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Política

Entre apreensão e olhares estrangeiros, brasileiros vão às urnas no exterior

Na Argentina, Alemanha e Holanda, eleitores relatam expectativas e interesse local pela disputa à Presidência

Por Mylena Fraiha | 04/10/2026 10:25


RESUMO

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Brasileiros que vivem na Argentina, na Alemanha e na Holanda acompanham com apreensão e interesse a eleição presidencial deste domingo (4). Segundo o TSE, 918.876 eleitores estão aptos a votar no exterior, em 186 cidades. Daniel Monteiro, em Buenos Aires, fala em tensão e defende a integração latino-americana. Igor Dias de Jesus, na Alemanha, vê interesse pelo resultado, mas pouco entusiasmo. Fábio Pereira, em Amsterdã, relata locais de votação mais cheios que em 2022.

A distância do Brasil não diminui a expectativa pelo resultado das urnas. Na Argentina, na Alemanha e na Holanda, brasileiros se preparam para votar neste domingo (4) entre apreensão, preocupação com familiares e atenção à repercussão internacional da disputa. Nos países onde construíram uma nova vida, eles relatam como a eleição brasileira aparece nas conversas com amigos, nas redes sociais e no noticiário local.

Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), 918.876 brasileiros estão aptos a votar no exterior nas eleições de 2026, em 186 cidades. Esses eleitores escolhem exclusivamente o presidente e o vice-presidente da República.

No exterior, as seções eleitorais funcionam principalmente em embaixadas e consulados brasileiros, mas também podem ser instaladas em escolas, hotéis e outros espaços, conforme a quantidade de eleitores e a estrutura disponível em cada cidade.

Em Buenos Aires, o estudante de Medicina Daniel Monteiro, de 29 anos, acompanha a reta final da disputa com apreensão. Há quatro anos na Argentina, ele se mudou depois de estudar Direito na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande, e passar um período em Portugal.

“Na verdade, não sinto que estamos animados para votar. Estamos com medo, estamos tensos, assim como no Brasil, acredito. Não existe essa animação de festa da democracia, mas uma tensão. Inclusive, a tensão está sendo o motor para ir votar”, afirma Daniel.

Na percepção de Daniel, o interesse pelo resultado também aparece entre argentinos com quem convive. Ele relata conversas sobre a disputa e avalia que a relação entre os dois países ajuda a explicar essa atenção. “É uma eleição que está tomando um contorno internacional muito importante na região da América do Sul”, diz.

O estudante também vê efeitos das decisões brasileiras no atendimento aos imigrantes e nas iniciativas culturais promovidas pelas representações diplomáticas. Segundo ele, festivais e atividades de divulgação da cultura brasileira ajudam na integração com a sociedade argentina.

Mas o vínculo com o Brasil vai além da vida que construiu no exterior. Daniel pensa na possibilidade de voltar e compara o país a uma casa que deseja encontrar em boas condições. “O Brasil é a minha casa. Mesmo estando longe, quero que essa casa esteja organizada, para que, se um dia eu precisar voltar, ela esteja de pé, organizada.”

Esta será a terceira eleição presidencial que acompanhará morando fora do país, mas a segunda em que conseguirá votar no exterior. Em 2018, quando vivia no interior de Portugal, não conseguiu se deslocar até Lisboa ou Porto para participar. Em 2022, já na Argentina, foi às urnas.

Neste domingo, Daniel pretende votar em Buenos Aires, onde o local informado é o Centro Cultural do Palácio Pereda, na Rua Arroyo, 1142. Depois, acompanhará a apuração pelos veículos de comunicação brasileiros.

Entre apreensão e olhares estrangeiros, brasileiros vão às urnas no exterior
Igor relata que votou em Colônia, na Alemanha, e que o clima estava tranquilo neste domingo (Foto: Arquivo pessoal).

Na Alemanha, o desenvolvedor de software Igor Dias de Jesus, de 29 anos, percebe mais interesse pelo resultado do que entusiasmo por candidatos. Ele mora em Düsseldorf e chegou ao país em janeiro de 2020, por meio de um intercâmbio durante o curso de Engenharia de Software na UFMS.

Nascido em Itagibá, na Bahia, e criado em São Paulo, Igor se mudou aos 18 anos para Campo Grande. A viagem à Alemanha foi inicialmente para cumprir o estágio obrigatório em uma empresa de Colônia. Alguns meses depois, durante a pandemia, recebeu uma proposta de efetivação e decidiu ficar.

Entre os brasileiros com quem convive, o acompanhamento da eleição ocorre principalmente pelas redes sociais e pelos portais de notícias. Já entre os alemães que conhece, ele identifica interesse sobretudo entre aqueles que acompanham questões socioambientais e geopolítica.

“Em geral, a maioria pretende votar, mas não vejo animação com a eleição. O sentimento é mais de interesse pelo resultado do que de entusiasmo por candidatos específicos”, conta Igor sobre os amigos brasileiros.

Igor diz que vê declarações de voto nas redes sociais, mas não encontrou cartazes ou campanhas presenciais em seu cotidiano. Para ele, a disposição de participar está ligada à compreensão de que as decisões tomadas no Brasil também alcançam quem vive fora.

“O quadro atual é de polarização e de conflitos cujas consequências não respeitam fronteiras. Para mim, a posição que o Brasil toma no cenário internacional também tem efeito na vida de quem mora fora”, afirma Igor.

A experiência nos dois países também o levou a perceber desafios compartilhados, como o acesso à moradia e o tempo dedicado ao trabalho. “É isso que me motiva a votar: entender os desafios que temos em comum, independentemente da nacionalidade ou de onde a gente mora".

Entre apreensão e olhares estrangeiros, brasileiros vão às urnas no exterior
Na manhã de hoje, brasileiros estiveram no Congress-Centrum Nord, em Colônia, Alemanha (Foto: Arquivo pessoal).

Assim como em 2022, Igor votará em Colônia. Neste primeiro turno, sua seção funcionará no Congress-Centrum Nord. Segundo ele, a localização facilita o acesso de brasileiros que vivem em cidades próximas, como Düsseldorf, Bonn e Essen, evitando o deslocamento até Frankfurt, sede do consulado responsável pela região.

Igor relata que na manhã de hoje (4), o clima de votação era tranquilo. Ele relata que o processo ocorreu de forma rápida e organizada, sem dificuldades para os eleitores. “Estava bem tranquilo e foi bem mais rápido que na vez anterior. Tudo bem organizado também”, afirmou.

Para acompanhar a apuração, pretende recorrer aos canais brasileiros e à DW (Deutsche Welle), além das redes sociais e dos grupos de amigos e familiares. Ele conta que o Tagesschau, telejornal alemão, também costuma noticiar o resultado da eleição brasileira.

Entre apreensão e olhares estrangeiros, brasileiros vão às urnas no exterior
Na Holanda, Fabio segura título de eleitor após votar no primeiro turno (Foto: Arquivo pessoal).

Na Holanda, o empresário do ramo da moda Fábio Pereira, de 31 anos, brasileiro com dupla cidadania brasileira e espanhola, participa neste domingo (4) de sua segunda eleição presidencial no exterior. Ele chegou ao país em 2018 para passar férias, mas acabou ficando e fez da Holanda sua segunda casa.

Em Amsterdã, onde Fábio vota, as seções eleitorais funcionam no Centro de Convenções do Hotel Novotel Amsterdam City, na Europaboulevard, 10, das 8h às 17h. Na manhã deste domingo, ele encontrou um movimento maior de brasileiros do que havia observado na eleição anterior. Além das filas, manifestações da cultura brasileira também marcaram o ambiente no local de votação.

“Tem um pessoal tocando berimbau, fazendo capoeira. Está bem cheio, bem cheio mesmo. Em comparação com quatro anos atrás, este ano aqui em Amsterdã está bem cheio”, relata ao Campo Grande News na manhã de hoje.

Entre apreensão e olhares estrangeiros, brasileiros vão às urnas no exterior
Eleitores brasileiros votam em seção instalada no Hotel Novotel, em Amsterdã, na Holanda (Foto: Arquivo pessoal).

Para Fábio, a principal motivação para continuar participando das eleições brasileiras, mesmo vivendo a milhares de quilômetros do País, está nos laços familiares que mantém no Brasil. “Mesmo morando fora, tenho minha base, que é minha família que vive no Brasil. Sempre penso neles”, afirma.

Entre os amigos brasileiros que vivem na Holanda, na Espanha e na Bélgica, ele descreve um ambiente tranquilo, apesar das diferentes preferências políticas. “Alguns deles estão animados, todos de partidos diferentes, porém sem discussão”, conta.

Fora da comunidade brasileira, Fábio percebe que as eleições também despertam interesse entre holandeses, especialmente entre aqueles que enxergam oportunidades econômicas no País. “O Brasil tem chamado muita atenção para investidores holandeses”, relata.

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