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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

29/04/2014 09:58

Desembargador foi infeliz ao divulgar investigação, diz secretário

Kleber Clajus

O secretário municipal de Governo e Relações Institucionais, Rodrigo Pimentel, considerou "infeliz" a declaração do desembargador Ruy Celso Florence de que o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) investiga a realização de um “empréstimo” junto a agiotas para comprar vereadores em Campo Grande. A operação, realizada no ano passado, teria sido articulada por Ronan Edson Feitosa de Lima, ex-pastor e ex-assessor do prefeito Gilmar Olarte (PP), e mais duas pessoas.

Sobre a possibilidade de empréstimo por Ronan, Pimentel ressalta que o processo corre em sigilo e considera “estranho” um magistrado abrir a investigação. Ele também foi notificado a depor.

“Ainda não fui depor e não tenho conhecimento dos autos, mas acho a fala infeliz se corre sobre sigilo. Estar antecipando a investigação é estranho”, destacou.

Ruy Florence autorizou busca e apreensão de documentos na casa de Gilmar Olarte realizada no dia 11 de abril, onde foram apreendidos pelo Gaeco CDs de música e pen drive. Ele também expediu mandato de prisão para Ronan Feitosa, detido em São Paulo (SP) e já ouvido pelo promotor Marcos Alex Vara.

Ontem (28), o desembargador explicou que dentro do ofício existe uma parte onde o denunciante, que também não teve o nome divulgado, acusa três pessoas envolvidas em esquema de agiotagem e estelionato que poderia, supostamente, levantar fundos para a compra de um vereador.

“Resolvi falar a respeito, pois até o mesmo o prefeito já teve acesso a essas informações, ou seja, o processo não é mais sigiloso para ninguém”, destacou.

Ronan Feitosa foi nomeador por Alcides Bernal (PP), em janeiro de 2013, para atuar no gabinete de Olarte. Ele também foi pastor da igreja Assembleia de Deus Nova Aliança, fundada pelo prefeito, atual presidente de honra. Ronan foi exonerado por Olarte, em março deste ano, e até expulso da igreja.

Conforme o magistrado, a investigação teria iniciado em novembro, quando Ronan supostamente havia utilizado o nome de Olarte para aplicar golpes e pode incluir um empréstimo. No mesmo mês iniciaram as articulações em torno da Comissão Processante, que resultou na cassação do mandato de Bernal.

Ruy Celso afirmou que não se lembra do nome do vereador que seria alvo da “compra”. Contudo, o Gaeco já convocou a bancada do PT do B (Eduardo Romero, Otávio Trad e Flávio César) para depor na condição de testemunhas. O advogado do trio, Vitor Custódio, solicitou ao promotor Marcos Alex um “atestado de inocência” dos clientes que não se pronunciam sobre o caso por se tratar de “segredo de Justiça”.

Bernal evitou confirmar a suposta compra de vereadores, mas na sexta-feira (25) entregou ao Gaeco documentos e áudio periciado para “contribuir” com as investigações.

Por sua vez, Gilmar Olarte tem evitado comentar sobre o caso e ainda necessita agendar depoimento no Gaeco.



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