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Meio Ambiente

Canindé com vermelha cria a arara híbrida e "nova espécie" já preocupa

Por Viviane Oliveira | 05/10/2015 16:21
Casal de araras com filhote híbrido. (Foto: Vinicius Santana/Instituto Arara Azul)
Casal de araras com filhote híbrido. (Foto: Vinicius Santana/Instituto Arara Azul)

As araras hibridas, resultado do cruzamento da espécie vermelha com a canindé, embelezam o céu de Campo Grande, mas os especialistas da área estão preocupados com a situação. Isso, porque a mistura acontece, pelo menos na maioria das vezes, com intervenção do homem em cativeiro.

Porém na Capital, a cruza das araras de espécies diferentes agora está ocorrendo na natureza. O primeiro registro de arara hibrida foi há quase cinco anos em um ninho na rotatória da Avenida Interlagos, de acordo com a presidente do Instituto Arara Azul, Neiva Guedes.

Hoje, são pelo menos oito araras adultas e quatro filhotes híbridos que são monitoradas e acompanhadas pelos pesquisadores. “Elas são lindas, mas podemos dizer que se trata de uma aberração”, diz a professora e pesquisadora do programa de pós-graduação de meio ambiente da Uniderp.

A especialista explica que hoje há três espécies em Mato Grosso do Sul. São elas, a azul, vermelha, canindé e a hibrida. “Não é bom para a natureza, não sabemos o que isso pode gerar no futuro”, destaca. Ela acrescenta que o assunto é bastante polêmico entre os especialistas em Biologia.

Conforme o biólogo Edson Diniz, o filhote de uma cruza hibrida pode se reproduzir, mas ainda não se sabe se o filhote dele consegue fazer o mesmo, ou seja, a hibridização reduz a fertilidade. “A variação que acontece com eles é muito grande, inclusive, de acompanhamento e comportamento com os filhotes”, afirma.

Segundo Neiva, no total, hoje vivem na cidade cerca de 400 araras e há registro também das araras azuis na Cidade Morena, que antes eram encontradas apenas no Pantanal. “As araras estão na cidade porque existe ambiente para elas. E se é bom para elas, melhor ainda para a população que tem uma cidade bem arborizada, com árvores frutíferas variadas dando suporte à biodiversidade”.

O que cada espécie come e a migração das araras vermelhas é um dos interesses do fotógrafo Vinícius Santana. Ele mantém no Facebook a página Grupo Araras de Campo Grande, com 2.541 seguidores. Vinícius fez vários registros de araras hibridas na cidade.

Hoje, são pelo menos oito araras adultas e quatro filhotes híbridos que são monitoradas e acompanhadas pelos pesquisadores.(Foto: Vinicius Santana/Instituto Arara Azul)
Hoje, são pelo menos oito araras adultas e quatro filhotes híbridos que são monitoradas e acompanhadas pelos pesquisadores.(Foto: Vinicius Santana/Instituto Arara Azul)
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