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Meio Ambiente

Onça “fujona” pode ser levada para zoológico em Foz do Iguaçu

Por Fernanda França e Ana Maria Assis | 28/12/2010 10:32
Onça está gordinha e com aparência bastante saudável. (Foto: João Garrigó).
Onça está gordinha e com aparência bastante saudável. (Foto: João Garrigó).

A onça pintada que fugiu do Cras (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) no dia 29 de outubro, e foi recapturada hoje, pode ser levada para um zoológico em Foz do Iguaçu, no Paraná.

Segundo o secretário de Meio Ambiente do Estado, Carlos Alberto Said de Menezes, a possibilidade começará a ser estudada a partir de agora. Por enquanto, a onça ficará alojada em uma jaula nova, mais reforçada que a anterior, que foi rompida por uma anta possibilitando a fuga.

Conforme o biólogo Vander Fabrício de Jesus, gerente de Pesca e Fauna do Cras, esta seria uma boa opção, já que o animal chegou muito jovem ao Centro de Reabilitação e não teve tempo de aprender a caçar.

De acordo com ele, a onça foi entregue para cuidados com apenas 2 meses de idade. Na natureza, elas não saem do ninho antes de completar 60 dias.

As onças continuam dependendo da mãe durante 1 ano, idade em que são desmamadas e começam a aprender a caçar. Ficam adultas com cerca de 2 anos, passando então a andar sós.

Como a onça que chegou ao Cras não passou por toda essa experiência, não tem condições de voltar ao habitat.

“Como ela sempre teve contato com humanos, se ela for solta no Pantanal, pode acabar procurando a sede de uma fazenda. Ou pode ser morta tentando caçar um animal”, avaliou o biólogo.

A possibilidade da onça estar rondando o Cras ganhou força depois que a filha do caseiro informou ter visto o animal no portão dos fundos do Centro de Reabilitação, no dia do Natal.

Com essa pista, os biólogos começaram a distribuir armadilhas nesta área.

“A onça foi vista a menos de 50 metros do portão”, detalhou o secretário de Meio Ambiente, ressaltando que foram paralisadas apenas as buscas intensivas na reserva do Parque dos Poderes, mas as pistas e rastros do animal continuaram a ser investigados nas proximidades do Cras.

Os policiais ambientais receberam vários chamados dando pistas da onça, em locais distantes do Cras, mas todos falsos, o que levou biólogos, veterinários e a própria PMA a concluir que a onça retornaria.

O animal está com uma aparência muito saudável, e segundo os biólogos do Cras, deve ter se alimentado nestes dois meses de pequenos animais, como queixadas, quatis e pacas.

Ainda não foi divulgado se a onça ganhou peso e nem detalhes de seu estado de saúde, já que ela ainda passará por uma triagem.

Ao todo, o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres conta com 11 onças, sendo 10 pardas e esta única pintada.

Carcaça

Uma carcaça de queixada, semienterrada, foi localizada pela PMA no interior do Centro de Reabilitação.

Isto indica que a onça pode ter se alimentado do animal há alguns dias. Entretanto, somente uma análise poderá confirmar se ela esteve ou não anteriormente nas dependências do Cras.

Zoológico

O Zoológico Bosque Guarani, de Foz do Iguaçu, já entrou em contato com os responsáveis pelo Cras, solicitando a doação da onça.

O local é um exemplo de recuperação de uma área que, antes degradada, foi transformada em um espaço de lazer, educação ambiental e turismo.

Possui área de 40.000 m² e 20 recintos, que são percorridos por meio de trilhas cercadas por onças, tucanos, araras, papagaios, emas, garças, sabiás, cisnes e gralhas, entre outros bichos.

O local conta com intensa vegetação, com cerca de 963 árvores nativas e três lagos, onde foi aproveitada uma nascente.

O acervo de animais do zoológico tem 49 espécies de aves, com um total de 223 exemplares, 3 espécies de répteis, totalizando 16 exemplares e 5 espécies de mamíferos, com 16 exemplares.