Após acidentes ambientais, Paulo Duarte volta a denunciar mineradora
De acordo com o tucano, nos últimos 5 anos a empresa triplicou a produção, mas reduziu o repasse de CFEM

Após dois acidentes ambientais envolvendo a LHG Mining na última semana, o deputado estadual Paulo Duarte (PSDB) voltou a criticar a atuação da mineradora em Corumbá, cidade a 248 quilômetros de Campo Grande, na sessão ordinária da Assembleia desta terça-feira (3).
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O tucano protocolou um requerimento pedindo para o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) investigar a contaminação na água do distrito Antônio Maria Coelho, o afundamento de uma embarcação que transportava minério pela hidrovia do Rio Paraguai e a redução do pagamento da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) nos últimos cinco anos.
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“Eu vejo o desespero do prefeito. A água insalubre com isso. Falta dinheiro para Saúde e Educação e está tudo aqui, em uma diferença de mais de R$ 100 milhões que deixaram de entrar no município. Corumbá está assistindo suas riquezas indo embora sem ganhar nada. Essa produção está dentro de um santuário, com alto risco para o meio ambiente", disse.
Segundo dados da ANM (Agência Nacional de Mineração), apresentados pelo deputado, em 2022 a empresa produziu cerca de 3,5 milhões de toneladas e pagou a Corumbá R$ 39,4 milhões. Em 2025, foram 12 milhões de toneladas produzidas e apenas R$ 21 milhões em pagamentos de CFEM.
"Essa exploração do minério de ferro em Corumbá e Ladário não tem trazido de retorno praticamente nada para as cidades afetadas, porque a única coisa que eles pagam, que é a contribuição financeira sobre exploração mineral, tem reduzido, apesar de a empresa ter triplicado a produção. Então, algo está errado", disse.
O deputado também voltou a criticar a falta de fiscalização do governo federal. "Infelizmente, o Estado e o município não podem fiscalizar porque isso, por lei, é responsabilidade da Agência Nacional de Mineração. Então, nós estamos pedindo que a Agência Nacional de Mineração exerça o seu papel, que está previsto em lei, e fiscalize e verifique a sonegação que faz com que a empresa não pague aquilo que é devido a Corumbá e Ladário", completou.
Diante da demanda, o deputado estadual Zeca do PT se propôs a levar a demanda à União. "Tenho articulado com o presidente Lula para ir a Brasília e te convido, assim como o prefeito de Corumbá, sem nenhuma diferença político-partidária, para ampliarmos a agenda", prometeu.
Já o deputado estadual Pedro Pedrossian Neto (Republicanos) sugeriu o corte de benefícios fiscais à mineradora. “Quem tem o mínimo de consciência ficou escandalizado com a barcaça afundando. Isso mostra a visão predatória do minério, que tá saindo a preço de banana, sem nenhuma industrialização e fiscalização", disse. A proposta é a aprovação de um Projeto de Decreto Legislativo que suspenda os efeitos do termo de acordo de renúncia fiscal.
Denúncia antiga - Essa não é a primeira vez que o deputado acusa a mineradora de sonegação. Em 2025, o tucano subiu a tribuna diversas vezes para denunciar a redução do repasse do CEFEM.
"Nós temos aí grandes grupos econômicos que, de forma muito descarada, estão sonegando, deixando apenas para a cidade o passivo ambiental. Nós estamos falando de uma atividade que tem um alto poder de poluir, de ficar uma questão muito complicada em relação ao meio ambiente. O que a gente precisa é que, pelo menos, essa contribuição seja paga", disse em maio de 2025.
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