Filhote de harpia monitorado no Pantanal morre após cair do ninho
Ave havia nascido em janeiro em Corumbá e era acompanhada por câmeras trap
RESUMO
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Um filhote de harpia, espécie rara e ameaçada de extinção, morreu após cair do ninho no Pantanal de Mato Grosso do Sul. O nascimento do filhote, ocorrido em janeiro, havia sido celebrado por pesquisadores e observadores de aves, mas o acidente foi detectado por meio de monitoramento remoto realizado pela Icterus Ecoturismo e pelo projeto Planeta Aves. A harpia fêmea permaneceu próxima ao local, mas, como é comum entre aves de rapina, não houve tentativa de resgate. Apesar da perda, o casal de harpias continua frequentando o ninho, indicando a possibilidade de uma nova tentativa reprodutiva. A espécie, considerada a maior águia das Américas, enfrenta desafios devido à perda de habitat e está classificada como "quase ameaçada" de extinção. O monitoramento do ninho, iniciado após a descoberta de uma pena em 2023, tem sido acompanhado por redes sociais, destacando a importância da conservação da espécie.
A expectativa gerada pelo nascimento de um raro filhote de harpia no Pantanal de Mato Grosso do Sul terminou de forma silenciosa e inevitável, como por vezes ocorre na natureza. O filhote, que havia nascido em janeiro deste ano, não resistiu após cair na lateral da estrutura do ninho e não conseguir retornar.
A perda foi descoberta esta semana por meio do monitoramento remoto realizado pela Icterus Ecoturismo e pelo projeto Planeta Aves, que acompanham o ninho com o uso de câmera trap instalada em uma área de floresta de propriedade particular, em Corumbá, no Pantanal sul-mato-grossense.
Segundo a divulgação feita nas redes sociais das iniciativas, a harpia fêmea permaneceu nas proximidades após a queda do filhote, mas pouco pôde fazer. Diferentemente de alguns mamíferos, aves de rapina não apresentam comportamento de resgate. Ainda conforme o comunicado, é comum que nem todos os filhotes cheguem à fase adulta.
Conforme a publicação, mesmo após a perda, o casal de harpias segue frequentando o ninho, sendo observado voando e interagindo na área, o que mantém a possibilidade de uma nova tentativa reprodutiva no futuro.
O nascimento do filhote havia sido celebrado por pesquisadores e observadores de aves por representar um registro raro da espécie no Pantanal.
Sobre a harpia - Considerada a maior águia das Américas, a harpia é uma das predadoras mais imponentes das florestas tropicais. A ave pode ultrapassar dois metros de envergadura e possui garras que chegam a cerca de 10 centímetros, capazes de capturar presas como macacos-prego. Apesar da força e do porte, a espécie sofre com a perda de habitat e é classificada como “quase ameaçada” de extinção na lista nacional do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).
O acompanhamento do ninho tem sido acompanhado pelas redes sociais. As imagens divulgadas pelo Planeta Aves em parceria com a Icterus Ecoturismo mostram momentos do cotidiano das aves.
O interesse pelas aves iniciou em 2023, quando uma pena da espécie foi encontrada no Maciço do Urucum. A descoberta levantou a suspeita de que a harpia poderia estar presente na região. No ano seguinte, em 2024, ocorreram os primeiros registros visuais de um casal, o que motivou uma força-tarefa envolvendo a Icterus Ecoturismo, a Sauá Consultoria e o Projeto Harpia.
Em julho de 2025, os pesquisadores localizaram o primeiro ninho, embora o casal não permanecesse continuamente no local. Meses depois, em 15 de novembro de 2025, um segundo ninho foi identificado, desta vez com o casal instalado de forma permanente. Em 23 de novembro, a fêmea foi observada em período de incubação, que resultou no nascimento do filhote no início deste ano.
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