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Economia

Indústria respira em julho, mas ainda dá sinais de fraqueza

Alta mensal interrompe duas quedas consecutivas, porém setor ainda produz menos que em julho de 2025

Por José Cândido | 02/09/2026 08:55
Indústria respira em julho, mas ainda dá sinais de fraqueza
Indústria ensaia reação, mas desempenho fraco dos investimentos impede retomada mais consistente. (Foto arquivo)

A indústria brasileira interrompeu dois meses consecutivos de queda, mas ainda está longe de apresentar uma recuperação consistente. A produção avançou 0,2% em julho na comparação com junho, segundo o IBGE. O resultado positivo veio acompanhado de sinais de fraqueza: diante de julho de 2025, houve retração de 0,5%, enquanto a média móvel trimestral caiu 0,8%.

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A indústria brasileira avançou 0,2% em julho ante junho, interrompendo dois meses de queda, segundo o IBGE. No entanto, a produção caiu 0,5% em relação a julho de 2025 e recuou 0,8% na média trimestral. No acumulado do ano, o crescimento é de 1,1%. O setor de bens de capital acumula queda de 4,9% em 2026, com máquinas agrícolas caindo 20,7%, o que preocupa estados dependentes do agronegócio.

No acumulado dos sete primeiros meses de 2026, a produção industrial cresceu 1,1%. Em 12 meses, o avanço é ainda mais modesto, de 0,6%. Os números mostram uma indústria praticamente andando de lado, com crescimento insuficiente para indicar uma retomada mais firme da atividade.

Na passagem de junho para julho, 13 dos 25 ramos pesquisados aumentaram a produção. O principal impulso veio da fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, que cresceu 12,2%. Também contribuíram os setores de alimentos, com alta de 1%, e de derivados de petróleo e biocombustíveis, com 1,1%.

Os três segmentos haviam acumulado perdas nos dois meses anteriores. Também tiveram desempenho positivo a fabricação de outros equipamentos de transporte, produtos do fumo, máquinas e materiais elétricos e artigos de vestuário.

Na outra ponta, as indústrias extrativas recuaram 1% e exerceram a maior pressão negativa sobre o resultado de julho. Foi a terceira queda consecutiva do setor, que acumulou perda de 4,1% no período. Impressão e reprodução de gravações, produtos diversos, metalurgia, produtos químicos e celulose também registraram redução da atividade.

Entre as grandes categorias econômicas, os bens de consumo duráveis tiveram o melhor desempenho mensal, com crescimento de 3,2%. A produção de bens de capital, que reúne máquinas e equipamentos utilizados para ampliar a capacidade produtiva, avançou 2,4%. Os bens de consumo semi e não duráveis cresceram 0,5%, enquanto os bens intermediários recuaram 0,2%.

A comparação com julho do ano passado, porém, revela um cenário menos favorável. A produção caiu em 12 dos 25 ramos pesquisados e em 52% dos 789 produtos acompanhados pelo IBGE. Os maiores impactos negativos vieram dos produtos químicos, com queda de 6,9%; dos alimentos, com retração de 2,6%; e dos produtos farmacêuticos, que recuaram 13,7%.

Também diminuíram a fabricação de máquinas e equipamentos, roupas, produtos têxteis, móveis e artigos de borracha e plástico. Em sentido contrário, a indústria automobilística cresceu 7,6%, enquanto as atividades extrativas avançaram 2,5%.

Os bens de consumo duráveis registraram alta de 4,6% diante de julho de 2025, impulsionados principalmente pela fabricação de motocicletas, que cresceu 32%, e de eletrodomésticos da linha branca, com avanço de 14,8%. A produção de automóveis aumentou 3,6%.

O ponto de maior preocupação está nos bens de capital. Mesmo com o crescimento registrado de junho para julho, o segmento acumula queda de 4,9% no ano. A produção de máquinas e equipamentos destinados à agropecuária despencou 20,7% nos sete primeiros meses de 2026.

A redução alcança máquinas para colheita, tratores, silos metálicos e outros equipamentos utilizados na produção rural. O dado tem peso especial para estados dependentes do agronegócio, como Mato Grosso do Sul, porque a queda pode refletir menor disposição dos produtores para investir na ampliação e modernização das atividades.

O resultado de julho, portanto, interrompeu a sequência de perdas, mas não afastou as dúvidas sobre o ritmo da economia. A indústria voltou a crescer na comparação mensal, enquanto continua produzindo menos que há um ano e reduzindo justamente os bens que ajudam a sustentar investimentos futuros. É uma reação, mas ainda não uma retomada.