Pequenos produtores ganham espaço nas cestas destinadas a indígenas em MS
Ministro do Desenvolvimento Social participou de entrega simbólica da primeira leva, em Campo Grande

Em Campo Grande nesta terça-feira (1º), o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome do Brasil, Wellington Dias, participou da apresentação das primeiras cestas básicas contendo produtos da agricultura familiar e de cooperativas que serão destinadas a 6.188 famílias indígenas em situação de vulnerabilidade em Mato Grosso do Sul.
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Os alimentos estão armazenados no galpão da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), no núcleo industrial da Capital. Participaram também do evento outros representantes do Ministério, além de caciques e pequenos agricultores.
A entrega de cestas básicas pelo Governo Federal não é novidade. No Estado, elas abastecem as comunidades indígenas mais vulneráveis, como as localizadas em áreas de retomada de territórios.
A diferença é que os fornecedores passaram a ser produtores de porte menor em vez dos médios e grandes produtores, antes selecionados por leilões. Agora, a plataforma Contrata+ Brasil facilita as vendas e compras, alcançando quem não conseguia participar dos grandes certames.
"Estamos comemorando a plataforma Contrata+ Brasil. A gente compra para situações de secas, enchente, incêndios, de anormalidades as cesta de alimentos, aquelas que chegam na hora em que a pessoa não tem o que comer. E que tal encontrar um caminho para comprar dos pequenos? É isso que a plataforma está inaugurando", declarou o ministro.
A medida atende "a duas pontas" que o governo quer beneficiar, como destacaram os representantes do Ministério: indígenas e pequenos agricultores. "Hoje estamos inaugurando esse 'casamento'. A plataforma está garantindo as condições de, com essa compra dos pequenos, abrir um novo mercado", finalizou Dias.

As cestas serão entregues a aproximadamente 130 comunidades localizadas em cerca de 30 municípios sul-mato-grossenses.
Um terço das compras feitas pelo Ministério atende Mato Grosso do Sul. É o Estado mais beneficiado, ainda segundo a pasta. As famílias mais necessitadas são identificadas em parceria com outros órgãos.
"Nosso Ministério tem essa obrigação de fornecer alimentos em muitas situações de insegurança alimentar apontadas principalmente pelos órgãos parceiros como a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), o Ministério dos Povos Indígenas, Ministério da Igualdade Racial e o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), muitas vezes. Eles identificam situações de violação do direito à alimentação humana, alimentação adequada", detalhou a secretária nacional de segurança alimentar e nutricional, Lilian dos Santos Rahal.
Diretamente de MS - Arnoldo de Campos, diretor de operações e abastecimento da Conab, destacou quatro itens das cestas que foram produzidos no Estado. São eles o charque, o macarrão, o óleo de soja e a erva-mate para tereré.

"Em vez de fazer um edital e comprar das grandes empresas, nós compramos da agricultura familiar e vamos atender uma determinação da Justiça, que é garantir o direito à alimentação de populações indígenas aqui em Mato Grosso do Sul que estão em situação de insegurança alimentar", reforçou.
O óleo foi preparado em Mato Grosso do Sul em parceria com a empresa Coamo para processar e refinar, conta o presidente da Cooperafi (Cooperativa dos Agricultores Familiares do Itamaraty), Ataides Armbrust. "Hoje a gente tem as unidade de recebimento de grãos da antiga fazenda Itamaraty. A nossa linha é recebimento de soja, milho, arroz e feijão. Entrou o nosso óleo aí, a gente tem uma parceria por não termos indústria própria para processar e refinar", descreve. A Cooperafi é formada por 81 famílias cooperadas.
O cacique Tico lipú, da aldeia urbana de Aquidauana, contou que a comunidade é formada por 70 famílias. Elas recebem as cestas básicas há cinco anos.
"Isso tem uma grande importância porque a gente que vive no contexto urbano, não temos nossa lavoura, não temos terra para plantar, nos ajuda muito a manter famílias com pessoas em busca de serviço que estão numa área confinada", pontuou.
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