Após negar por meses, Tereza abre diálogo para ser vice de Flávio Bolsonaro
Encontro com pré-candidato do PL marca primeira conversa sobre composição da chapa à presidência
Depois de meses rejeitando publicamente qualquer possibilidade de integrar uma chapa presidencial, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) admitiu, pela primeira vez, a abertura de um diálogo para assumir a vice-presidência em uma eventual candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto.
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A senadora Tereza Cristina (PP-MS) admitiu, pela primeira vez, a possibilidade de integrar uma chapa presidencial como vice de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após meses negando qualquer negociação. A mudança foi confirmada em nota oficial após reunião com o pré-candidato, embora a parlamentar ressalte que nenhuma decisão foi tomada e que a composição depende de avaliações políticas e acertos partidários.
A mudança de postura foi confirmada nesta quinta-feira (30), por meio de nota oficial divulgada pela parlamentar, após reunião realizada na véspera com o pré-candidato do Partido Liberal.
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No comunicado, Tereza informa que a conversa tratou, pela primeira vez, da composição da chapa presidencial, embora ressalte que nenhuma decisão tenha sido tomada.
"A senadora Tereza Cristina (PP-MS) reuniu-se ontem com o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. No encontro, produtivo, falou-se, pela primeira vez, sobre a Vice-Presidência, mas nada foi decidido — até porque qualquer composição de chapa depende de avaliações políticas e pessoais, além de consultas e acertos partidários", afirma a nota.
A manifestação representa uma mudança na posição adotada pela ex-ministra da Agricultura ao longo deste ano. Em diferentes entrevistas concedidas desde fevereiro, Tereza Cristina repetiu que nunca havia sido convidada, que não existiam negociações e que seu projeto político estava concentrado no Senado Federal. Em todas as ocasiões, insistiu que a escolha de um vice dependeria do candidato, das alianças partidárias e do momento da campanha.
Ao longo dos últimos meses, entretanto, o nome da senadora ganhou força entre lideranças da direita. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, fez sucessivas manifestações públicas defendendo sua indicação como vice de Flávio Bolsonaro, destacando seu perfil técnico, experiência política e capacidade de diálogo. Apesar disso, Tereza sempre respondia que havia "zero tratativas" e classificava as especulações como homenagens de aliados, sem qualquer negociação concreta.
Em abril, a parlamentar voltou a negar que tivesse recebido convite ou sondagem. Na ocasião, afirmou que sua prioridade era permanecer no Senado e tentar disputar a presidência da Casa na próxima legislatura. Também disse que ouvia falar da possibilidade apenas pela imprensa e pelas redes sociais.
Mesmo diante das negativas públicas, os movimentos políticos em torno da senadora se intensificaram. O lançamento do Instituto Diálogos, em Brasília, ampliou sua projeção nacional, enquanto lideranças da Frente Parlamentar da Agropecuária, parlamentares do Progressistas e aliados passaram a defender seu nome como opção para compor uma chapa presidencial ou até disputar a Presidência da República.
Nos bastidores, porém, o cenário começou a mudar. Segundo integrantes do Progressistas, Tereza Cristina comunicou a dirigentes do partido que passou a desejar disputar a Vice-Presidência ao lado de Flávio Bolsonaro. A avaliação dentro da cúpula do PL é de que ela reúne as características consideradas ideais para ocupar a vaga, tanto pelo trânsito no agronegócio quanto pela boa interlocução com o mercado financeiro e setores do centrão.
De acordo com esse contexto, a senadora, que anteriormente havia recusado o convite e demonstrado resistência à composição da chapa, mudou de posição após novas articulações políticas. A disposição de aceitar a missão já teria sido comunicada a aliados e representantes do mercado financeiro.
As negociações também envolveram o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que procurou lideranças do Progressistas para construir uma aproximação entre o partido de Ciro Nogueira e o PL de Flávio Bolsonaro. Segundo interlocutores, Tarcísio conversou tanto com o presidente nacional do PP quanto com a própria Tereza Cristina para tratar da possível aliança eleitoral.
Apesar da abertura das conversas, a composição ainda enfrenta obstáculos políticos. Como o Progressistas integra uma federação com o União Brasil, qualquer apoio formal à candidatura de Flávio Bolsonaro dependerá da posição conjunta das duas legendas. Hoje, dirigentes da federação têm sinalizado preferência por manter neutralidade na disputa presidencial, sobretudo porque lideranças estaduais apoiam projetos diferentes, incluindo a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em alguns estados.
A nota divulgada pela senadora reforça justamente essa cautela. Embora confirme a existência da primeira conversa sobre a Vice-Presidência, deixa claro que uma eventual composição dependerá não apenas da vontade dos dois políticos, mas também das avaliações partidárias, das negociações entre as legendas e de decisões pessoais que ainda serão tomadas ao longo da construção da chapa.


