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Meio Ambiente

Ano deve repetir seca intensa no Pantanal com Rio Paraguai em nível crítico

O valor esperado que as cheias normalmente tenham em Ladário é de 4,51 metros, mas há apenas 3% de chance de isso ser observado

Por Lucia Morel | 20/01/2021 18:59
Bancos de areia às margens do Rio Paraguai. (Foto: Toninho Ruiz / Arquivo)
Bancos de areia às margens do Rio Paraguai. (Foto: Toninho Ruiz / Arquivo)

A cheia média anual registrada no Rio Paraguai não deve ser alcançada em 2021, assim como ocorreu nos últimos dois anos. O quadro é de seca com 97% de chance do rio ter uma cheia abaixo da média, conforme o SGB-CPRM (Serviço Geológico do Brasil - Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais), empresa do Ministério de Minas e Energia.

O valor esperado que as cheias normalmente tenham em Ladário é de 4,51 metros, mas há apenas 3% de chance de isso ser observado.

"A cheia deste ano deve ser bem fraca. Se isso se confirmar, teremos outro ano muito seco, porque o rio Paraguai precisa dessa recarga no período chuvoso. O que não vem acontecendo a contento", disse o pesquisador em Geociências, Marcus Suassuna, que é engenheiro hidrólogo.

Ocorre que a não inundação do Pantanal, causada pelas cheias do Rio Paraguai, ocasiona períodos de seca intensa, com maior probabilidade de queimadas também graves, como as que aconteceram em 2020.

“Ainda que seja possível a ocorrência de chuvas fortes localizadas, a exemplo do que vem ocorrendo em Corumbá (MS) neste início de ano, é muito improvável que na bacia do rio Paraguai como um todo, os níveis se aproximem do comportamento médio da bacia neste ano", explicou.

Assim, o pico de cheia não deve passar de 2,86 metros, bem abaixo dos 4,51 metros necessários para evitar seca intensa.

Causas - o fenômeno La Niña, que se caracteriza pelo resfriamento do Oceano Pacífico, quando ele apresenta temperaturas abaixo das normais; o comportamento do Pacífico Norte, que também está mais frio que o normal neste período e a condição do Oceano Atlântico Norte são variáveis consideradas no modelo de previsão utilizado pelo Serviço Geológico do Brasil.

"Estudos recentes na bacia do rio Paraguai indicam que os principais fatores que geram mudanças no comportamento das cheias na bacia são aqueles associados à umidade antecedente. Além disso, mas de forma secundária, índices climáticos e precipitação de curto prazo também são relevantes", relatou Suassuna.

Fonte: Serviço Geológico do Brasil
Fonte: Serviço Geológico do Brasil


Anos críticos - o engenheiro faz uma comparação entre o nível atual com as oito cheias do histórico com comportamento mais semelhante ao atual no mês de janeiro. O nível de 20 cm em 1º de janeiro, foi semelhante ao ocorrido em 1968, 1964, 1967, 1971, 1972 e 1969 (anos da seca prolongada dos anos 60 e 70), além dos anos de 1938 e 1956.

Em 7 desses 8 anos o rio Paraguai permaneceu ao longo de ano na zona de atenção para mínimas. Considerando a lenta recuperação do rio Paraguai este ano, com chuvas abaixo das normais ao norte da bacia, onde Cáceres (MT) e Cuiabá (MT) apresentam níveis muito baixos para este período do ano, considera-se ser provável que o rio Paraguai, de fato, níveis abaixo dos normais neste ano.

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