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Artes

Lambe-lambe toma conta de muro e reúne mais de 60 artistas

Primeira convocatória de lambe-lambe reúne quase 70 participantes de todo o Brasil

Por Amanda Santos | 27/07/2026 07:45
Lambe-lambe toma conta de muro e reúne mais de 60 artistas
Primeira Convocatória de Lambe-Lambe realizada em Campo Grande. (Foto: Sofia Lupaes)

Papel, cola e criatividade bastaram para transformar um muro da Esplanada Ferroviária em uma explosão de cores neste fim de semana. A primeira Convocatória de Lambe-Lambe de Campo Grande reuniu quase 70 artistas de Mato Grosso do Sul, de praticamente todas as regiões do Brasil e até do exterior em uma intervenção que mostrou que a arte também pode morar na rua.

Lambe-lambe toma conta de muro e reúne mais de 60 artistas
Alguns artistas presentes no encontro. (Foto: Sofia Lupaes)

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A primeira Convocatória de Lambe-Lambe de Campo Grande reuniu 69 artistas de Mato Grosso do Sul, de várias regiões do Brasil e do exterior na Esplanada Ferroviária. A iniciativa, organizada pela artista Laís Rocha, visou ocupar espaços públicos com arte acessível. O sucesso do evento já despertou interesse de artistas de Dourados, que pretendem levar a iniciativa a outros municípios do estado.

A artista visual Laís Rocha, de 26 anos, conhecida como Bejona, é uma das organizadoras da convocatória. Segundo ela, a ideia surgiu depois que o grupo percebeu que Mato Grosso do Sul era o único estado brasileiro que ainda não havia realizado um encontro desse tipo.

"Sentimos essa necessidade porque, apesar de sermos uma capital, ainda carecemos muito de cultura. Queríamos reunir artistas daqui, do interior e de outros lugares do país para mostrar que o lambe também tem espaço em Campo Grande.", conta.

A adesão superou as expectativas. Ao todo, 69 artistas enviaram trabalhos, entre obras impressas e digitais, e cerca de 48 participaram presencialmente, passando o dia colando lambes, conhecendo novos artistas e trocando experiências.

As obras vieram da Bahia, Goiás, Amazonas, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Tocantins e de diversos outros estados. A convocatória também recebeu participações internacionais.

Lambe-lambe toma conta de muro e reúne mais de 60 artistas
Laís Rocha, de 26 anos, conhecida como Bejona, é uma das organizadoras da convocatória. (Foto: Sofia Lupaes)

Para quem nunca teve contato com o lambe-lambe, Laís explica a proposta de um jeito fácil. "O lambe é uma arte muito acessível. Você pode pintar, imprimir, desenhar, recortar... existem infinitas possibilidades. O importante é que qualquer pessoa pode produzir.", diz.

Na visão dela, o maior objetivo da convocatória é romper a ideia de que arte pertence apenas aos museus e galerias. "A gente quer que as pessoas entendam que elas também podem ocupar esse espaço. Quando a arte vai para a rua, ela passa a dialogar com quem vive na cidade.", completa.

A experiência também chamou atenção de artistas que chegaram recentemente à Capital, como a estudante Luanna Fagundes, de 24 anos. Há cerca de um ano morando em Campo Grande, ela conta que ainda não tinha visto um encontro semelhante. "É muito bonito conhecer outros artistas, ver outros estilos e trocar ideias. Acho que isso faz a cidade ficar viva.", conta.

Entre as obras que levou ao mural, uma tem um significado especial. Batizada de 'Imputeça', a criação aborda a revolta feminina diante da violência contra as mulheres e do feminicídio. "Espero que ela incentive as mulheres a tomarem voz, a se exporem mais", explica.

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Luanna Fagundes, de 24 anos, apostou na arte batizada de 'Imputeça'. (Foto: Sofia Lupaes)

Para Luanna, ver uma obra ocupando um espaço público ainda desperta um sentimento difícil de descrever. "Por muito tempo tive vergonha de mostrar meu trabalho. Quando alguém passa, olha para a obra e elogia, dá vontade de continuar produzindo."

Nem todos os participantes já tinham experiência com o lambe-lambe. O pesquisador e publicitário Matheus Fernandes, de 23 anos, participou da intervenção pela primeira vez. Apesar de já produzir artes digitais, ele nunca havia transformado um desenho em lambe. O convite foi suficiente para tirar o projeto do papel.

Para ele, a importância do encontro está justamente em fortalecer uma linguagem artística ainda pouco presente em Campo Grande. "Em várias cidades grandes você encontra esse tipo de intervenção por toda parte. Aqui ainda falta espaço para esse tipo de manifestação. A rua é de todo mundo e a arte também precisa estar nela.", disse.

As três obras apresentadas por Matheus refletem um tema que acompanha sua trajetória acadêmica: a relação entre ciência, criatividade e comunicação. "Eu acredito que o olhar curioso do cientista é muito parecido com o olhar atento do artista. Toda ciência começa com alguém pensando diferente."

O sucesso da primeira convocatória já chamou atenção de outros lugares. Antes mesmo do fim do encontro, artistas de Dourados procuraram a organização interessados em levar a iniciativa para o município. A proposta agora é descentralizar o projeto e promover novas edições do lambe-lambe em outras cidades de Mato Grosso do Sul. "Não queremos que fique só na Capital. Tem muitos artistas produzindo no Estado inteiro. Às vezes falta apenas um espaço para que essas pessoas se encontrem", afirma Laís.

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Obra do pesquisador Matheus Fernandes. (Foto: Sofia Lupaes)


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