Terceirização de unidades de saúde deve voltar à discussão após eleições
Projeto apresentado pela prefeitura foi rejeitado pela Câmara, mas gestão não desistiu
Em reunião a portas fechadas na Câmara Municipal de Campo Grande nesta manhã (14), vereadores e os secretários municipais de Saúde, Marcelo Vilela, e de Governo, Ulisses Rocha, voltaram a falar sobre os planos de terceirizar a gestão de unidades de urgência e emergência e discutiram o abastecimento de medicamentos na rede pública.
RESUMO
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Vereadores de Campo Grande reuniram-se com os secretários de Saúde, Marcelo Vilela, e de Governo, Ulisses Rocha, para discutir a terceirização de unidades de urgência e o desabastecimento de medicamentos. Vilela afirmou que o tema da terceirização está suspenso, enquanto Rocha confirmou investigações sobre servidores que teriam omitido estoques disponíveis. Documentos revelaram falta de 67 dos 243 medicamentos obrigatórios na rede pública municipal.
Após sair, Vilela declarou que o repasse das unidades é assunto encerrado por ora.
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"Agora está vindo a campanha eleitoral e a gente não quer mais conversar sobre isso. Mas teremos, sim, iniciativas para melhorar a assistência à população. Há ideias que já são praticadas em outros lugares do Brasil e vamos continuar discutindo isso aqui com a Câmara e internamente com os servidores", disse o secretário.
A proposta já apresentada pela prefeitura à Câmara foi alvo de protestos reiterados e caiu depois que a maioria dos parlamentares votou contra o projeto de lei protocolado. Ulisses confirmou que, apesar disso, a gestão não desistiu de terceirizar.
"A ideia da terceirização, da contratualização, ficou muito estigmatizada, mas não deixou de existir dentro da administração", disse.
Ulisses também citou que modelos em outras cidades são analisados, mas nenhum dos secretários detalhou quais.
O presidente da Câmara, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), comentou que faltou a prefeita Adriane Lopes (PP) dialogar diretamente com os parlamentares sobre a proposta. "Isso contribuiu para o fracasso", frisou.
Melhoria nas unidades - Marcelo Vilela disse ainda que a prefeitura continua mirando a melhoria do atendimento aos pacientes da rede pública.
Ele deu como exemplo reformas e compras de novos equipamentos para todas as unidades. Essa ação está prevista para começar nos próximos meses e terminar até o fim do ano.
"Nos próximos meses, estamos esperando a licitação terminar para fazer a requalificação de todas as nossas unidades porque isso é exigido pelo Ministério da Saúde para recebimento de recursos. Isso deve melhorar um pouco as estruturas", concluiu.
Medicamentos - Em entrevista anterior, Rocha falou sobre um suposto boicote de servidores à administração em relação aos medicamentos. A declaração polêmica levou os vereadores a convocá-lo para dar explicações na reunião.
A falta de remédios vem gerando denúncias desde 2023. Chegou a ser normalizada em alguns períodos, mas o problema persiste.
O secretário de Governo afirmou que “existe muito boicote dentro das próprias unidades, de servidores sabotando a administração”. Hoje, ele explicou que foram identificados casos em que os medicamentos constavam nas unidades, mas servidores relataram o contrário.
"Havia algumas unidades, inclusive com testemunhos, onde servidores disseram que não havia determinado medicamento, mas tinha. E foi mais de um caso. A Secretaria Municipal de Saúde, assim como a Controladoria Municipal, estão apurando. Já existe uma sindicância em curso e isso deve avançar depois para um processo administrativo disciplinar", detalhou.
"A saúde existe porque tem um número enorme de servidores que trabalham, são dedicados, prestativos e fazem seu trabalho da melhor forma possível. Não estou falando desses servidores. Estou dizendo que houve mais de um caso envolvendo servidores", amenizou o secretário.
Lista - Documento apresentado durante a reunião indica que estão zerados os estoques de 27,57% dos medicamentos que o Município é obrigado a abastecer. Faltam 67 do total de 243 presentes na relação.
Entre os desabastecidos, há 52 com entrega que ainda deve ser feita pelos fornecedores. Os outros 15 exigem abertura de novos processos de compra. A relação não traz o nome dos medicamentos.
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