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Política

Deputado processado por explorar jogo do bicho é corregedor da Assembleia

Neno Razuk não respondeu se vai continuar no cargo, que tem como objetivo garantir decoro

Por Ângela Kempfer e Jhefferson Gamarra | 07/02/2024 16:53
Deputado Neno Razuk durante sessão nesta quarta-feira. (Foto: Henrique Kawaminame)
Deputado Neno Razuk durante sessão nesta quarta-feira. (Foto: Henrique Kawaminame)

O deputado Roberto Razuk, o Neno Razuk (PL), é hoje corregedor da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Cabe a ele “promover a manutenção do decoro, da ordem e da disciplina no âmbito da Assembleia Legislativa”, conforme regimento interno.

O parlamentar assumiu a função em 2023, com mandato de dois anos. Outra atribuição é fazer sindicância sobre denúncias de ilícitos no âmbito da Assembleia Legislativa, envolvendo deputadas e deputados.

Em caso de delito cometido por um dos parlamentares no exercício da função, cabe ao corregedor presidir o inquérito instaurado para a apuração dos fatos.

No caso de Neno Razuk, a acusação não está ligada ao trabalho como deputado. Ele é acusado de chefiar quadrilha que cometeu assaltos e outros crimes com o intuito de dominar o jogo do bicho em Mato Grosso do Sul.

O deputado não disse se pedirá afastamento da função depois de virar réu, preferiu não comentar o assunto. Também não atendeu as ligações no período da tarde, para informar se o comunicado do processo já foi oficializado á Justiça.

Já o corregedor substituto, o deputado Carlos Alberto David (PL), informou que até o momento a presidência da Assembleia ainda não foi oficializada pela Justiça. O caso também não deve seguir para a Corregedoria, porque Neno não é alvo de representação relativa à ética ou quebra do decoro parlamentar.

"Se ele é réu, não é caso da Assembleia apurar. Isso é com a Justiça... não é caso de representação. É uma comunicação de que ele foi tornado réu, segundo o que você tá dizendo", informou, também negando que saiba oficialmente do fato.

Como se trata de um deputado, ele tem imunidade parlamentar, por isso a comunicação à Casa. O Poder Legislativo tem o poder de decidir pelo prosseguimento da ação. O caso está sob analise da juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande.

É o segundo mandato de Neno como deputado estadual, aos 55 anos de idade. Ele vem de uma família forte politicamente na região de Dourados, filho do ex-deputado estadual Roberto Razuk e da ex-prefeita de Dourados, Délia Razuk.

Sobre a denúncia, o deputado diz ser inocente. “Eu vou ser inocentado e creio que a justiça vai ser feita. Ainda digo que estou sendo vítima de uma armação”.

Successione - No ano passado, o Gaeco chegou a pedir a prisão do deputado, alvo principal da Operação Successione, que teve duas fases no fim do ano passado. A investigação gerou denúncia de 526 páginas, apresentada à Justiça em dezembro.

Todos os documentos, trocas de informações com unidades policiais e de inteligência, vigilâncias, entrevistas, reconhecimentos operacionais, tomada de depoimentos levaram a identificar Neno como o “cabeça” de organização criminosa que entrou na disputa pelo monopólio do jogo do bicho em Campo Grande, espaço deixado pela família Name, que sofreu revés com a Operação Omertà.

Para dominar o território campo-grandense de exploração do jogo de azar, ainda na tese do Gaeco, o político tinha em seu grupo agentes da segurança pública, que recebiam propina e auxiliavam na prática de roubos. O objetivo das ações era cooptar pessoas ligadas aos adversários para ampliar o poder na Capital. Para a investigação, o deputado contava com a ajuda, por exemplo, do major aposentado da Polícia Militar, Gilberto Luiz dos Santos, conhecido como “Major G. Santos”, “Coronel” ou “Barba”, para gerenciar o esquema.

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