MS pode virar semestre com 50% da safra 2025/2026 de soja em estoque
Câmbio, cotação internacional, frete e produção dos EUA estão segurando as vendas

Mato Grosso do Sul pode atravessar o primeiro semestre com volume próximo de 50% da safra 2025/2026 de soja ainda à espera de negociação, cenário inédito no estado. A comercialização está “represada”, com vendas em torno de 45% do total, sete pontos percentuais abaixo do registrado na temporada passada.
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Mato Grosso do Sul pode encerrar o primeiro semestre com cerca de 50% da safra 2025/2026 de soja sem negociação, cenário inédito no estado. As vendas estão em torno de 45% do total, sete pontos abaixo da temporada anterior. Câmbio baixo, cotações em Chicago abaixo de US$ 12 o bushel, tabela de frete e a safra americana travam as vendas, segundo a Granos Corretora.
A safra 2025/2026 já está com mais de 97% da produção colhida no estado, de acordo com o relatório mais recente do SIGA (Sistema de Informação do Agronegócio de Mato Grosso do Sul).
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Segundo análise do diretor da Granos Corretora, Carlos Ronaldo Davalo, vários fatores influenciam a decisão do produtor de não vender o grão neste momento.
“Temos a questão do câmbio mais baixo, que exerce pressão negativa nos preços. Há também leve viés de baixa na Bolsa de Chicago, principal termômetro internacional, com cotações abaixo de US$ 12 o bushel, a criação da tabela do frete pelo governo federal, que reflete diretamente na liquidez do produtor, e ainda a expectativa da definição da nova safra americana, cuja última estimativa é de 114 milhões de toneladas.”
Davalo avalia que o panorama atual não deve mudar no curto prazo, mas aponta alguns fatores que podem acelerar o ritmo de vendas da produção sul-mato-grossense.
“Além da expectativa da soja americana, temos a questão da guerra no Oriente Médio, entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. De um lado, há efeito sobre os combustíveis fósseis, com restrição de oferta, o que encarece o produto no mundo todo e pode impactar a logística da safra de milho no Brasil. Do outro, há a questão dos biocombustíveis como alternativa, o que cria expectativa de maior demanda mundial por soja e milho e também sobre o que os Estados Unidos vão fazer. Se a guerra continuar, o produtor norte-americano também pode aumentar sua produção razoavelmente.”
Ele comenta que as vendas represadas podem provocar, no segundo semestre, o chamado efeito manada, em que todos saem para negociar ao mesmo tempo.
O diretor da corretora lembra, entretanto, que algumas situações conferem estabilidade ao produtor neste momento para segurar as vendas. A estocagem da produção, que pode atravessar o semestre, foi equacionada com estruturas como os silos-bolsa (bag), enquanto a grande demanda interna por milho pode garantir a liquidez necessária aos agricultores.
“Da safra de milho, que tem cenário de 14,2 milhões de toneladas, cerca de 7,5 milhões de toneladas são absorvidas pela demanda do estado. Isso contribui para a liquidez do produtor e pode injetar o dinheiro que ele precisa neste momento”, comenta.

