ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JUNHO, SEXTA  26    CAMPO GRANDE 24º

Lado Rural

MS quadruplica área de cana em 20 anos e consolida nova fronteira da bioenergia

Estado saltou da 8ª para a 4ª posição nacional e agora aposta em pesquisa para sustentar novo ciclo

Por Anderson Viegas | 26/06/2026 11:38
MS quadruplica área de cana em 20 anos e consolida nova fronteira da bioenergia
Em duas décadas, estado saltou da oitava para a quarta posição entre os principais produtores de cana-de-açúcar do pais (Foto: Anderson Viegas)

Em duas décadas, Mato Grosso do Sul deixou de ser um coadjuvante para se tornar uma das principais potências da cana-de-açúcar no Brasil. Entre as safras 2006/2007 e 2026/2027, a área cultivada passou de 160 mil para 737,3 mil hectares, um salto de 577,3 mil hectares, equivalente a 360,8%, segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Em duas décadas, Mato Grosso do Sul saltou da oitava para a quarta posição no ranking nacional de produção de cana-de-açúcar, com área cultivada passando de 160 mil para 737,3 mil hectares. O setor gera 33 mil empregos diretos e movimenta R$ 1,3 bilhão em massa salarial. Para ampliar a produtividade, foi criado em 2024 o Centro Experimental e Pesquisa Agrothina, em Angélica, reunindo mais de 90 empresas parceiras em pesquisas aplicadas ao cultivo local.

O avanço levou o Estado da oitava para a quarta posição no ranking nacional de área cultivada com cana-de-açúcar, ultrapassando Paraná, Mato Grosso, Pernambuco e Alagoas. Hoje, Mato Grosso do Sul fica atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Goiás, consolidando-se como uma das principais regiões produtoras de matéria-prima para etanol, açúcar e bioeletricidade.

A expansão acompanha o crescimento da indústria de bioenergia no Estado. Segundo a Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul), atualmente existem 22 plantas industriais em operação, das quais 19 utilizam a cana-de-açúcar como matéria-prima. O setor está presente em 42 municípios, gera cerca de 33 mil empregos diretos e movimenta mais de R$ 1,3 bilhão em massa salarial, um dos maiores volumes entre os segmentos industriais sul-mato-grossenses.

Agora, após um ciclo marcado pela expansão da área plantada e da capacidade industrial, o desafio passa a ser aumentar a produtividade. Para isso, o setor aposta na geração de conhecimento técnico desenvolvido nas condições locais de solo e clima.

Foi nesse contexto que nasceu, em 2024, o CEPA (Centro Experimental e Pesquisa Agrothina), instalado em Angélica. A instituição reúne mais de 90 empresas parceiras em uma plataforma voltada ao desenvolvimento e à validação de tecnologias para a canavicultura, com experimentos em nutrição de solo, fertilizantes, produtos biológicos, manejo de canaviais e agricultura de precisão.

"O CEPA nasceu de uma necessidade concreta do setor em Mato Grosso do Sul. Não tínhamos um espaço dedicado exclusivamente à pesquisa aplicada em cana-de-açúcar, onde empresas, pesquisadores e produtores pudessem trabalhar juntos sobre o mesmo solo, nas mesmas condições reais. Isso faz toda a diferença para a tomada de decisão técnica", afirma o engenheiro agrônomo Thiago Veloso, especialista em cana-de-açúcar e diretor-fundador da instituição.

Para a Biosul, a capacidade de gerar conhecimento técnico nas condições locais tornou-se um ativo estratégico para manter a competitividade do setor. "O aumento da produtividade é fundamental para a competitividade das usinas de bioenergia em Mato Grosso do Sul. Com condições climáticas cada vez mais imprevisíveis e desafiadoras, é preciso fortalecer a geração de conhecimento técnico e aprimorar as práticas de manejo com soluções adaptadas à realidade de solo, clima e produção do Estado. É justamente nesse contexto que iniciativas como essa ganham relevância, ao aproximar pesquisa, inovação e produção para gerar conhecimento aplicado e contribuir para decisões mais assertivas e para a evolução contínua dos sistemas produtivos", afirma o diretor técnico da Biosul, Érico Paredes.

 Na avaliação de Juvandir Pereira de Sá, diretor-fundador do CEPA, a velocidade de expansão do setor tornou indispensável a produção de conhecimento técnico regional. "O setor cresceu muito rápido em Mato Grosso do Sul. A área plantada aumentou, as usinas se modernizaram e o volume de investimentos é expressivo. Mas o crescimento sem pesquisa agronômica local tem um limite. O CEPA existe para eliminar esse gargalo e permitir que produtores e gestores de usinas tomem decisões com base em dados gerados aqui, no nosso clima, no nosso solo e na nossa realidade."

Validação em campo

MS quadruplica área de cana em 20 anos e consolida nova fronteira da bioenergia
Campos experimentais na sede do CEPA, em Angélica (Foto: CEPA/Divulgação)

O centro funciona como uma plataforma de validação científica para o setor. As empresas instalam experimentos nos campos da Fazenda Maritaca, onde desenvolvem pesquisas com cultivares, fertilizantes, biológicos, correção de solo e manejo de canaviais. Ao final de cada safra, os resultados são avaliados e apresentados ao mercado.

O modelo reúne fabricantes de fertilizantes, empresas de agricultura de precisão, desenvolvedores de soluções biológicas e fornecedores de insumos em um mesmo ambiente experimental, permitindo comparações técnicas entre diferentes tecnologias e acelerando sua adoção pelo setor produtivo.

Além da pesquisa aplicada, o CEPA investe na formação de profissionais. A instituição recebe estudantes de escolas agrícolas e universidades para visitas técnicas e atividades práticas voltadas à cadeia da cana-de-açúcar.

Uma vez por ano, o centro promove um encontro técnico que reúne especialistas, pesquisadores, agrônomos e gestores de usinas de todo o País. A primeira edição, realizada em 2025, reuniu mais de 1,2 mil participantes. A edição de 2026 ocorrerá nos dias 24 e 25 de novembro e contará com mais de 90 campos experimentais.