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Meio Ambiente

Em poste, bem-te-vis se adaptam à vida urbana

Por Elverson Cardozo | 26/11/2012 19:37
O passario e a casa, no alto de um poste. (Foto: Simão Nogueira)
O passario e a casa, no alto de um poste. (Foto: Simão Nogueira)

Ignorando o som constante provocado por automóveis, o movimento sempre intenso e o sol que arde nas penas, um casal de bem-te-vis resolveu morar no centro de Campo Grande, no alto de um poste, em cima de um amontoado de fios. Os pássaros fizeram morada no cruzamento da avenida Fernando Correa da Costa com a rua Pedro Celestino, um dos pontos mais conhecidos da cidade.

Nota-se que o ninho, construído com trabalho, está inteiro, resistindo ao sol e a chuva. Até agora, suportou os ventos mais insistentes e as pequenas tempestades sazonais.

À tarde, por alguns momentos, a “casa” fica vazia, mas os moradores são cuidadosos. Enquanto um caça o que o comer, o outro volta para a “porta”, entra, deposita o que encontrou e, quando o companheiro chega, alça novo vôo. É assim o dia todo. É assim que sobrevivem. É assim que passam os dias.

As árvores, comuns por essas bandas, emolduram a rua, lembram o habitat natural, mas deixam a felicidade incompleta quando são vistas ao lado de prédios, de residências, nessa selva de pedra que só aumenta com o passar dos dias.

Mamão papaya, o banquete do dia, aproveitado também por outros pássaros, como o sabiá. (Foto: Simão Nogueira)
Mamão papaya, o banquete do dia, aproveitado também por outros pássaros, como o sabiá. (Foto: Simão Nogueira)

Que passa o dia embaixo, no conforto da sombra, gosta do espetáculo gratuito. Faz de tudo para conquistar a “clientela” que canta com hora marcada, na aurora e no crepúsculo do dia.

Proprietário há 12 anos de uma banca de frutas na Pedro Celestino, próximo ao cruzamento, Ivan Lima, de 37 anos, contou que a presença de passarinhos sempre foi constante, mas que o casal de bem-te-vis são hóspedes recentes. Resolveu morar ali há pelo menos 6 meses.

Ben-te-vi pai e ben-te-vi mãe são clientes da banca. O problema é que eles comem e não pagam. O jeito foi se adaptar, contou. Um parente, que ajuda no comércio, confeccionou um suporte de madeira, onde ele coloca, todos os dias, frutas para os pássaros. Hoje, o prato principal foi mamão papaya. A oferta de comida fácil beneficia os "moradores cativos" e também aventureiros, como um sabiá que se aproveitou do alimento servido.

“Eles comem, enchem o papo e vazam”, disse o funileiro Conrado dos Santos, de 61 anos, o “artista” responsável pelo suporte que garante o banquete aos passarinhos, do alto de uma árvore. “Quando a gente não põe eles entram pela grade”, acrescentou.

Banca de frutas, o local mais visitado pelos passarinhos que vivem por ali. (Foto: Simão Nogueira)
Banca de frutas, o local mais visitado pelos passarinhos que vivem por ali. (Foto: Simão Nogueira)
Proprietário da banca, Ivan Lima, conta que a presença de pássaros é constante. (Foto: Simão Nogueira)
Proprietário da banca, Ivan Lima, conta que a presença de pássaros é constante. (Foto: Simão Nogueira)

Mesmo sem pagar, os clientes são exigentes. Além de cobrarem o lanche, querem opções, revela Ivan Lima. Maçã, banana e goiaba são as frutas mais pedidas. Se não encontram o que procuram começam a fazer arruaça em cima da barraca, das frutas e do caminhão estacionado.

“Fazem uma bagunça danada. Parece que conversam entre eles. É uma sensação”, destacou.

Do alto do poste, os bem-te-vis saem e voltam na hora que bem entendem. Satisfação é uma palavra que, definitivamente, não está no vocabulário, ou melhor, no canto deles. Liberdade é apenas expressão para quem vive “solto”, mas preso à redoma chamada urbanidade.

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