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Meio Ambiente

Com 3,2 mil militares, ritmo de combate às queimadas segue intenso no Pantanal

Nos últimos cinco dias, foram extintos 19 dos 25 focos de calor monitorados

Por Adriano Fernandes, Liniker Ribeiro e Beatriz Santos | 30/07/2020 21:30
Militares combatendo os focos com bombas costais. (Foto: Saul Schramm) 
Militares combatendo os focos com bombas costais. (Foto: Saul Schramm)

Segue intenso o trabalho de combate às chamas que devastam o pantanal de Corumbá, cidade a 419 quilômetros de Campo Grande. Mais de 3.200 militares e civis estão envolvidos na força-tarefa que tenta eliminar os focos que se propagam a cada dia, devido a prolongada estiagem e o período de seca no bioma.

A operação tem o apoio das Forças Armadas, com aeronaves deslocando a tropa e lançando água nos incêndios. O combate aos focos de calor se inicia logo pela manhã, com o deslocamento dos bombeiros e brigadistas para as áreas previamente definidas após sobrevoos de reconhecimento, trabalho este que é feito pela manhã e ao final do dia pelo tenente-coronel bombeiro Huesley Paulo da Silva.

Os combatentes do fogo permanecem em campo por pelo menos oito horas ininterruptas, mas sempre de sobreaviso no retorno a cidade. A Sala de Situação fica em alerta por 24h. Batizada de Pantanal II a operação foi iniciada no dia 24, com a decretação do estado de emergência ambiental no Pantanal e tem o apoio das Forças Armadas, com aeronaves deslocando a tropa e lançando água nos incêndios.

Militar apagando as chamas com abafador. (Foto: Saul Schramm) 
Militar apagando as chamas com abafador. (Foto: Saul Schramm)

“É uma situação desafiadora”, afirma o capitão-de-mar-e-guerra Alexandre José Gomes Doria, chefe do Estado-Maior do Comando do 6º Distrito Naval, com sede em Ladário. Nos últimos cinco dias, foram extintos 19 dos 25 focos de calor monitorados.

A fumaça dos incêndios também chegou a prejudicar voos dos helicópteros e do Hércules C130 que estão dando suporte aéreo a força-tarefa de combate as chamas. Mas conforme a Semagro, que coordena a operação, a chegada de ventos ao sul teria diminuído a intensidade da fumaça por Corumbá e Ladário durante esta quinta-feira.

Na região norte do Pantanal, no entanto, não se vê o horizonte por conta da fumaça. Na região ocorrem focos em pelo menos cinco áreas, conforme divulgado no final desta tarde. “A mudança da direção do vento, agora soprando ao Norte, foi benéfica tanto para os moradores locais como para as ações de campo”, acrescentou Alexandre.

Helicóptero usado no transporte dos militares. (Foto: Saul Schramm)
Helicóptero usado no transporte dos militares. (Foto: Saul Schramm)

População sofre 

O combate aos focos de calor fica em uma extensa área em um raio de apenas 6km a 12km do porto-geral de Corumbá. Enquanto o verdadeiro efetivo de guerra, com bombeiros, brigadistas e marinheiros, lida com o fogo por entre as matas, em Corumbá, os incêndios também geraram dor de cabeça para os moradores nos últimos dias.

Por lá, a cortina de fumaça que encobriu a cidade, se tornou uma preocupação a mais para quem já vive com o temo do novo coronavírus. “Sinceramente está bem complicado. A fumaça tomou conta da cidade, fica ruim de respirar, a gente sente ardência nos olhos, ou seja, pra saúde não está nada legal”, pontua a auxiliar administrativo Vanessa da Silva.

Apesar de não ter tido contato com o vírus causador da covid-19, que só em Corumbá tirou a vida de 36 pessoas, desde março, Vanessa não esconde o medo que sente da doença. “Estava pensando, ontem, justamente nas pessoas que estão com dificuldade para respirar devido à doença , agora que estamos enfrentando essa situação com a fumaça. Por isso me hidrato e lavo bem as mãos, sempre”, afirma.

Nuvem de fumaça invade Corumbá. (Foto: Direto das Ruas)
Nuvem de fumaça invade Corumbá. (Foto: Direto das Ruas)

O empresário Luis Claudio de Arruda, de 41 anos, também tenta driblar as dificuldades enfrentadas, principalmente por conhecer de perto o relato de alguém que já teve covid-19. “A gente fica receoso, um amigo já teve. O jeito é tomar bastante liquido e procurar ficar menos exposto”, revela.

Quem também conhece relatos de pessoas que enfrentaram a covid é o atendente Juscimar Duarte. Pelo menos duas próximas testaram positivo para a doença e hoje são consideradas recuperadas. Mas, uma amiga, diagnosticada recentemente com covid-19, segue internada.

“O estado dela é razoavelmente crítico”, conta ao Campo Grande News. “E a fumaça na cidade persiste. Trabalhar em meio a essa pandemia, com essa situação de queimadas, é muito critico”, define.

Na avaliação da gerente de drogaria, Renata da Silva, de 26 anos, a situação tem melhorado aos poucos, mas ainda hoje, a cidade “amanheceu branca literalmente”, afirmou.