão está perto do fim - No algodão, as operações estão em estágios diferentes conforme a região de Mato Grosso do Sul.

De acordo com o monitoramento da Conab, a colheita está praticamente concluída nas regiões Norte e Nordeste do Estado. Nessas áreas, já é observada a destruição das soqueiras, etapa realizada após a retirada do algodão.

Na região central, entretanto, a colheita ainda estava em andamento durante o período analisado.

O clima predominantemente seco também colaborou para a qualidade da fibra do algodão, ao proporcionar condições mais adequadas para a maturação e retirada do produto do campo.

Trigo avança, mas brusone provoca perdas - O trigo é o principal ponto de atenção para Mato Grosso do Sul no levantamento. A colheita segue em ritmo acelerado e a maior parte das lavouras já havia sido colhida no período analisado.

Apesar do avanço das operações, a Conab registrou perdas de produção provocadas pela alta incidência de brusone, especialmente nas regiões Sul e de fronteira do Estado.

A doença atingiu uma parcela significativa das lavouras, mas houve também resultados satisfatórios em materiais com maior tolerância à brusone.

As chuvas esparsas registradas no Estado tiveram papel diferente conforme o estágio das lavouras. Nas áreas em enchimento de grãos, a umidade disponível no solo foi suficiente para a continuidade do desenvolvimento. Já nas áreas mais adiantadas, o clima não impediu a maturação nem a colheita.

Cenário nacional - O levantamento da Conab mostra que os maiores volumes de chuva entre 1º e 24 de agosto ficaram concentrados no noroeste da Região Norte, no litoral leste do Nordeste e na Região Sul. Nas demais áreas do país, predominou o tempo seco.

Esse cenário beneficiou a maturação e a colheita do algodão e do milho de segunda safra, além de contribuir para a qualidade dos produtos.

No Centro-Oeste e no Sudeste, as condições meteorológicas foram consideradas favoráveis para a agricultura. Em Mato Grosso do Sul e São Paulo, as chuvas pontuais garantiram umidade suficiente para as lavouras de trigo que ainda estavam em enchimento de grãos, enquanto não prejudicaram as áreas já em maturação e colheita.

Nas principais regiões produtoras de trigo do país, os dados espectrais monitorados pela Conab continuam indicando condições favoráveis de desenvolvimento. Entre julho e agosto, o índice da safra atual permaneceu acima do registrado na safra anterior e da média histórica na maior parte dos períodos analisados.

No Sul, porém, o excesso de umidade e a quantidade de dias nublados podem ter provocado danos pontuais às lavouras de inverno. No Rio Grande do Sul, as condições recentes também favoreceram o desenvolvimento de doenças, aumentando a necessidade de monitoramento fitossanitário. Em Santa Catarina, as lavouras apresentam, de modo geral, boas condições, enquanto no Paraná o trigo está mais adiantado e predominantemente em boas condições.

Para Mato Grosso do Sul, o boletim evidencia um cenário marcado pela aceleração da colheita do milho e do trigo e pela conclusão do algodão em parte do Estado, com a brusone como principal fator de perda entre os cultivos monitorados.