Com alta na arrecadação, Câmara cobra melhora na saúde e revisão do ICMS
Em audiência, foi apontado que a receita da Capital chegou a R$ 1,28 bilhão entre janeiro e abril deste ano

Com aumento de 4,32% na arrecadação municipal nos quatro primeiros meses de 2026, vereadores de Campo Grande cobraram nesta sexta-feira (29) uma melhor aplicação dos recursos públicos em áreas como saúde, tapa-buraco e zeladoria urbana, além de reivindicarem aumento no percentual de repasse do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) destinado à Capital. As cobranças ocorreram durante audiência pública de prestação de contas das finanças da prefeitura, realizada na Câmara Municipal.
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Vereadores de Campo Grande cobraram, nesta sexta-feira (29), melhor aplicação dos recursos públicos em saúde, tapa-buraco e zeladoria urbana, durante audiência de prestação de contas na Câmara Municipal. A receita do município somou R$ 1,28 bilhão entre janeiro e abril de 2026, alta de 4,32% em relação ao mesmo período de 2025. Os gastos com pessoal comprometem 53,9% da Receita Corrente Líquida, acima do limite prudencial de 51,3%.
Os dados foram apresentados pelo titular da Sefaz (Secretaria Municipal da Fazenda), Isaac de Araújo, durante audiência promovida pela Comissão de Finanças e Orçamento da Casa, presidida pelo vereador Otávio Trad (PSD). Conforme o relatório, a receita do município chegou a R$ 1,28 bilhão entre janeiro e abril deste ano, ante R$ 1,23 bilhão no mesmo período de 2025.
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Entre os principais tributos, a arrecadação com IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) somou R$ 367,1 milhões, crescimento de apenas 0,34% em relação ao ano passado. Já o ISS (Imposto sobre Serviços) teve aumento de 6,34%, alcançando R$ 239,1 milhões.
Durante a audiência, vereadores questionaram a efetividade da aplicação dos recursos diante das reclamações da população sobre os serviços públicos. A vereadora Luiza Ribeiro (PT) afirmou que moradores seguem cobrando melhorias na saúde, pavimentação e limpeza urbana.
“Como está crescendo a receita, mas a sociedade não recebe o serviço na ponta?”, questionou a parlamentar, que também voltou a criticar o reajuste do IPTU e a retirada de descontos aplicados neste ano.
O vereador Ronilço Guerreiro (Podemos) reforçou a cobrança por resultados práticos. “As pessoas estão tristes porque o buraco não é tampado. Estão tristes porque buscam atendimento e a fila continua enorme nos postos de saúde”, afirmou.
Otávio também demonstrou preocupação com o impacto da reforma administrativa implantada pela prefeita Adriane Lopes (PP), que prevê economia de R$ 200 milhões. Segundo ele, houve redução no índice prudencial de gastos com pessoal, mas ainda está distante da meta anunciada pela gestão.
O parlamentar ainda alertou sobre atrasos em pagamentos a fornecedores, principalmente na área da saúde. O secretário Isaac de Araújo negou que a dívida alcance R$ 200 milhões, mas admitiu atrasos e afirmou que a prefeitura negocia cronogramas de pagamento.
Aumento no repasse - A discussão também envolveu os repasses estaduais de ICMS. O vereador Landmark Rios (PT) criticou o congelamento dos valores destinados a Campo Grande e questionou quais medidas a prefeitura tem adotado junto ao governador Eduardo Riedel (PP) para rever os índices. “O Município recebe pacientes do interior, precisa de mais recursos para saúde, habitação e infraestrutura”, argumentou.
Conforme os dados apresentados, o repasse de ICMS permaneceu em R$ 174 milhões, sem crescimento em relação ao primeiro quadrimestre de 2025. Já o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) teve aumento de 7,9%, chegando a R$ 176,6 milhões.
Isaac de Araújo afirmou que a prefeitura mantém uma comissão de auditores para discutir a revisão dos índices do ICMS junto ao Estado. Segundo ele, a administração também enfrenta aumento contínuo das despesas, especialmente na saúde. “Tenho buscado equilíbrio entre receita e despesas, mas não é fácil”, disse o secretário, ao citar judicializações e ampliação de contratos hospitalares.
Gastos com pessoal - Na audiência, os vereadores também concentraram questionamentos sobre os gastos com pessoal. O vereador Maicon Nogueira (PP) alertou para o risco de inviabilização de reajustes salariais aos servidores caso a prefeitura ultrapasse os limites estabelecidos pela LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal).
Atualmente, os gastos com pessoal comprometem 53,9% da Receita Corrente Líquida do município, acima do limite prudencial de 51,3%. No mesmo período do ano passado, o índice estava em 52,99%.
Os gastos com pessoal cresceram 15% no período, enquanto as despesas de custeio tiveram aumento de 16,73%. Segundo Isaac de Araújo, os reajustes concedidos à educação e o crescimento vegetativo da folha impactam diretamente o cenário fiscal da prefeitura.
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