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Meio Ambiente

Estudo liga expansão do esgoto à queda drástica de doenças na Capital em 20 anos

Entre 2003 e 2022, dados mostram redução de 91% nas internações e menor custo ao sistema público

Por Inara Silva | 26/04/2026 08:54
Estudo liga expansão do esgoto à queda drástica de doenças na Capital em 20 anos
Obra de instalação de rede de esgoto no Los Angeles (Foto/Arquivo)

Levantamento com dados oficiais de 2003 a 2022 mostra que a ampliação da rede de esgoto em Campo Grande foi acompanhada por melhora significativa nos indicadores de saúde. Segundo pesquisa da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), o avanço do esgotamento sanitário na Capital resultou em uma redução de 91% nos casos de DDA (Doenças Diarreicas Agudas) ao longo de 20 anos.

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Pesquisa da UFMS revela que o avanço do esgotamento sanitário em Campo Grande reduziu em 91% os casos de doenças diarreicas agudas entre 2003 e 2022. A cobertura de esgoto saltou de 19% para 89%, beneficiando 665 mil pessoas. Internações caíram 93% e gastos públicos recuaram de R$ 48 mil para R$ 7 mil por 100 mil habitantes. Entre crianças de até quatro anos, a redução chegou a 97%.

Outros resultados relacionam o avanço da cobertura de esgoto à queda nas internações por doenças diarreicas. Segundo o professor Ariel Ortiz Gomes, coordenador da pesquisa, os dois parâmetros são os que mais chamam a atenção. “Eles estão fortemente correlacionados”, afirma.

Queda nas internações - A taxa de internação caiu de 157,37 casos por 100 mil habitantes em 2003 para cerca de 11,25 em 2022, uma diminuição de aproximadamente 93%. Entre crianças de até quatro anos, grupo mais vulnerável, a queda chega a 97%. Segundo o pesquisador, o recorte por faixa etária reforça a consistência dos dados. “A gente analisou especialmente crianças de 0 a 5 anos, que são um grupo mais sensível. Os resultados mostram uma redução muito significativa nesse público”, explica.

Já os dados de saneamento mostram a transformação da infraestrutura em um intervalo ligeiramente menor. Em 18 anos, a cobertura de esgoto saltou de 19% em 2003 para 89% em 2021, com a inclusão de cerca de 665 mil pessoas no sistema.

A pesquisa foi apresentada durante o 33º Congresso da ABES (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental) pelo professor Ariel Ortiz Gomes e pelo pesquisador Victor Daniel Ladislau Bezerra. O estudo reúne informações do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), do DATASUS (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde) e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Estudo liga expansão do esgoto à queda drástica de doenças na Capital em 20 anos
Gráfico mostra queda nas internações e aumento da rede de esgoto (Foto: Reprodução)

Desafios - Apesar do avanço, ainda há desafios estruturais. “Mesmo sendo uma Capital, ainda existem áreas, sobretudo nas periferias, que não têm cobertura de esgoto e apresentam deficiência em outros serviços urbanos, como pavimentação, drenagem e coleta de resíduos”, aponta Gomes. Ele também chama atenção para um obstáculo menos visível que é a baixa adesão de parte da população à rede já disponível. “Em alguns locais, a rede passa na frente da casa, mas as famílias demoram a se ligar, seja por custo, receio ou até desinformação”, diz.

Reflexos na economia - Além dos impactos na saúde, o estudo aponta reflexos diretos nas contas públicas. Os gastos com internações por doenças diarreicas passaram de cerca de R$ 48 mil por 100 mil habitantes em 2003 para aproximadamente R$ 7 mil em 2017, com oscilações nos anos seguintes, mas tendência geral de queda ao longo da série histórica.

Para sustentar a análise, foram utilizados métodos estatísticos como regressões e testes de correlação, que apontaram associação consistente entre a expansão da rede de esgoto e a melhora nos indicadores. Os pesquisadores ressaltam, no entanto, que os resultados não estabelecem causalidade isolada. “A correlação é forte, mas não significa, necessariamente, causa e efeito. Outros fatores, como a atenção básica à saúde, também influenciam esses indicadores”, pondera o coordenador.

Estudo liga expansão do esgoto à queda drástica de doenças na Capital em 20 anos
Professor professor Ariel Ortiz Gomes, coordenador da pesquisa (Foto: Arquivo Pessoal)

O levantamento também destaca o volume de investimentos no período. Em alguns anos, os aportes em saneamento superaram R$ 100 milhões, especialmente durante as fases de expansão da infraestrutura. Segundo Gomes, esses investimentos têm efeito estrutural e vão além da própria rede de esgoto. “Quando chega à rede coletora, normalmente vêm junto outros serviços, como pavimentação e drenagem. Isso valoriza a área, reduz a poluição e melhora a qualidade de vida como um todo”, afirma.

Outro ponto observado é o impacto social. Crianças e idosos concentram maior vulnerabilidade às doenças relacionadas à falta de saneamento. Em 2022, esses grupos representavam cerca de 21,2% da população da Capital. “As crianças são mais expostas a fontes de contaminação e têm o sistema imunológico ainda em desenvolvimento, o que aumenta o risco de adoecimento”, explica.

Qualidade de vida - Ao final, o estudo conclui que o município se aproxima da universalização do esgotamento sanitário e apresenta evidências de que o investimento em infraestrutura básica tem efeitos diretos na qualidade de vida e na sustentabilidade do sistema público de saúde.

Para o pesquisador, a principal mensagem vai além dos números. “Não importa exatamente quanto se economiza em saúde para cada real investido. O mais importante é que investir em saneamento melhora a qualidade de vida da população. E isso precisa ser prioridade para qualquer gestor público”, conclui.

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