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Meio Ambiente

“Pesque e não solte” é a arma contra peixes invasores no Pantanal

Ainda não é possível dimensionar possíveis danos, mas maior risco é extinção das espécies nativas

Por Lucia Morel | 18/10/2023 19:16

Sem ainda saber o tamanho do dano já causado ou que pode ocorrer, a presença de peixes exóticos ou invasores nos rios do Pantanal pode danificar todo ecossistema das espécies nativas e na pior das hipóteses, extingui-las. Campanha iniciada esta semana pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) quer sensibilizar pescadores amadores e profissionais a não devolverem as espécies exóticas aos rios quando pescadas.

Os tucunarés azuis e amarelos, tambaquis, tambacus, pirararas e corvinas devem ser retirados da água quando pescados e não serem devolvidos. A intenção é reduzir a população desses peixes e evitar que seu aumento cause desequilíbrio no ecossistema pantaneiro.

Responsável pela campanha, o analista ambiental do Ibama em Mato Grosso do Sul, Reginaldo Yamaciro, explica que entre as espécies listadas, a pirarara é a que apresenta maior risco aos rios do bioma porque compete de forma equivalente pelo mesmo ambiente em que vivem jaús e dourados.

“O ambiente, no caso do Pantanal, quando ocorre entrada de outras espécies, é mais complicado porque é um sistema mais complexo, mais frágil. Quando entra uma nova espécie, as espécies vão mantendo relações entre elas e com o ecossistema, e dependendo, uma compensa a outra. Ou passam a competir pelo ambiente e pela alimentação”, explica Yamaciro.

Ele afirma que a introdução irregular de espécies exóticas ocorre há anos e em todo Brasil. Especificamente em Mato Grosso do Sul, o primeiro invasor foi o tucunaré, na década de 80, quando estourou uma barragem em Mato Grosso. Depois, da mesma forma, foi introduzido o tambaqui. O corvina está há muitos anos na bacia do Rio Paraguai e “muitos acham que é da bacia, mas não é”, diz o analista. O tambacu é o cruzamento do tambaqui com o pacu, que é de MS.

Por fim, a pirarara, que é como um “grande bagre” foi introduzida irregularmente por “alguém criava esse peixe e acabou sendo solto no Rio Aquidauana. Só havia uma empresa que criava essa espécie com autorização aqui no Estado, mas não temos como provar que foi essa empresa. Ele apareceu primeiramente na região da Ponte do Grego, em Terenos”, citou Yamaciro.

Material de divulgação da campanha do Ibama. (Redes Sociais)
Material de divulgação da campanha do Ibama. (Redes Sociais)

Para ele, a pirarara é a espécie mais perigosa e danosa ao ecossistema do Pantanal, porque pode dizimar peixes como pacu e dourado, nativos da região. “O tucunaré está aqui há uns 40 anos e se adaptou, mas a pirarara está expandindo e não sabemos ainda o alcance do prejuízo”, diz.

O analista afirma que faltam pesquisas para avaliar os impactos dessas espécies no ecossistema e clama que as universidades possam verificar isso.

Há muito pouca pesquisa sobre essas interferências negativas, não há tanta dedicação dos pesquisadores nisso, então estamos trabalhando pela precaução, porque os prejuízos que estão ocorrendo, efetivamente, não sabemos”.

Entretanto, a rotina de pescadores já notou que peixes como dourado, pacu, pintado, cachara e piraputanga diminuíram nos rios de MS.

Para ano que vem, na atual lista do “pesque e não solte”, entrarão o bagre americano e a tilápia. “Podem ser criações clandestinas que acabaram acessando os rios”. A campanha não tem data para acabar, mas deve ser restringida durante a Piracema, que começa em 5 de novembro. Isso porque, independente da espécie, a pesca é proibida no período.

Vídeo do canal Anzol Dourado, no YouTube, mostra a surpresa de pescadores ao encontrarem uma pirarara no Rio Aquidauana em maio de 2020. “Foi aí que deu o start para a gente pensar numa campanha para tentar reduzir a população dessas espécies”, citou Yamaciro.

Na página oficial do Ibama, ao falar da campanha no Pantanal, o texto cita “orienta pescadores amadores, esportivos e turistas a NÃO devolverem aos rios espécies de peixes exóticos” e que não devem ser soltas porque “não pertencem a essa bacia e causam interferência negativa nas populações das espécies nativas do Pantanal” e que “toda espécie exótica que entra no ambiente diferente ao seu de origem, altera toda a cadeia alimentar da espécie nativa”.

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