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Lado Rural

Entidades de MS pedem alteração no período de cultivo da soja

Proposta antecipa plantio para setembro e muda datas do vazio sanitário

Por Gustavo Bonotto | 08/06/2026 20:51
Entidades de MS pedem alteração no período de cultivo da soja
Maquinário faz a colheita da soja em propriedade sul-mato-grossense. (Foto: Arquivo/Aprosoja)

O plantio de soja em território sul-mato-grossense pode mudar de acordo com o pedido apresentado pela Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul) à Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).

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Aprosoja e Sistema Famasul solicitaram à Semadesc a revisão do calendário fitossanitário da soja em Mato Grosso do Sul, propondo antecipar a semeadura para 1º de setembro e ajustar o vazio sanitário para o período de 1º de junho a 31 de agosto, mantendo os 90 dias obrigatórios sem plantas vivas. A proposta tem respaldo técnico da Embrapa, Fundação MS e Fundação Chapadão.

Junto ao Sistema Famasul, a entidade solicitou nesta segunda-feira (8) a revisão do calendário fitossanitário da cultura em Mato Grosso do Sul, com a antecipação da abertura da semeadura para 1º de setembro e a readequação do vazio sanitário.

A proposta prevê que os produtores possam plantar soja entre 1º de setembro e 15 de dezembro. Em contrapartida, o período do vazio sanitário passaria de 1º de junho a 31 de agosto. Segundo as entidades, a alteração mantém os 90 dias obrigatórios sem plantas vivas de soja no campo, medida considerada fundamental para o controle de doenças.

Para o presidente do Sistema Famasul, Marcelo Bertoni, a revisão atende uma demanda do setor sem comprometer a segurança fitossanitária. "Nosso objetivo é garantir que os produtores tenham melhores condições de semeadura, respeitando os critérios fitossanitários e fortalecendo a competitividade da sojicultura sul-mato-grossense", afirmou.

Hoje, o vazio sanitário ocorre entre 15 de junho e 15 de setembro. A janela oficial para o plantio começa em 16 de setembro e segue até 31 de dezembro.

A solicitação foi encaminhada ao governo estadual com o argumento de que a legislação precisa acompanhar as transformações registradas na agricultura nos últimos anos. O setor produtivo afirma que a evolução genética das cultivares, o avanço das técnicas de manejo e o aumento da tecnificação das propriedades criaram condições para uma atualização das regras sem comprometer a prevenção de pragas e doenças.

O presidente da Aprosoja, Jorge Michelc, defende que a mudança acompanha a realidade atual do campo. "A agricultura evoluiu muito nos últimos vinte anos. Hoje temos cultivares mais precoces, maior eficiência no manejo e produtores altamente tecnificados. O que estamos propondo é uma atualização necessária da legislação, para que ela acompanhe a dinâmica do campo sem comprometer a segurança fitossanitária", declarou.

Outro ponto defendido pelas entidades envolve o planejamento da segunda safra de milho. Conforme a justificativa apresentada, a antecipação da semeadura da soja permitiria posicionar melhor o cultivo do cereal em uma janela climática mais favorável, reduzindo riscos e ampliando as chances de produtividade.

A proposta também busca unificar as datas adotadas em diferentes regiões do Estado. Segundo a Aprosoja e a Famasul, divergências nos períodos de plantio e de vazio sanitário podem favorecer a formação das chamadas "pontes verdes", condição que permite a sobrevivência e a migração de pragas e doenças entre áreas produtoras.

Os argumentos apresentados pelas entidades contam com pareceres técnicos da Embrapa Agropecuária Oeste, da Fundação MS e da Fundação Chapadão. As instituições avaliam que a manutenção dos 90 dias de vazio sanitário e o encerramento do plantio em meados de dezembro preservam as condições necessárias para o controle fitossanitário da cultura.

Os estudos também apontam que a atualização do calendário pode contribuir para o manejo da ferrugem-asiática e para o controle de plantas voluntárias de soja.

Apesar do posicionamento favorável, os pesquisadores destacam que eventual mudança não elimina a necessidade de seguir o ZARC (Zoneamento Agrícola de Risco Climático). Dessa forma, a decisão sobre a melhor data para iniciar o plantio continuará dependendo das características de cada propriedade, como tipo de solo, disponibilidade de umidade, ciclo das cultivares e condições climáticas.