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Campo Grande, Sexta-feira, 18 de Outubro de 2019

23/09/2019 20:21

Solurb usa caminhão de grandes geradores para coletar lixo domiciliar

Videos e fotos enviadas ao Campo Grande News mostram situação, que, segundo apurado, é irregular

Marta Ferreira
Caminhão com a identificação da coleta de grandes geradores recolhendo residuos de condomínio residencial. (Foto: Reprodução vídeo)Caminhão com a identificação da coleta de grandes geradores recolhendo residuos de condomínio residencial. (Foto: Reprodução vídeo)

Não é uma expressão forçada. Há, de fato, uma “guerra do lixo” em curso em Campo Grande. Depois de denúncia da Solurb envolvendo empresas coletoras dos resíduos de grandes geradores, que o município não banca mais, agora é a concessionária do serviço público o alvo. Vídeo e fotos enviados à reportagem do Campo Grande News mostram caminhão identificado como responsável pela coleta de grandes geradores, com a pintura em azul e branco, recebendo lixo domiciliar, de condomínios na Avenida Interlagos, situação apontada como irregular.

Os vídeos e fototrafias vieram de duas fontes diferentes, mostrando a coleta em dois pontos da Interlagos na sexta-feira (20). Em vigor desde maio deste ano, o decreto determinado aos grandes produtores de resíduos a responsabilidade pela coleta e destinação dos rejeitos é claro ao exigir da Solurb a identificação dos veículos usados para atender o cliente privado.

Esse serviço passou a ser pago este ano pelas empresas e instituições onde há, por dia, produção de mais de 50 quilos de resíduos. A mudança, adiada por quatro vezes em Campo Grande, é prevista em lei federal, segundo a qual o Município não deve ficar responsável pela coleta e destinação dos rejeitos comerciais.

Conforme o texto do decreto, “os equipamentos e caminhões, utilizados para prestação de serviços para grandes geradores, deverão estar especificamente e devidamente personalizados, com identidade visual diferenciada daqueles equipamentos utilizados no serviço público”. A determinação, explica o decreto, é para permitir a “autoidentificação” do serviço prestado aos grandes geradores de resíduos.

Condomínios residenciais não são definidos como grandes geradores, pois cada morador paga a própria taxa de lixo, cobrada desde 2017. Portanto, o recolhimento dos descartes dos moradores deve ser feito usando o caminhão identificado para coleta, transporte e destinação final de resíduos domiciliares, cuja arte é em verde e branco. Existe ainda uma terceira identificação, dos veículos da coleta seletiva, também em verde e branco.

 

Caminhão da coleta residencial, com a pintura em verde e branco. (Foto: Divulgação/Solurb)Caminhão da coleta residencial, com a pintura em verde e branco. (Foto: Divulgação/Solurb)

Conforme o Campo Grande News apurou, o uso dos caminhões separados serve, também, para garantir que a prefeitura não pague pelos resíduos coletados de quem é cliente privado e vice-versa.

O uso do caminhão “errado”, segundo a investigação feita, interfere na medição dos serviços prestados ao Poder Público, que devem ser encaminhadas à prefeitura todo primeiro dia útil do mês. O contrato firmado em 2012 com a Solurb, ao custo anual de R$ 52 milhões, por 25 anos, prevê vistorias para assegurar que as informações da concessionária estão corretas. Ou seja, que foi coletado mesmo a quantidade informada. “Se o caminhão usado não é o correto, como essa medição está sendo feita”, questiona uma fonte ouvida pela reportagem, sob a garantia de preservação da identidade.

Resposta - Procurada pela reportagem, a Solurb respondeu dizendo que há dois tipos de grandes geradores, o GGRP (sigla para Grandes Geradores Privados) e o GGPL (Sigla para Grandes Geradores Públicos), nos quais ela coleta resíduos por determinação da prefeitura.

“Com relação ao condomínio em questão, na referida data, foi coletado pela equipe do GGPL, devido à otimização da rota”, alega. “No entanto, não há que se comentar em relação a cobrança em duplicidade, uma vez que para isso acontecer, o citado condomínio deveria estar pagando pela coleta de seus resíduos, fato esse que não ocorre”, diz a empresa.

A prefeitura de Campo Grande também foi procurada para se manifestar sobre o flagrante, mas até o fechamento deste texto, não houve resposta.

Confira abaixo o vídeo enviado ao Campo Grande News:

 

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