Entre florestas e lavouras, amendoim marca nova vocação produtiva de Ribas
Município mantém liderança na celulose, mas aposta na diversificação para crescer com equilíbrio

Ribas do Rio Pardo já não cabe mais em um único rótulo. Conhecida como símbolo da força da celulose em Mato Grosso do Sul, a cidade agora começa a desenhar um novo capítulo: o da diversificação produtiva. No coração do chamado Vale da Celulose, o município mantém o protagonismo na silvicultura, mas abre espaço para novas culturas que sinalizam um campo mais dinâmico e resiliente.
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Com mais de 460 mil hectares de florestas plantadas, Ribas lidera a expansão do setor no Brasil e consolida um modelo que combina escala, tecnologia e sustentabilidade. Ao mesmo tempo, o avanço de culturas como citricultura e amendoim mostra que o município começa a diversificar sua base econômica sem abrir mão da vocação florestal.
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A transformação foi destacada durante a ExpoRibas 2026, evento que reúne produtores, especialistas e autoridades em torno do futuro do agronegócio regional. Na abertura, o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, reforçou que Mato Grosso do Sul vive uma mudança estrutural no campo, marcada pela conversão de áreas de pastagens em sistemas produtivos mais eficientes.
Esse movimento, segundo ele, alia crescimento econômico à preservação ambiental — um dos pilares do modelo sul-mato-grossense, que mantém cerca de 38% do território com vegetação nativa.
O motor dessa transformação tem sido o setor florestal. Em pouco mais de uma década, a área de florestas plantadas no Estado saltou de 341 mil hectares para cerca de 1,9 milhão, um crescimento de 565%. Hoje, Mato Grosso do Sul concentra a maior parte da expansão nacional do eucalipto e ocupa posição estratégica na cadeia da celulose.
Em Ribas, esse avanço se traduz em escala industrial. O município abriga a maior fábrica de celulose em linha única do mundo, integrando um corredor produtivo que inclui cidades como Três Lagoas, Água Clara, Brasilândia e Inocência. A cadeia florestal, espalhada por mais de 18 municípios, já gera mais de 30 mil empregos diretos e indiretos e responde por quase 18% do PIB industrial do Estado.
Além da produção, o setor também se destaca pela autossuficiência energética, com geração superior a 780 megawatts de energia limpa — um indicativo de que o crescimento vem acompanhado de inovação e compromisso ambiental.
Mas o novo momento vai além dos números. A aposta em sistemas integrados, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), e o uso de ferramentas tecnológicas, como o MS Agrodata, mostram que o Estado busca eficiência e rastreabilidade em toda a cadeia produtiva.
O cenário, no entanto, ainda impõe desafios. Logística, qualificação de mão de obra, inovação tecnológica e gestão hídrica seguem no radar, exigindo planejamento contínuo e diálogo entre governo e setor produtivo.
Mesmo assim, Ribas do Rio Pardo já se consolida como vitrine de um novo modelo de desenvolvimento: aquele que cresce, diversifica e preserva ao mesmo tempo. Um retrato de como o interior de Mato Grosso do Sul deixou de ser apenas área de produção para se tornar território estratégico de inovação no campo.

