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Meio Ambiente

Brigadas indígenas e comunitárias de 3 Estados fazem treinamento no Pantanal

Atividade testou a queima prescrita e promoveu troca de experiências sobre manejo integrado do fogo

Por Inara Silva | 25/06/2026 13:10
Brigadas indígenas e comunitárias de 3 Estados fazem treinamento no Pantanal
Brigadistas durante treinamento na Baía Negra, no Pantanal (Foto: Henrique Arakaki)

Representantes de 10 brigadas indígenas e comunitárias de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Roraima participaram de uma atividade prática de queima prescrita na APA (Área de Proteção Ambiental) Baía Negra, em Ladário, no Pantanal. O treinamento reuniu ainda pesquisadores brasileiros e portugueses, bombeiros e gestores ambientais, totalizando 68 participantes.

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Brigadas indígenas e comunitárias de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Roraima participaram de treinamento de queima prescrita na APA Baía Negra, no Pantanal. O evento reuniu 68 participantes, incluindo pesquisadores brasileiros e portugueses, bombeiros e gestores ambientais. A ação integrou o projeto Vidas e Vozes Kadiwéu, do Instituto Terra Brasilis, em parceria com a Petrobras.

A ação integrou a segunda edição dos Dias de Campo: Resgate do Uso Tradicional do Fogo no Pantanal, promovida pelo Instituto Terra Brasilis por meio do projeto Vidas e Vozes Kadiwéu, em parceria com a Petrobras, dentro do Programa Petrobras Socioambiental.

A escolha da APA Baía Negra ocorreu por reunir características e desafios encontrados em diferentes áreas do Pantanal. A unidade recebe visitantes, pescadores e moradores ao longo do ano, o que exige ações contínuas de prevenção a incêndios.

Para o treinamento, foram preparadas quatro parcelas que somam cerca de cinco hectares. Duas áreas foram destinadas à aplicação do fogo. Em uma delas, aproximadamente metade da vegetação queimou. Na outra, a umidade presente no capim impediu a propagação das chamas.

Segundo o diretor-executivo do Instituto Terra Brasilis e idealizador do evento, Reinaldo Lourival, a atividade permitiu demonstrar, na prática, um dos princípios do manejo integrado do fogo que é compreender em quais condições a ferramenta pode ser utilizada com segurança e quando fatores ambientais impedem seu avanço.

Brigadas indígenas e comunitárias de 3 Estados fazem treinamento no Pantanal
Brigadistas indígenas e comunitários durante treinamento no Pantanal (Foto: Henrique Arakaki)

De acordo com a coordenadora do projeto Vidas e Vozes Kadiwéu, Angélica Guerra, um dos principais resultados do encontro foi a integração entre diferentes segmentos envolvidos na prevenção e combate aos incêndios. Ela destacou que a programação buscou reunir brigadistas indígenas e comunitários, pesquisadores, bombeiros e gestores públicos para compartilhar experiências e adaptar ao Pantanal metodologias internacionais de treinamento.

Presidente da APA Baía Negra e chefe da brigada comunitária local, Virgínia Paz afirmou que a capacitação fortalece a preparação dos brigadistas e amplia a compreensão da população sobre a importância da queima prescrita. Ela ressaltou que parte do trabalho da brigada ocorre fora dos períodos críticos de incêndio, com orientações voltadas ao uso responsável do fogo em uma área que também recebe atividades de lazer e pesca.

Além das atividades de campo, os participantes debateram os avanços e os desafios do manejo integrado do fogo durante o encontro realizado, em Corumbá e Ladário. Entre os resultados apontados estão a redução de focos de incêndio em diferentes regiões do Pantanal, a criação de brigadas comunitárias, o fortalecimento da educação ambiental e a ampliação do diálogo com moradores.

Por outro lado, os brigadistas relataram dificuldades que ainda afetam as ações de prevenção e combate, como a chegada tardia de equipamentos, limitações de apoio logístico e obstáculos de acesso a determinadas áreas.

Outro tema discutido foi a participação feminina nas brigadas. Integrante da brigada Taunay-Ipegue, de Aquidauana, Neudines Félix defendeu a ampliação das oportunidades para mulheres no manejo integrado do fogo. Segundo ela, a presença feminina ainda é reduzida, apesar da capacidade técnica e do potencial de contribuição das brigadistas para as ações de prevenção e combate aos incêndios.

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