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Preço da ração dispara e tutores buscam alternativas para alimentar pets

Veterinária alerta para riscos de dietas improvisadas e orienta como reduzir gastos sem prejuízo à saúde

Por Clara Farias | 26/03/2026 07:35

O aumento no preço da ração tem pesado no bolso de quem tem pet em casa e já começa a mudar a rotina de tutores em Campo Grande. Nos últimos meses, donos de cães e gatos relatam reajustes frequentes e estratégias para tentar equilibrar o orçamento sem comprometer a saúde dos animais. De norte a sul da Capital, a saída tem sido a mesma: complementar a alimentação com outros itens.

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O aumento no preço da ração tem afetado o orçamento de tutores de animais em Campo Grande, levando-os a buscar alternativas para manter a qualidade da alimentação de seus pets. Tutores relatam incremento nos gastos mensais de até R$ 120, recorrendo a complementos naturais como ovos e vísceras para equilibrar os custos. Especialistas alertam sobre os riscos da substituição total da ração por alimentos caseiros sem orientação adequada. Segundo a veterinária Raphaela Megaioli, dietas desbalanceadas podem causar problemas de saúde e gerar custos maiores com tratamentos futuros. A recomendação é buscar rações com bom custo-benefício e evitar trocas frequentes de marca.

A estudante Jennifer Maia, de 28 anos, que cuida de 15 animais, sentiu o impacto de forma direta. “Eu costumava gastar mais ou menos R$ 480. Hoje em dia já beiro R$ 600. Impactou bastante no meu orçamento”, conta. Para manter a mesma marca de ração, ela precisou aumentar a carga de trabalho.

Mesmo sem mudar o produto principal, Jennifer passou a complementar a alimentação com itens mais baratos. “Eu incremento com coisas naturais, tipo ovo, manjubinha, vísceras, pé de galinha. Mas tudo com cuidado, porque excesso também faz mal”, explica.

Ainda assim, ela descarta substituir totalmente a ração por comida caseira. “Tem toda uma questão de nutrição e suplementação. A ração, apesar de não ser perfeita, ainda supre isso.”

Preço da ração dispara e tutores buscam alternativas para alimentar pets
Ração seca e embalagens de ração umida utilizadas na complementação da alimentação (Foto: Inácio Bardella)

A situação é semelhante para a psicóloga Loren Dutra, de 25 anos, tutora de três cadelas. Segundo ela, o gasto mensal subiu de cerca de R$ 350 para R$ 400. “ Eu complemento a ração das duas maiores com outros alimentos, como ovo, pé de frango ou língua. Se fosse só com ração, seria ainda mais caro”, afirma.

Ela também tentou trocar por uma marca mais barata, mas não teve sucesso. “As cachorras não se adaptaram, tiveram diarreia e depois não quiseram mais comer. Voltamos para a antiga", contou a psicóloga.

Para Loren, manter a qualidade gastando menos é um desafio. “A gente tenta equilibrar. A alimentação natural, dependendo, pode sair até mais cara", finalizou ela.

Segundo a médica veterinária Raphaela Megaioli, a substituição da ração por comida caseira exige cuidado. “Pode ser uma alternativa, mas não do jeito que a maioria das pessoas acha. Sem formulação adequada, a dieta fica desbalanceada, principalmente em cálcio, fósforo, vitaminas e proteína”, explica.

Ela alerta que economizar de forma inadequada pode gerar problemas maiores no futuro. “Deficiência nutricional pode causar queda de imunidade, problemas de pele, perda de massa muscular e alterações gastrointestinais. Às vezes, o barato sai caro, porque o custo com tratamento depois é maior", relata.

Para quem precisa reduzir gastos, a recomendação é buscar equilíbrio. “Nem sempre a ração mais barata é a melhor opção. Muitas têm menor qualidade nutricional, então o animal precisa comer mais ou nem aceita bem. O ideal é procurar um produto com bom custo-benefício”, orienta.

Outras dicas incluem comprar embalagens maiores, armazenar corretamente para evitar desperdício e evitar trocas frequentes de ração, que podem causar problemas intestinais. “A alimentação é a base da saúde do animal. Economizar de forma errada pode trazer prejuízos depois”, reforça a veterinária.

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