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Meio Ambiente

Onça consta desde 2011 em tratado, mas proteção ainda é desafio

Presidente do IHP aponta que atropelamentos são ameaça e ampliação de corredor ajuda a proteger

Por Maristela Brunetto e Lúcia Morel | 23/03/2026 09:45
Onça consta desde 2011 em tratado, mas proteção ainda é desafio
Maior felino das Américas, onça-pintada já consta nas atas de convenção, mas proteção ainda demanda maiores esforços (Foto: Arquivo/ Onçafari)

As onças pintadas constam desde 2011 nos anais da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, mas ainda há um desafio em criar o ambiente necessário à sua sobrevivência e conter riscos à espécie. Ela é uma das espécies a serem discutidas na COP15 (15ª Reunião da Conferência das Partes), que ocorre nesta semana em Campo Grande, reunindo representantes de mais de 100 países. A ampliação de áreas protegidas é uma das ações essenciais, segundo o presidente do IHP (Instituto do Homem Pantaneiro), Ângelo Rabelo.

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A onça-pintada, maior felino das Américas, está listada desde 2011 na Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, mas sua proteção ainda enfrenta desafios. Durante a COP15, em Campo Grande, especialistas destacaram a necessidade de ampliar áreas protegidas e criar corredores ecológicos para garantir a migração segura da espécie.Atualmente, apenas 7,5% das áreas protegidas estão interligadas, o que prejudica a movimentação dos animais. Além disso, o risco de atropelamentos e a falta de financiamento para conservação são preocupações levantadas. O evento, que reúne representantes de mais de cem países, busca discutir soluções para fortalecer a proteção da fauna e promover a conscientização sobre a emergência climática.

Ele cita a necessidade de haver corredores para a migração do animal e aponta que a ampliação de áreas de preservação no pantanal mato-grossense, anunciada ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na passagem por Campo Grande para uma reunião de lideranças, acaba favorecendo o bioma em Mato Grosso do Sul, onde se encontram dois terços da área total.

Rabelo cita a região em que o IHP está mais envolvido, a Serra do Amolar, que se conecta com o estado vizinho. “Porque nós teremos aí um grande corredor vindo da Argentina, passando pelo Paraguai, Pantanal e a Bolívia. Então, tenho certeza que a gente vai ter aí um momento importante de avanço.”

As autoridades, nos discursos deste domingo, apontaram a importância de avançar em corredores. Afinal, animais não conhecem fronteiras; precisam de áreas livres, protegidas e interligadas para a migração, como rios, florestas e oceanos.

Um risco ainda existente à onças é o de atropelamento, menciona Rabelo, que não é exclusivo do Estado. Ele cita caminhões carregados com minério, com grãos, que não conseguem frear e evitar acidentes. “Nós precisamos efetivamente estreitar a relação com essas empresas para que a gente possa construir algo preventivo.”

Na divulgação do evento, foi informado que as onças somam entre 50 e 55 mil indivíduos no Brasil, desde a Amazônia até o Pantanal. A espécie também consegue viver em outros habitats, mas em menor quantidade, daí a relevância dos corredores ecológicos para manter o fluxo entre populações, sendo o Cerrado apontado como um bioma importante para a ligação, sob risco de deixar onças “ilhadas” e vulneráveis em áreas utilizadas para a produção rural.

Onça consta desde 2011 em tratado, mas proteção ainda é desafio
Bicho não conhece fronteiras: Rabelo aponta necessidade de corredores para migração segura de espécies (Foto: Juliano Almeida)

Um dos pontos de preocupação apresentados na fala de autoridades ontem foi a baixa conectividade entre áreas protegidas. Atualmente, apenas 7,5% dessas áreas estão interligadas, prejudicando a migração de bichos.

Rabelo aponta que a ampliação de financiamento é essencial para fortalecer a proteção. Ele lembra que créditos de carbono e de biodiversidade podem ser aliados importantes. Esse é um dos temas a serem discutidos na COP15, na quinta-feira. “A expectativa é que a gente possa mobilizar algumas delegações para apoiar essa iniciativa.” O financiamento da conservação da fauna é exatamente um dos temas que o encontro, que reúne representantes de mais de cem países, pretende avançar.

O evento é realizado no Bosque dos Ipês e tem ainda atividades em outros locais, como na Casa do Homem Pantaneiro, no Parque das Nações Indígenas e na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Fora dos aspectos técnicos, há oportunidades para a participação da comunidade, como no campus da universidade e no espaço “Conexão sem Fronteiras”, para aproximar o público das discussões sobre conservação e emergência climática, com debates, mostra de cinema socioambiental, exposições fotográficas e outras atividades.