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Meio Ambiente

Seca avança no Rio da Prata e força retirada de peixes presos em poças

Trecho afetado passou de 3 para 4 km em 8 dias; equipe levou animais para área com fluxo de água

Por Inara Silva | 08/09/2026 10:30

A estiagem no Rio da Prata avançou e levou à primeira operação de retirada de peixes isolados em poças neste ano, em Jardim, a 236 quilômetros de Campo Grande. Monitoramento realizado na sexta-feira (4) identificou 4 quilômetros do leito afetados pela seca, um quilômetro a mais do que havia sido constatado na semana anterior.

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A estiagem no Rio da Prata, em Jardim, a 236 km de Campo Grande, forçou o primeiro resgate de peixes do ano. Com 4 km do leito afetados pela seca, 200 peixes foram retirados de poças e realocados em trechos com água. O cenário se repete pelo terceiro ano consecutivo, após registros de 7 km secos em 2023 e 6 km em 2024. O Instituto Guarda Mirim Ambiental segue monitorando a situação.

Segundo Nisroque da Silva Soares, presidente do Instituto Guarda Mirim Ambiental de Jardim, pequenos peixes que estavam concentrados em três poças foram retirados e levados para trechos onde o rio mantém o curso. A equipe conseguiu resgatar 200 peixes de pequeno porte entre lambaris, piraputangas, cascudos, joaninhas e traíras.

A relocação marca um agravamento em relação ao cenário observado nas últimas semanas. Em vistoria realizada em 27 de agosto, cerca de três quilômetros do leito estavam secos e já havia peixes isolados em poças. Na ocasião, a equipe avaliou que ainda não era necessário removê-los e decidiu manter o monitoramento diante da previsão de chuva. O instituto informou, porém, que estava preparado para realizar o resgate caso a situação piorasse.

O primeiro alerta deste ano ocorreu dois dias antes, em 25 de agosto, quando imagens mostraram que a água havia deixado de passar sob a Ponte do Curé, trecho que também sofreu com a estiagem nos últimos anos. Mesmo com a interrupção do fluxo naquele ponto, havia água nas proximidades e o curso do rio era retomado mais adiante.

Problema se repete - O cenário atual repete um fenômeno registrado pelo menos nos dois anos anteriores. Em setembro de 2025, o trecho do Rio da Prata quase ou totalmente sem água chegou a cerca de sete quilômetros, também nas proximidades da Ponte do Curé e da MS-178.

Naquele ano, os primeiros sinais de redução do nível apareceram no início de setembro. Em 16 de setembro, aproximadamente três quilômetros estavam afetados. Pouco mais de uma semana depois, a extensão quase ou totalmente seca já alcançava cerca de sete quilômetros. Também foram registradas mortes de peixes e de outros animais aquáticos.

Em 2024, aproximadamente seis quilômetros do curso d'água chegaram a secar durante a estiagem, incluindo a região da Ponte do Curé. Naquele período, também foram necessárias operações para retirar peixes que ficaram isolados em poças. O fluxo começou a ser restabelecido com a chegada das chuvas, em novembro.

Águas cristalinas - O Rio da Prata é um dos principais cursos d'água da região da Serra da Bodoquena e integra a bacia do Rio Paraguai. Conhecido pela transparência das águas e pela biodiversidade aquática, atravessa uma região onde o ecoturismo tem forte presença, com atividades como flutuação e observação da fauna.

Com o avanço do trecho afetado de três para quatro quilômetros em oito dias e a necessidade de retirar os primeiros peixes isolados, a situação continua sendo acompanhada pelo Instituto Guarda Mirim Ambiental.

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