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Bento foi adotado e desesperou nova família com crise de epilepsia

Filhote está com 9 meses e nunca teve nada; a doença está sendo tratada. Veja como ajudar seu pet nessa hora

Por Natália Olliver | 08/01/2026 07:00
Bento foi adotado e desesperou nova família com crise de epilepsia
Uma semana após ser adorado, Bento começou ater convulsões (Foto: Arquivo pessoal)

Aos 9 meses, Bento deveria estar preocupado apenas em descobrir qual chinelo da casa nova é o mais macio ou em como conquistar os outros cães da família. Mas de repente o mundo resolveu dar um soco no estômago dele e dos donos. Uma semana após ser adotado ele começou a ter convulsões e desesperou a nova família.

RESUMO

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O filhote Bento, de 9 meses, começou a apresentar convulsões uma semana após ser adotado pela administradora Raquel Gonçalves. Após diversos exames para descartar possíveis causas, como intoxicações e doenças graves, o diagnóstico apontou para epilepsia. O veterinário neurologista Gabriel Utida Eguchi explica que, durante uma crise convulsiva, não se deve intervir com água ou colocar a mão na boca do animal. O correto é proteger o pet de possíveis acidentes, deitá-lo de lado e procurar atendimento médico imediato. O monitoramento regular é essencial para ajustar a medicação e verificar seus efeitos no organismo.

A cena é o tipo de coisa que faz qualquer tutor enlouquecer sem saber o que fazer; Por isso o Lado B trouxe o veterinário, especializado em neurologia de cães e gatos, Gabriel Utida Eguchi, para explicar como evitar maiores problemas e o porquê isso acontece.

Foi nesse cenário que a administradora Raquel Gonçalves viu o filhote Bento convulsionar pela primeira vez, sem aviso. "Foi um desespero, dois dias antes do natal, a gente correu para o veterinário, ele ficou internado, não gostamos da primeira clínica, tivemos que trocar no meio da noite, e ele continuava tendo convulsões, e aí finamente encontramos uma que está ajudando a gente com o tratamento dele".

Ela conta que diante da situação cinco minutos podem parecer cinquenta. O detalhe cruel é que, por mais instintivo que seja, tentar ajudar oferecendo água, ficar gritando desesperada, ou colocar a mão na boca costuma piorar o risco.

Raquel conta que Bento foi adotado depois que a família anterior mudou para um apartamento e não conseguiria mais manter o cão junto com eles. “Nós já temos outros goldens, adotamos ele”, relata.

Bento foi adotado e desesperou nova família com crise de epilepsia
Bento pegou nova família de surpresa com convulsões repentinas (Foto: Arquivo pessoal)

A partir dali, a urgência virou investigação. Segundo Raquel, ainda naquela noite foram feitos exames para eliminar hipóteses que poderiam explicar crises convulsivas. "Descartamos várias possibilidades, exame de sangue, outras doenças, veneno. Fizemos ultrassom e tava tudo bem e aí ficou a possibilidade de ser neurológico". Com resultados sem respostas claras.

Raquel buscou um neurologista. "Discutimos várias possibilidades, uma delas ele ser epilético, só que o melhor exame para ver o cérebro não tem no  Estado, iria demorar,  e precisamos fazer tomografia mesmo". Bento foi de ambulância, passou por anestesia geral.

Gabriel Utida Eguchi explica que cães e gatos podem ter epilepsia, e nos cães esse é um diagnóstico muito frequente na rotina da neurologia. Mas o erro mais comum é pular etapas, mas ele adianta: “nem toda convulsão é epilepsia.”

Bento foi adotado e desesperou nova família com crise de epilepsia
Bento foi diagnóticado com epilepsia e segue em tratamento (Foto: Arquivo pessoal)

"É uma doença para qual não existe um teste de laboratório para confirmar que é epilepsia, sendo, portanto, um diagnóstico que chamamos de: “diagnóstico por exclusão"

Ele lista exemplos de causas que podem imitar ou provocar crises: intoxicações, doenças graves de fígado e rins, hipoglicemia, doenças endócrinas, câncer cerebral, anomalias congênitas, doenças neurodegenerativas, infecções e doenças autoimunes. Cada uma exige um tratamento completamente diferente. Por isso, errar o motivo é arriscar errar o remédio.

Em geral, é incomum a epilepsia idiopática (crises que se repetem e não existe uma lesão estrutural clara) aparece antes dos 6 meses e depois dos 6 anos. Se a primeira crise ocorre antes dos 6 meses, aumentam as chances de anomalias congênitas, como hidrocefalia.

Se aparece depois dos 6 anos, sobem as probabilidades de causas como tumor cerebral, infecções, doenças autoimunes e problemas metabólicos. No caso do Bento, aos 9 meses, a idade não “prova” epilepsia, mas deixa a hipótese em campo, desde que o resto tenha sido bem investigado.

O que fazer durante uma convulsão e o que não fazer nunca

Durante uma convulsão, o veterinário orienta não tentar “intervir”: nada de respiração boca a boca, assoprar o rosto, jogar água, gritar, chamar o animal ou colocar a mão e objetos na boca. Além de não ajudar, isso aumenta muito o risco de mordidas e acidentes, porque os espasmos são fortes.

O correto é proteger e observar. É preciso deitar o pet de lado, afastar de locais altos, evitar que se machuque, aceitar que pode haver urina e fezes, e entender que muitas crises passam sozinhas em poucos minutos. Filmar o episódio também ajuda o veterinário a confirmar se foi convulsão mesmo e diferenciar de outras situações. Depois, é ir rápido ao pronto atendimento, porque em casa geralmente não dá para “cortar” a crise.

Como epilepsia é diagnóstico por exclusão, a investigação começa já na primeira crise, com exames de sangue mais completos e, quando indicado, tomografia, ressonância e, raramente, eletroencefalograma.

Bento foi adotado e desesperou nova família com crise de epilepsia
Bento tem apenas 9 meses e é epilético(Foto: Arquivo pessoal)

Mesmo quando a suspeita de epilepsia idiopática fica forte, o tratamento exige monitoramento regular, em geral a cada 6 meses quando o cachorro está estável, para ajustar a medicação e checar efeitos nos órgãos. A ideia é controlar as crises sem deixar o remédio virar um novo problema.

Gabriel ressalta que outro fator importante é: mesmo que as crises ocorram apenas em períodos de extremo estresse, como cães com medo de fogos de artifício, é indicado que esse pet passe por um atendimento clínico para que se entenda se às vezes ele não pode ser epiléptico e que os fogos possam ser um gatilho para as crises.

"Nesses casos, algumas medicações e planos de tratamento podem evitar que isso ocorra. Uma vez tendo essa segurança maior de que o pet seja epiléptico também não se deve negligenciar o acompanhamento e o tratamento. Já há muitos anos é considerado inaceitável que animais com epilepsia não sejam adequadamente monitorados. Isso pode ser a grande diferença a longo prazo na vida do pet".