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Meio Ambiente

Cidade cresce para cima enquanto aves seguem sem proteção definida

Com mais de 13 mil unidades previstas desde 2024, expansão urbana pressiona áreas sensíveis para os pássaros

Por Kamila Alcântara e Fernanda Palheta | 23/03/2026 14:48
Cidade cresce para cima enquanto aves seguem sem proteção definida
No Centro de Campo Grande, gavião-tesoura é flagrado pela professora e pesquisadora Simone Mamede durante uma "passarinhada"

Durante a COP15, conferência internacional que reúne representantes de diversos países para discutir a conservação de espécies migratórias, Campo Grande volta ao centro de um debate local: o avanço da verticalização e seus impactos sobre a fauna.

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O avanço da verticalização em Campo Grande tem gerado debates sobre seus impactos na fauna local, especialmente nas aves. A prefeita Adriane Lopes defende a expansão como necessária para o crescimento da cidade, enquanto acompanha estudos realizados por universidades sobre os possíveis efeitos ambientais. Desde 2024, mais de 60 empreendimentos habitacionais foram analisados na capital, totalizando mais de 13 mil unidades. A concentração maior ocorre em áreas como Veraneio e proximidades do Parque dos Poderes, onde pesquisadores já alertaram sobre riscos às 262 espécies de aves identificadas na região, incluindo problemas como colisões com fachadas espelhadas.

Foi nesse contexto que a prefeita Adriane Lopes (PP) foi questionada nesta segunda-feira (23) sobre a expansão de prédios na cidade e os riscos apontados por ambientalistas, especialmente em relação às aves.

Em resposta ao Campo Grande News, ela mantém o plano já adotado pela gestão.  “A verticalização é um momento de Campo Grande, de expansão, de crescimento e ela é necessária, mas os estudos também vão trazer para nós uma nova visão sobre este impacto que pode ser gerado”, disse.

Segundo a prefeita, o município acompanha levantamentos feitos por universidades e equipes técnicas. Ela também citou o mapeamento de áreas mais frequentadas por aves, como a Lagoa Itatiaia e regiões úmidas da cidade.

“Estamos acompanhando os estudos, acompanhando as universidades. Estamos com o diálogo aberto para essa construção, importante para a cidade, mas também para as aves migratórias que vêm à nossa cidade”, afirmou.

Números - Levantamento com base nos EIV (Estudos de Impacto de Vizinhança) apresentados à Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano) mostra que, desde 2024, mais de 60 empreendimentos habitacionais foram analisados na Capital.

Somados, esses projetos ultrapassam 13 mil unidades habitacionais previstas, distribuídas em diferentes regiões da cidade.

A maior concentração ocorre em bairros como Veraneio, Carandá, Chácara Cachoeira e áreas próximas ao Parque dos Poderes, justamente onde já foram feitos alertas sobre impactos ambientais.

Além do aumento no número de empreendimentos, também cresce o porte dos projetos. Em 2025, passaram a surgir propostas com mais de 400, 500 e até 800 unidades em um único complexo habitacional, ampliando o potencial de impacto urbano e ambiental.

Alertas já feitos - A preocupação com os efeitos da verticalização não é recente. Em audiência pública realizada na Câmara Municipal no ano passado, pesquisadores e moradores já haviam apontado riscos associados ao avanço de prédios no entorno do Parque Estadual do Prosa.

A bióloga Maristela Benites destacou que a região abriga mais de 262 espécies de aves, incluindo migratórias, e alertou para o risco de colisões com edificações, especialmente aquelas com fachadas espelhadas.

Também foram levantadas preocupações com a impermeabilização do solo, possível impacto sobre nascentes e aumento no fluxo de veículos.

O Ministério Público Estadual chegou a instaurar procedimento para apurar o avanço de empreendimentos na zona de amortecimento do parque, área que deveria funcionar como proteção à unidade de conservação.

COP15 - A 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres reúne representantes de mais de 130 países e discute estratégias para proteção de espécies migratórias e preservação ambiental.

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