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Economia

“Precisamos apresentar a Rota Bioceânica ao mercado asiático”, diz Verruck

Ex-secretário defende atração de investimentos e alerta para atrasos nas obras e desafios logísticos

Por Anderson Viegas | 03/11/2026 11:36
“Precisamos apresentar a Rota Bioceânica ao mercado asiático”, diz Verruck
O economista e ex-secretário de Desenvolvimento de MS, Jaime Verruck, defendeu a apresentação da Rota Bioceânica ao mercado asiático para atrair investimentos e transformar o corredor em um eixo de desenvolvimento econômico sustentável (Foto: Anderson Viegas)

A Rota Bioceânica precisa ser apresentada ao mercado asiático não apenas como uma alternativa logística para o transporte de mercadorias, mas como um projeto capaz de atrair investimentos internacionais e promover o desenvolvimento econômico dos países envolvidos. A avaliação é do economista Jaime Verruck, ex-secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul.

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O economista Jaime Verruck, ex-secretário de Desenvolvimento de Mato Grosso do Sul, defendeu, no II Fórum MS Sustentabilidade, em Campo Grande, que a Rota Bioceânica seja apresentada ao mercado asiático como instrumento de atração de investimentos. Ele alertou para o ritmo desigual das obras, entraves aduaneiros e riscos sociais nas cidades de fronteira, e pediu políticas locais e integração entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

Durante participação no II Fórum MS Sustentabilidade, realizado em Campo Grande, nesta terça-feira (3), Verruck defendeu uma estratégia conjunta entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile para demonstrar aos investidores asiáticos o potencial competitivo do corredor. "Nós temos que apresentar a rota para o mercado asiático enquanto um instrumento de atração de investimento, enquanto um instrumento competitivo de levar nossos produtos para lá", afirmou.

Segundo o economista, a redução dos custos de transporte e a possibilidade de ampliar o acesso à China representam vantagens importantes, mas não garantem, por si só, que as cidades atravessadas pelo corredor sejam beneficiadas economicamente.

Para isso, será necessário desenvolver políticas locais de atração de empresas, qualificação profissional e aproveitamento das oportunidades comerciais.

Verruck também alertou que os quatro países poderão disputar investimentos entre si. Por isso, considera importante identificar as vocações econômicas de cada território e construir uma estratégia regional que permita distribuir os benefícios da integração.

Obras e entraves aduaneiros - Apesar dos avanços na implantação da Rota Bioceânica, Verruck ressaltou que ainda existem diferenças significativas no ritmo das obras entre os países.

Enquanto o Paraguai executa intervenções em ritmo acelerado, o acesso brasileiro à ponte sobre o Rio Paraguai avança mais lentamente. Na Argentina, ainda há obras a serem realizadas, além da necessidade de adequações na infraestrutura portuária chilena. "A infraestrutura ainda não está pronta. Ela está toda contratada, toda estruturada, mas ela não está pronta", destacou.

Outro desafio é a harmonização dos procedimentos alfandegários e migratórios. O ex-secretário citou uma iniciativa recente da Receita Federal brasileira para identificar dificuldades na circulação de cargas e pessoas entre os países.

Ele também ponderou que ainda não é possível estabelecer com precisão quando o corredor estará plenamente operacional, quais cargas utilizarão a rota e qual será a capacidade logística efetivamente disponibilizada pelos portos chilenos.

Sustentabilidade e impactos sociais

Verruck defendeu que o planejamento do corredor considere os efeitos do crescimento econômico sobre os municípios, especialmente nas áreas de segurança pública, saúde e infraestrutura urbana.

 Segundo ele, a intensificação da circulação de pessoas e mercadorias poderá ampliar problemas já enfrentados por cidades de fronteira, incluindo o tráfico de drogas e outros crimes transnacionais.

O economista também apontou a necessidade de discutir alternativas para reduzir as emissões do transporte, como a integração ferroviária e o uso de gás natural como combustível de transição.

Para Verruck, os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) podem servir como referência para a construção de políticas conjuntas, desde que sejam incorporados à governança do corredor.

Ele destacou a importância do Fórum de Governadores da Rota Bioceânica para articular compromissos entre os países e mencionou a previsão de assinatura de 17 protocolos durante um encontro em Antofagasta, no Chile.

Na avaliação do ex-secretário, o principal desafio será fazer com que a Rota Bioceânica ultrapasse sua função de corredor de exportação e se transforme em um eixo de desenvolvimento econômico e social para a região. "Somos nós que vamos determinar se a rota será somente um corredor de exportação ou se conseguirá se transformar em um eixo de desenvolvimento econômico", concluiu.