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Política

Chuva, falta de energia, 95 ocorrências e eleitores atrasados marcam votação

Balanço mostra que 22 urnas precisaram ser substituídas; eleitores pedem preços mais baixos

Por Lucia Morel e Mylena Faiha | 04/10/2026 16:33
Chuva, falta de energia, 95 ocorrências e eleitores atrasados marcam votação
Portões fechados e eleitores atrasados quen chegaram após o encerramento da votação. (Foto: Paulo Francis )

As seções de votação em Mato Grosso do Sul foram marcadas por chuva incessante, falta de energia elétrica e problemas em urnas. Somente em Campo Grande, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), foram registrados 29,2 milímetros de chuva até o encerramento. Muitos eleitores chegaram no finalzinho da votação, mas ainda conseguiram votar na Escola Municipal Tomaz Ghirardelli, no Parque Lageado.

RESUMO

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A votação em Mato Grosso do Sul foi marcada por chuva, falta de energia em 19 municípios e problemas em urnas eletrônicas. Em Campo Grande, o Inmet registrou 29,2 milímetros de chuva. Até as 16h, o TRE-MS contabilizou 95 ocorrências com urnas, 1,17% dos equipamentos, sendo 22 substituições. As baterias concentraram 35 casos. Eleitores que estavam na fila às 16h puderam votar, conforme regra do TSE. Entre as preocupações citadas por eleitores estão segurança pública e custo de vida.

No último balanço divulgado pelo TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul), às 16h15, com dados consolidados até as 16h, foram contabilizadas 95 ocorrências envolvendo urnas eletrônicas, equivalentes a 1,17% dos equipamentos. O número representa aumento de 20 registros em relação ao levantamento das 14h, quando havia 75 ocorrências.

Quem chegou no finalzinho do período ainda conseguiu votar, e o trabalhador de frigorífico Paulo Sérgio Pires Mourão Júnior, de 30 anos, foi um deles. Por considerar importante exercer o direito ao voto, ele disse que a prioridade dos novos governantes deve ser a segurança pública.

"Está acontecendo bastante crimes no nosso Estado e na nossa cidade. E os preços. O combustível está alto também. Acho que tem que mudar bastante nessa parte econômica", comentou.

Também preocupado com os preços, o servente Tiago Hoffiester da Silva, de 28 anos, disse esperar que os eleitos atuem para reduzir principalmente o custo dos alimentos. Ele contou que a chuva atrasou sua ida ao local de votação. "Me atrapalhou um pouco e as ruas também estão bem caóticas, né?".

O armador José Carlos Faustino, de 62 anos de idade, falou da chuva. "Muita chuva, né?", mas decidiu votar. "Queremos qualidade de vida para o povo idoso. E quero mudança, dos dois. Porque tem muita coisa que está acontecendo e não dá para acontecer",, lamentou.

Por fim, a balconista Verônica Maria Ferreira Ramos, 53 anos, também fez questão de votar. "É muito importante a nossa votação. E, se tiver segundo turno, espero que todos venham votar também, porque é muito, muito importante exercer a nossa cidadania". Ela finalizou ressaltando que o mais importante é educação e saúde. "Educação e saúde, que são dois pontos muito críticos no nosso Brasil hoje".

Mas teve quem teve o portão fechado na cara. Foi o caso da doméstica Elza Magalhães, que acreditou que a votação seria até às 17 horas. "Eu estava trabalhando, mas não estou registrada. Não trabalho mais registrada. Tenho problema, sou doente dessa perna. Eu vim pra votar, mas vamos embora agora", reclamou.

Urnas - Das 95 ocorrências, 22 resultaram na substituição da urna eletrônica. Outras 27 foram resolvidas com reinicialização dos equipamentos, 37 com ajustes, quatro com nova carga na urna e quatro com reposição da mídia.

As baterias concentraram o maior número de problemas, com 35 ocorrências. Também foram registrados 13 casos classificados como problemas diversos, 13 de equipamentos que não funcionaram ou apresentaram falhas de hardware, 12 no terminal do eleitor, dez no terminal do mesário, sete relacionados à biometria, três envolvendo impressoras e um relacionado a data, hora ou CMOS.

A chuva e a interrupção no fornecimento de energia aparecem diretamente em alguns dos registros do TRE-MS. Em Ivinhema, por exemplo, a falta de energia no distrito de Amandina, a cerca de 30 quilômetros da sede do município, levou ao uso de todas as baterias reservas disponíveis no local. Em uma das urnas, foi necessário recorrer à bateria de um equipamento de contingência.

Em Campo Grande, o temporal também afetou locais de votação. Na seção 675 da 35ª Zona Eleitoral, a bateria chegou ao nível crítico porque a escola estava sem energia. O equipamento foi reinicializado e a bateria trocada. Na seção 655 da mesma zona, o TRE-MS registrou que o local estava sem fornecimento desde a manhã em razão do temporal.

Problema semelhante foi registrado em Juti. Na seção 61, a bateria da urna chegou ao nível crítico enquanto o local permanecia sem energia elétrica. A solução foi utilizar a bateria de uma urna de contingência. Em Ponta Porã, uma urna também precisou ter a bateria interna substituída enquanto o local estava sem energia.

Apesar dos problemas, os registros mostram que as equipes conseguiram manter os equipamentos em funcionamento ou substituí-los quando necessário. Entre as ocorrências estão urnas que desligaram sozinhas, falhas de hardware, problemas de leitura biométrica e defeitos nos teclados e visores usados por eleitores e mesários. Em Corumbá, por exemplo, duas urnas foram substituídas por falhas na leitura biométrica.

O fechamento das seções às 16h, porém, não significa que a votação tenha terminado imediatamente em todos os locais. Pela regra do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), quem já estava na fila nesse horário manteve o direito de votar, mesmo que tenha chegado à cabine depois do encerramento oficial.

Nos locais onde havia eleitores aguardando, os mesários identificaram quem chegou até as 16h e distribuíram senhas, começando pela última pessoa da fila. O procedimento definiu quem estava no local dentro do horário permitido e impediu a entrada de novos eleitores na fila depois do encerramento.

Mato Grosso do Sul está uma hora atrás de Brasília. Por isso, o encerramento ocorreu às 16h no Estado, correspondente às 17h no horário de Brasília. As seções que ainda tinham eleitores na fila precisaram concluir a votação antes da emissão do boletim de urna.

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