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Política

Bolsonaro nega omissão na pandemia e diz que eleições serão respeitadas

Bolsonaro ainda insinuou que Bonner queria que ele agisse como "ditador", caso negasse se aliar ao Centrão

Adriano Fernandes | 22/08/2022 20:34
Bolsonaro sendo sabatinado pelos apresentadores Wilian Bonner e Renata Vasconcelos. (Foto: Reprodução/Jornal Nacional)
Bolsonaro sendo sabatinado pelos apresentadores Wilian Bonner e Renata Vasconcelos. (Foto: Reprodução/Jornal Nacional)

Abrindo a série de entrevistas do Jornal Nacional com os candidatos à presidência do Brasil, Jair Bolsonaro (PL) esteve diante de William Bonner e Renata Vasconcelos, na edição do maior telejornal do país, na noite desta segunda-feira (22). Durante o pronunciamento, Bolsonaro afirmou que o resultado da eleição será respeitado, negou que tivesse sido omisso no trato com a pandemia ou com o desmatamento da Amazônia, e que não teria como governar, sem se aliar ao Centrão.

Uma das primeiras respostas do candidato à reeleição, foi quanto a segurança das eleições. Apesar de não acreditar piamente na segurança das urnas, Jair Bolsonaro respondeu que  o resultado, “será respeitado”, caso seja transparente. Quando questionado se, mesmo que indiretamente, acaba estimulando apoiadores que saem às ruas pedindo “intervenção militar” ou “AI5”, Bolsonaro negou e disse que qualquer crítica de sua parte a este comportamento dos seus eleitores, feriria a “liberdade de expressão” dos manifestantes.

Bonner ainda lembrou que Bolsonaro havia xingado ministros do Supremo Tribunal Federal, e ele então acusou o apresentador de "fake news". “Você não está falando a verdade quando fala em xingar ministro", mesmo sendo de notório conhecimento que o presidente chamou Alexandre de Moraes de "canalha".

Sobre a pandemia, Bolsonaro foi questionado por Renata Vasconcelos, sobre as brincadeiras que fez sobre a covid-19 em pleno pico da pandemia. “Nos momentos mais dramáticos da pandemia o senhor imitou pacientes, disse que ‘não era coveiro’, usou dinheiro público para comprar medicamentos ineficazes”, disse Renata.

Bolsonaro disse que quando comparou o uso da vacina contra covid-19 com o "risco de virar jacaré", não estava brincando. "Não é brincadeira, isso é parte da literatura portuguesa. Foi uma figura de linguagem", disse. Sobre o assunto, Bolsonaro ainda justificou a sua resistência em assinar contratos com a Pfizer e Coronavac, porque as "empresas não se responsabilizarem sobre eventuais efeitos do medicamento"; reiterou que é contra o “fique em casa”, exaltou que o país já comprou mais de 500 milhões de doses “em tempo mais rápido que outros países” e culpou a imprensa, inclusive a Rede Globo, por desestimular o tratamento precoce.

Sobre a economia, Wilian Bonner lembrou que nas eleições de 2018, Bolsonaro havia prometido baixar a inflação, taxa de juros e dólar, quando o que ocorreu foi o contrário. “Qual o seu plano, para cumprir essas promessas num segundo mandato, caso o senhor seja reeleito?”, perguntou o apresentador.

Neste sentido, Bolsonaro justificou que o cumprimento das propostas em sua integralidade, foram frustrados pela “pandemia, seca e a guerra na Ucrânia”, mesmo assim, disse que o Brasil ainda tem inflação menor do que países como Inglaterra e EUA, defendeu que os números do trabalho “tem subido”, que conseguiu negociar fertilizantes com a Rússia, na véspera da Guerra e que somos o “sétimo país mais digitalizado do mundo” . Tudo isso, “graças ao bom desempenho de sua equipe econômica”, disse o presidente. Bolsonaro prometeu dar continuidade na estratégia econômica do país, caso seja reeleito.

Na ceara do meio ambiente ao ser questionado sobre o desmatamento da Amazônia e o aumento nas áreas devastadas, Bolsonaro justificou que suas críticas a órgãos fiscalizadoras como o Ibama, ocorrem por suposto abuso do órgão em destruir maquinários que eram usados em desmatamentos; negou que estimulou a aversão dos apoiadores ao órgão, e disse que é injusta qualquer afirmação que culpe o seu governo de estimular o desmatamento na região.

Candidato à reeleição pela presidência, Jair Bolsonaro (PL). (Foto: Reprodução/Jornal Nacional)
Candidato à reeleição pela presidência, Jair Bolsonaro (PL). (Foto: Reprodução/Jornal Nacional)

“Mentira, ninguém quer destruir a floresta. O Brasil preserva 66% de sua área verde”, comentou. No campo político, o candidato à reeleição foi lembrado de que, em 2018, havia se comprometido a não se aliar ao Centrão. Contudo, fez o contrário e se filiou ao PL (Partido Liberal), uma das siglas que compõem o grupo. Bolsonaro insinuou que Bonner queria que ele agisse como "ditador", caso negasse se aliar ao grupo político.

Neste momento, Bolsonaro acusou Wilian Bonner de tentar estimulá-lo a agir como um “ditador”. “Se eu deixar de lado o Centrão você vai estar me estimulando a ser um ditador. Não tem como governar sem conversar com o Centrão, são mais de 300 políticos, grande parte dos projetos do governo tem avançado por conta do Centrão. Com a esquerda não dá para conversar eles votaram contra os precatórios, ao auxilio emergencial de R$ 600,00”, apontou.  O Centrão é o grupo político que sempre busca proximidade ao poder executivo em troca de vantagens e privilégios.

Bolsonaro também foi questionado, sobre a alta rotatividade de ministros em seu governo, principalmente no Ministério da Saúde, e negou que tivesse tentado interferir nas decisões da Polícia Federal. “Acontece que eles se revelaram outras pessoas quando chegaram lá, o ideal era não ter rotatividade, outros ministros foram trocados”, disse.

“Não há interferência da Polícia Federal, acontece que eles queriam uma reestruturação, que eu achei justo, mas que outras forças policiais também passaram a cobrar. O que há é um jogo político, que 'deságua' em uma nota como essa”, disse Bolsonaro à respeito de nota de repúdio de associações que representam os servidores da Polícia Federal, criticando as declarações feitas por Bolsonaro confirmando o reajuste linear de 5% para todos os funcionários públicos, quando a promessa de  reestruturação das polícias usaria recurso prometido de R$ 1,7 bilhão.

Em suas considerações finais, Bolsonaro afirmou. “Peguei o Brasil em uma situação critica na questão ética, moral e econômica, começamos a trabalhar, fizemos muitas reformas, infelizmente tivemos covid, a seca e a guerra, mas fizemos tudo o possível para qe a população sofresse o menos possível. Hoje você nota que o preço do combustível caiu assustadoramente, não há nada de canetada, trabalho junto ao parlamento brasileiro. Conseguimos R$ 600 de Auxílio Brasil para 20 milhões de brasileiros, conseguimos a transposição do rio São Fransciso, que estava parada desde 2012. Nós pacificamos o MST, titulando terras pelo Brasil e 90% foram para mulheres. Nós criamos o Pix, sem qualquer taxação, anistiamos 99% das dividas dos jovens junto ao FIES”, concluiu.

Entrevistas com os candidatos - Bolsonaro abriu a rodada de entrevistas com os presidenciáveis. Ciro Gomes (PDT) participará na terça (23); Lula na quinta (25); e Simone Tebet na sexta (26). Um sorteio realizado em 1º de agosto com representantes dos partidos definiu as datas e a ordem das entrevistas. Foram convidados os cinco candidatos mais bem colocados na pesquisa divulgada pelo Datafolha em 28 de julho: Lula, Bolsonaro, Ciro, Tebet e André Janones (Avante), que depois retirou a candidatura.

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