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Cidades

Dólares e arsenal mostram poderio financeiro de grupo alvo da Operação Ifrit

Organização familiar sediada na fronteira com o Paraguai movimentou mais de R$ 500 milhões em 2 anos

Por Marta Ferreira de Jesus | 04/11/2026 17:36

Entre as imagens da operação que foi às ruas nesta quarta-feira (4) para caçar investigados por envolvimento com mais um clã familiar ligado ao narcotráfico em Mato Grosso do Sul, uma chama bastante atenção. No meio das fotos e vídeos de armas, veículos, celulares, e da movimentação de policiais, vê-se um pacote de cinco maços de notas de cem dólares, o valor mais alto na moeda dos Estados Unidos.

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A Operação Ifrit, da Polícia Federal e da Receita Federal, mirou nesta quarta-feira (4) uma organização criminosa liderada por três irmãos da família Haidar, com atuação entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Imagens mostram maços de dólares, notas de R$ 200 e ao menos dez armas, entre fuzis e pistolas. O grupo movimentou mais de R$ 500 milhões em dois anos e contava com três policiais civis e um policial rodoviário federal. Foram cumpridos 102 mandados em sete estados, com bloqueio de até R$ 300 milhões.

Para não cometer imprecisão, a reportagem não vai arriscar o valor numa conta pela aparência. Basta anotar que cada nota de cem dólares equivale a R$ 545, considerando a cotação desta quarta-feira para saber que é um valor alto. Essa imagem, além de se destacar, simboliza o poderio financeiro da organização criminosa alvo da Operação Ifrit, desenvolvida pela PF (Polícia Federal) e pela Receita Federal.

Dólares e arsenal mostram poderio financeiro de grupo alvo da Operação Ifrit
Bolo de notas de cem dólares apreendidas pela Operação Ifrit (Foto: Divulgação)

Em outra cena do trabalho policial, no vídeo que abre esse texto, um agente aparece sentado, contando notas de R$ 200,00, a de maior valor no Brasil e que muita gente nem conhece.

Em dois anos, conforme divulgado pela Receita Federal, a investigação identificou movimentação superior a meio bilhão de reais pelo grupo. O dinheiro circulava por contas bancárias de investigados, empresas de fachada e operações comerciais fictícias, usadas para dificultar o rastreamento dos recursos.

Arsenal - Para movimentar tanto dinheiro com a comercialização de drogas, o grupo mantinha também um poderio bélico relevante, pronto para defender os chefes da quadrilha.

Registros do arsenal apreendido, feitos pelos agentes públicos, mostram pelo menos dez armas de diferentes tipos, entre fuzis, pistolas e revólveres, além de carregadores e uma grande quantidade de munições.

Entre as armas longas, destaca-se um modelo da plataforma AR-15, utilizada em diferentes versões por forças públicas de segurança.  O armamento de menor porte também é expressivo. Pelo menos quatro pistolas e um revólver aparecem nas fotos divulgadas. Uma das armas é dourada.

A quantidade de munições reforça a dimensão do arsenal. Em um dos locais de busca, sobre uma mesa, estão espalhados cartuchos de diferentes tamanhos, formatos e calibres.

Ainda não foi divulgado o balanço completo das apreensões pelas autoridades.

Dólares e arsenal mostram poderio financeiro de grupo alvo da Operação Ifrit
Arma dourada apreendida pela Polícia Federal durante a operação (Foto: Divulgação)

Operação Ifrit – A ofensiva desta quarta-feira teve como alvo uma organização criminosa comandada por três irmãos e outros integrantes da mesma família, de sobrenome Haidar, com atuação principalmente na fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, no Paraguai. O grupo atuava desde pelo menos 2018 na comercialização de drogas e armas, com distribuição em diferentes regiões brasileiras e envio de carregamentos para a Europa.

A investigação também identificou a participação de 3 policiais civis de Mato Grosso do Sul, entre eles um delegado, e de um policial rodoviário federal de Mato Grosso. Segundo a apuração, os agentes recebiam dinheiro e bens para fornecer informações sigilosas, monitorar rivais, antecipar operações e dificultar investigações. A organização também utilizava drones, veículos blindados e estruturas semelhantes a bunkers para proteger suas lideranças.

A operação cumpriu ordens judiciais em sete estados, com 25 mandados de prisão preventiva, um de prisão temporária e 76 de busca e apreensão. A Justiça também determinou medidas sobre imóveis, veículos e outros bens ligados aos investigados, além do bloqueio de até R$ 300 milhões em contas de pessoas e empresas.

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