Após 1 ano de espera, idoso volta a ouvir com aparelho entregue em mutirão
Ação atende 125 pacientes e é usada por secretário para defender terceirização
Após um ano de espera, o aposentado Roberto Ojeda, de 85 anos, voltou a escutar com mais qualidade na manhã desta quinta-feira (28), em Campo Grande. A melhora auditiva foi possível após ele receber o aparelho que aguardava desde 2025.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Após um ano de espera, o aposentado Roberto Ojeda, de 85 anos, recebeu aparelho auditivo em Campo Grande durante mutirão da Funcraf, dentro do programa Vira CG, que prevê investimento de R$ 60 milhões e 24,8 mil atendimentos. Outras 125 pessoas serão beneficiadas. O secretário de Saúde usou o evento para defender a terceirização da gestão, rejeitada pela Câmara por 17 votos a 11.
A entrega ocorreu durante mutirão promovido pela Funcraf (Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Craniofaciais), dentro do programa “Vira CG”. No evento, o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, usou a ação como exemplo para defender a terceirização da gestão na área, proposta rejeitada pela Câmara Municipal no último dia 5.
- Leia Também
- Terceirização de unidades de saúde deve voltar à discussão após eleições
- Após a derrota da terceirização, prefeitura pode cortar profissionais da escala
“Isso aqui é um exemplo de terceirização da gestão. É uma entidade que mantém, graças a Deus, uma identidade construída há muitos anos na assistência aos pacientes com deficiência auditiva e aos pacientes que nascem com lábio leporino”, afirmou.
Roberto e a filha, Marisa Carvalho Ojeda, de 48 anos, são de Corumbá e fazem acompanhamento na instituição. Durante o tratamento, foi constatada perda auditiva nos dois ouvidos.
“Nesse período de espera, ele acabou tendo uma melhora em um dos ouvidos. Agora chamaram para entregar o aparelho, depois de um ano aguardando. Antes, ele quase não ouvia nada”, relatou a filha.
Logo após receber o equipamento, o aposentado comemorou. “Eu não conseguia conversar com ninguém, simplesmente não escutava. Agora estou ouvindo melhor”, disse Roberto.

Assim como ele, outras 125 pessoas devem ser beneficiadas com a entrega de aparelhos auditivos. Nesta primeira etapa, 90 pacientes foram agendados para atendimento ao longo do dia. O programa “Vira CG”, lançado na segunda-feira (25), prevê investimento superior a R$ 60 milhões e cerca de 24,8 mil atendimentos em diversas áreas da saúde.
Segundo o diretor da Funcraf, Ariel Frutuoso, a iniciativa deve reduzir o tempo de espera. “Hoje há casos em que o paciente aguarda até um ano por um aparelho. A expectativa é diminuir significativamente esse prazo”, afirmou.
Ele também destacou a ampliação dos atendimentos, que podem chegar a 5 mil até o fim do convênio. A fundação também atua em tratamentos de fissura palatina, condição que pode afetar a audição.
Durante o evento, a prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou que a ampliação dos serviços é resultado de emendas da bancada federal. “São parcerias para avançar, diminuir filas e entregar resultados esperados há muito tempo”, disse. Ela também destacou que o programa deve beneficiar mães atípicas, com reforço na área de neuropediatria.
O secretário Marcelo Vilela informou ainda que pretende discutir parceria com o governo estadual. “Vamos tentar trazer o Estado para essa parceria, já que 40% dos pacientes atendidos são do interior”, afirmou.
Terceirização — Por 17 votos contrários e 11 favoráveis, a Câmara Municipal rejeitou o projeto que previa a contratação de organizações sociais para administrar os CRS (Centros Regionais de Saúde) Aero Rancho e Tiradentes.
A votação ocorreu em sessão marcada por protestos de servidores da saúde, representantes sindicais e integrantes do Conselho Municipal de Saúde, contrários à proposta.
O projeto, de autoria do Executivo, previa a terceirização em formato piloto de duas unidades consideradas estratégicas. A prefeitura defendia a medida como forma de melhorar a gestão e ampliar a eficiência do atendimento.
Com a rejeição, a administração municipal fica impedida, neste momento, de avançar com a terceirização dos CRS por meio de organizações sociais. O tema, no entanto, deve continuar em debate diante da pressão por melhorias na rede pública de saúde.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.



