Lilás nas ruas, jacarandás florescem e são confundidos com ipês
Três árvores chamam a atenção na Vila Anahy e ajudam a refrescar a cidade durante a primavera
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Quem passa pelo cruzamento da Avenida Tiradentes com a Rua Eldorado, na Vila Anahy, talvez pense estar diante de três ipês-roxos. A confusão é comum, mas as pequenas flores lilases que colorem o trecho são de jacarandás-mimosos, árvores que florescem durante a primavera e oferecem muito mais do que uma paisagem bonita.
RESUMO
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Jacarandás-mimosos colorem o cruzamento da Avenida Tiradentes com a Rua Eldorado, na Vila Anahy, em Campo Grande, sendo frequentemente confundidos com ipês-roxos. O biólogo José Milton Longo explica que a espécie, originária da Mata Atlântica, auxilia no sequestro de carbono, ameniza temperaturas e fornece alimento para aves e insetos. Moradores relataram surpresa ao descobrir a identidade das árvores, destacando a importância da arborização para a identidade local.
O biólogo José Milton Longo, especialista em Ecologia e Conservação, explica que o jacarandá-mimoso encontrado na arborização de Campo Grande é originário da Mata Atlântica e de áreas de transição com o Cerrado. Por ser aparentado com os ipês e apresentar flores em tons arroxeados e azulados, acaba confundindo muita gente.
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“São maravilhosas as flores do jacarandá. Essa espécie é bastante aparentada dos nossos ipês e empresta, durante toda a primavera, esses tons arroxeados e azulados, enfeitando a cidade”, afirma.
Além da aparência, a árvore tem importância ambiental. Segundo o especialista, os jacarandás ajudam no sequestro de carbono, amenizam a temperatura, oferecem sombra, colaboram para evitar erosões e melhoram o bem-estar da população.
As flores também fornecem pólen e néctar para insetos e aves. “Recebem visitas de aves, insetos, abelhas e beija-flores. É espetacular”, resume José Milton.
Depois da florada, surgem frutos pequenos, secos e achatados, que protegem sementes dispersadas pelo vento. Conforme o biólogo, essas estruturas também podem ser aproveitadas na produção de artesanato. “É mais uma riqueza das espécies que compõem nossa arborização urbana”, destaca.

Apesar do colorido, nem todo mundo percebe as árvores durante a correria cotidiana. João Gimenes, de 83 anos, caminhava pelo local com a esposa, Amelia, de 78, quando parou para observar os jacarandás. Morador de Campo Grande há 21 anos, ele contou que costuma passar pelo trecho apenas para abastecer o veículo.
“A gente só vai colocar gasolina e não se dá conta. Mas, quando presta atenção e vê que a árvore está ali, é muito bonito”, relata.
Paulista e criado em Douradina, João afirma que as árvores fazem lembrar a paisagem da época em que vivia na área rural. “Nós morávamos no mato e era muito florido, muito bonito. Quanto mais flores você vê, mais bonito fica. A gente se sente bem.”
Para ele, a arborização é um dos atrativos de Campo Grande. “Aqui é muito bom. Não saio daqui, não. Não vale a pena.”
Era ipê, só que não - A confusão com o ipê também surpreendeu Juliana Dias Quadros, de 35 anos. Moradora da região há oito anos e do bairro há dois meses, ela frequenta diariamente a praça próxima aos jacarandás com as crianças.
“Com certeza é ipê. De onde mais iria florescer uma flor bonita dessas?”, respondeu inicialmente. Ao descobrir qual era a espécie, não escondeu a surpresa: “Estou chocada que era um jacarandá. Não imaginava. É muito lindo.”

Juliana conta que a presença de árvores e animais já faz parte de sua rotina. Na frente de casa, um coqueiro costuma receber a visita de araras. Para ela, a paisagem arborizada também integra a identidade local.
“Faz muito parte da identidade de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul. Aqui é muito arborizado e muito lindo”, afirma.












