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Política

Bancada do PT tenta derrubar lei sobre uso de banheiros por mulheres trans

Partido atua em duas frentes, com ação judicial em preparo e proposta de nova legislação

Por Ketlen Gomes e Mylena Fraiha | 28/04/2026 13:28
Bancada do PT tenta derrubar lei sobre uso de banheiros por mulheres trans
Manifestantes ocupam o plenário da Câmara Municipal contra projeto que veta uso de banheiro feminino por mulheres trans. (Foto: Osmar Veiga)

A bancada do PT (Partido dos Trabalhadores) na Câmara Municipal de Campo Grande vai tentar, de duas formas, derrubar a Lei 7.615/2026, que criou a Política Municipal de Proteção à Mulher e restringe o uso de banheiros femininos por mulheres trans. Os três parlamentares do partido protocolaram nesta terça-feira (28) o Projeto de Lei 12400/2026, que revoga integralmente a legislação.

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A bancada do PT na Câmara Municipal de Campo Grande tenta derrubar a Lei 7.615/2026, que restringe o uso de banheiros femininos por mulheres trans. Os vereadores protocolaram o Projeto de Lei 12400/2026 e preparam uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no TJMS, alegando violação à dignidade humana e igualdade. Manifestantes protestaram contra a lei, e uma notícia-crime por discriminação foi apresentada ao Ministério Público.

O partido protocolará a ADI (ação direta de inconstitucionalidade) no TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) após a assinatura do deputado federal e presidente do diretório estadual Vander Loubet (PT). A vereadora Luiza Ribeiro (PT) explica que o partido apresentará a iniciativa, pois é necessário ser uma instituição legitimada para suspender a eficácia da lei.

A ação destaca que a lei limita o acesso a banheiros femininos a “mulheres biológicas”, o que violaria os princípios constitucionais como dignidade da pessoa humana, igualdade e vedação à discriminação. O partido, que teve uma reunião para definir o ajuizamento da ADI, argumenta ainda que a medida, embora apresentada como proteção, “opera, na prática, como instrumento de exclusão”, ao negar reconhecimento à identidade de gênero de mulheres trans.

Além da via judicial e do Projeto de Lei protocolado para derrubar a Política Municipal de Proteção à Mulher, os vereadores Jean Ferreira (PT), Landmark Rios (PT) e Luiza Ribeiro também buscam uma data na agenda da Câmara Municipal de Campo Grande para realizar uma audiência pública na próxima semana e abrir espaço para debate com a população.

A parlamentar também apontou preocupação com os efeitos imediatos da lei. “Vai pedir uma liminar fundamentada na situação de insegurança que a lei cria para as pessoas usarem o banheiro a partir de agora. Porque, aqui em Campo Grande, já vigora uma lei que não dá opção para as mulheres trans usarem o banheiro feminino, e essa circunstância coloca essas pessoas em insegurança”, declarou.

Bancada do PT tenta derrubar lei sobre uso de banheiros por mulheres trans
Os três parlamentares do PT, ao lado de mulheres trans, em manifestação contra lei municipal. (Foto: Osmar Veiga)

Já o vereador Jean Ferreira criticou a tramitação da proposta original e a falta de debate público. “O projeto foi aprovado e sancionado sem debate com a população, sem audiência pública, em regime de urgência. Não houve o debate. Se tivesse havido, muitos desses movimentos teriam vindo antes, fazer esse barulho que estão fazendo agora”, afirmou.

Ele também apontou possíveis violações a direitos fundamentais, afirmando que a nova legislação fere diretamente direitos fundamentais, como o de ir e vir, à saúde, à intimidade e à privacidade; e reforçou o entendimento de inconstitucionalidade da norma.

“O mais grave foi a violação de não estar em consonância com a Constituição Federal e com o entendimento do STF. O projeto é inteiramente inconstitucional. Então, para mim, esta Casa é política, mas também precisa ser técnica, porque é uma Casa legislativa”, concluiu.

Paralelamente, ainda nesta terça-feira (28), manifestantes foram à Câmara Municipal de Campo Grande, com cartazes, faixas e bandeiras, para protestar contra a nova lei que proíbe o uso de banheiros femininos por mulheres trans. Já na última quinta-feira (23), foi protocolada uma notícia-crime contra a prefeitura, junto ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

O pedido foi apresentado na 67ª Promotoria de Justiça e formaliza denúncia por supostos crimes de racismo, discriminação e homofobia, além de questionar a constitucionalidade da lei sancionada.

“Essa lei tem um dano social e psicológico nas nossas vidas. O banheiro já não era um espaço seguro, eu já fui expulsa algumas vezes de banheiros femininos, e essa lei só reforça esse estigma, esse preconceito contra nós, pessoas trans e travestis”, relata a professora, ativista e artista, Emy Santos, de 26 anos.

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