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03/03/2016 12:05

Em delação, Delcídio diz que Lula e Dilma tentaram atrapalhar a Lava Jato

Revista divulgou documentos da colaboração premiada do senador

Mayara Bueno
Trechos da delação. (Divulgação IstoÉ)Trechos da delação. (Divulgação IstoÉ)
Capa da revista IstoÉ, em que Delcídio revela interferência de Lula e Dilma. (Foto: Reprodução Internet)Capa da revista IstoÉ, em que Delcídio revela interferência de Lula e Dilma. (Foto: Reprodução Internet)
Outros trechos da delação divulgados pela revista. (Divulgação IstoÉ)Outros trechos da delação divulgados pela revista. (Divulgação IstoÉ)

Em 400 páginas de depoimento na delação premiada pela Lava Jato, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) afirma que o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff atuaram diretamente para atrapalhar a Operação Lava Jato, que investiga desvios na Petrobras, de acordo com a Revista IstoÉ. A publicação revelou, nesta quinta-feira (3), que o parlamentar aceitou o acordo de colaboração premiada.

De acordo com a revista, a delação teria sido feita poucos dias antes da liberação do senador, em 19 de fevereiro, depois de quase três meses preso. O acordo, no entanto, ainda não teria sido homologado pelo ministro e relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal), Teori Zavaski por conta de uma cláusula de confidencialidade de seis meses pedido pelo senador, o que não foi aceito.

A estratégia, detalha a revista, seria para não atrapalhar o processo de cassação que corre contra Delcídio no Senado, por isso as constantes negativas do parlamentar em uma possível delação. Segundo a publicação, o senador afirma que a presidente Dilma tentou por três ocasiões interferir na Lava Jato, da qual a mais grave trata-se da nomeação do ministro Marcelo Navarro para o STJ. A função dele seria cuidar do “habeas corpus e recursos da Lava Jato no STJ”.

Ela também teria tido participação na indicação de Cerveró, antes atribuída apenas a Lula e José Eduardo Dutra, ex-presidente da BR Distribuidora, falecido no ano passado. Mas segundo Delcídio, a atuação de Dilma foi “decisiva”. As revelações têm, segundo a revista, o potencial de acelerar o processo de impeachment da presidente, no Congresso.

Na semana da definição da estratégia, então, Delcídio contou que esteve com Dilma no Palácio da Alvorada para uma conversa privada. Segundo a publicação, os dois conversavam enquanto caminhavam pelos jardins da Alvorada, quando a presidente solicitou que Delcídio, na condição de líder do governo, “conversasse como o desembargador Marcelo Navarro, a fim de que ele confirmasse o compromisso de soltura de Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo”, da Andrade Gutierrez.

Sobre o ex-presidente Lula, o senador revelou que ele foi o mandante de pagamentos à família de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobas, este, por sua vez, pivô da prisão de Delcídio em 25 de novembro. A revista confirma, inclusive divulga trechos do que seriam os documentos da deleção, que Lula pediu “expressamente” para Delcídio intervir.

Isto porque, José Carlos Bumlai, amigo de Lula, poderia ser implicado em depoimento de Cerveró, que mantém acordo de delação premiada com a justiça. Segundo Delcídio, a primeira remessa de R$ 50 mil foi entregue em mãos por ele mesmo ao advogado do ex-diretor. Outros repasses, que somariam R$ 250 mil, já teriam sido feitos.

Ainda segundo a revista, as delações não tratam especificamente da Lava Jato; Delcídio fala ainda do “Mensalão”, escândalo de corrupção ainda no governo do PT, em 2006. De acordo com o senador, Lula e Antonio Palocci articularam o pagamento a Marcos Valério para que ele se calasse sobre o escândalo.

Desde que foi preso e até mesmo depois, o senador nega qualquer acordo de delação premiada. Falava até agora que voltaria ao parlamento, afirmaria sua inocência e alegaria ser vítima de armação. Mesmo após as revelações, o senador, por meio de sua assessoria de comunicação, nega, por enquanto, qualquer acordo.



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