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Política

Bernal não age e pode perder duas empresas da China para Três Lagoas

Por Josemil Rocha | 07/04/2013 08:44
Bernal ainda não definiu áreas nem incentivos para  empresas chinesas (Foto: Vanderlei Aparecido)
Bernal ainda não definiu áreas nem incentivos para empresas chinesas (Foto: Vanderlei Aparecido)

Campo Grande corre o risco de perder para Três Lagoas empresas chinesas por falta de articulação da equipe do prefeito Alcides Bernal (PP), que está prestes a completar 100 dias de governo. O deputado estadual Eduardo Rocha (PMDB), que esteve na China discutindo investimentos de duas empresas em Mato Grosso do Sul, aventou essa possibilidade. “Estamos a um passo de puxar essas empresas para Três Lagoas”, afirmou ele.

A vice-governadora Simone Tebet (PMDB) chegou a tentar entusiasmar o prefeito Alcides Bernal a buscar os dois empreendimentos, que juntos poderiam representar a geração de mais de mil postos de trabalho na Capital, mas depois do encontro, no dia 28 de fevereiro, não houve avanço. Bernal chegou a dizer que iria estudar área a ser oferecida e incentivos fiscais, contudo, não há até agora nenhuma definição.

Em Três Lagoas, segundo Eduardo Rocha, com a agilidade da prefeitura na atração de novos empreendimentos, os investimentos já teriam sido assegurados. “Em 48 horas prefeita Marcia Moura já teria arrumado o terreno e dados todas as condições para que as empresas se instalem”, garantiu o parlamentar.

As vantagens de Campo Grande, quanto aos atrativos para as duas empresas, na opinião de Rocha, são a maior oferta de mão de obra, o maior mercado consumidor e em razão da Capital ser o principal centro de negócios do Estado. Um dos empreendimentos é outlet, modalidade de comércio equivalente a shopping center popular com grandes marcas e preços de varejo. O outro seria na área da indústria pesada.

A cogitação sobre a vinda desses empreendimento surgiu em novembro do ano passado, quando uma missão de empresários de Mato Grosso do Sul e o deputado Eduardo Rocha estiveram na China. Uma nova missão do Estado, liderada pelo governador André Puccinelli, deve voltar à China daqui a duas semana para tratar de investimentos no Estado. Em Bengbu (província de Anhui), primeira parada, serão visitadas as fábricas da BBCA Group, um dos maiores produtores de acido cítrico do mundo. André também se reunirá com empresários em Pequim, capital chinesa.

No dia 25 de fevereiro, no primeiro encontro oficial com Bernal, o governador André Puccinelli havia informado o interesse de uma grande indústria chinesa em se instalar na Capital para produzir tratores e patrolas. Destacou que se a Prefeitura disponibilizasse o terreno, o governo do Estado asseguraria todo o restante do suporte para atrair o empreendimento.

Sedesc e Incentivos – A atração de investimentos em Campo Grande está muito comprometida em razão de até hoje o prefeito Alcides Bernal não ter nomeado titular para a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Turismo e do Agronegócio (Sedesc).

O Programa de Desenvolvimento Econômico e Social de Campo Grande (Prodes), criado por meio da lei complementar 29/99, prevê incentivos à instalação de empresas na Capital. Já o Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico e Social (Codecon) analisa e delibera as cartas-consultas dos empresários interessados em empreender em Campo Grande.

Passados mais de três meses da administração de Bernal, o conselho ainda está sem presidente e o mandato dos conselheiros das 14 entidades participantes já expirou. Desta forma não é possível atender pleitos de empresas interessadas em se instalar em Campo Grande. Mais de 100 empresas já receberam parecer favorável do Codecon para instalação na Capital e estão em diferentes fases de andamento. A falta de responsável pela Sedesc está atrasando a conclusão dos processos para início das construções prejudicando os empresários, a economia local, bem como a geração de emprego e renda.

Na Câmara tem sido constante a cobrança dos vereadores para que Bernal nomeie titular para a Sedesc, mas o prefeito não tem se sensibilizado. No dia 19 de março, por exemplo, o vereador Paulo Pedra (PDT) cehgou a dizer que, sem a definição do secretário, o município perde aproximadamente R$ 1 bilhão em investimentos.

Já o vereador Edil Albuquerque (PMDB), que chefiou a Sedesc até o final do ano passsado, na gestão de Nelsinho Trad (PMDB), considera que a situação uma descontinuidade da administração pública, entravando o desenvolvimento econômico da Capital. Na última quarta-feira (3), ele voltou a criticar o abandono da Sedesc.

“Eu me sinto na responsabilidade de falar sobre o assunto, já que fui titular na gestão anterior. Sem ação do Prodes e do Codecon, o município está deixando de expandir em vários setores da indústria e serviços, entre eles, no setor de auto-serviço, que são os supermercados. Temos a rede Assaí, o Pão de Açúcar e o Extra, aguardando um retorno do prefeito e que poderiam proporcionar investimentos no valor de R$ 225 milhões, gerando 1.400 empregos diretos na cidade”, alertou o parlamentar.

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