Em posse, desembargadora cita Manoel de Barros e promete ser justa
Ao assumir o cargo, Ana Carolina Garcia diz que avanço feminino é "luta inacabada"

"Tento resgatar em minha memória um sonho que retrate esse momento. Não encontro." A frase abriu o discurso da desembargadora Ana Carolina Ali Garcia na cerimônia festiva de posse realizada na noite desta terça-feira (30), no TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).
RESUMO
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A desembargadora Ana Carolina Ali Garcia tomou posse oficialmente no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, ocupando o 37º assento do Tribunal Pleno pelo Quinto Constitucional da advocacia. Em discurso, ela destacou a responsabilidade de representar a advocacia no Judiciário e homenageou o governador Eduardo Riedel. O presidente do tribunal, Dorival Pavan, elogiou sua trajetória no serviço público. Com a posse, o TJMS passa a contar com cinco mulheres em seu quadro.
Onze dias após a posse administrativa, a ex-procuradora-geral do Estado recebeu a toga, ocupou oficialmente o 37º assento do Tribunal Pleno e encerrou a solenidade com versos do poeta sul-mato-grossense Manoel de Barros para resumir a mudança que, segundo ela, nunca esteve nos planos da carreira.
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"Assumir essa nova função supera todas as minhas expectativas", afirmou. Em seguida, lembrou que voltava à mesma tribuna onde, há 21 anos, discursou ao tomar posse como procuradora do Estado. Desta vez, disse carregar a responsabilidade de representar a advocacia no Judiciário e de honrar a confiança recebida ao longo da trajetória profissional.
Ao agradecer autoridades, colegas, amigos e familiares, Ana Carolina fez uma referência especial ao governador Eduardo Riedel (PP), com quem trabalhou nos últimos anos à frente da Procuradoria-Geral do Estado.
"Da nossa convivência nesses últimos dez anos me marcam o compromisso moral, a disciplina e a forma serena como desafiou os grandes temas de Mato Grosso do Sul, ensinando a todos nós que acreditar no primado da política não significa desacreditar nas instituições que sustentam a construção do Estado", declarou.
Também recordou a passagem como consultora legislativa e afirmou que o período lhe ensinou "a arte do diálogo". Ao citar a campanha que percorreu o Estado em busca da vaga destinada ao Quinto Constitucional da advocacia, disse que fez questão de ouvir advogados da Capital e do interior para compreender o que esperavam do representante da classe na Corte.
Já na reta final do discurso, voltou ao significado da posse para as mulheres no Judiciário.
"É uma luta inacabada e o mais importante não é a posse de hoje, mas a perspectiva que ela nos abre", afirmou. Em seguida, fez uma oração: "Rogo a Deus que tudo isso reunido possa produzir uma juíza justa e humana. E não tenham dúvidas: trabalharei arduamente para isso".

Antes de deixar a tribuna, escolheu Manoel de Barros para encerrar a fala. Citou o poema "A maior riqueza do homem é a sua incompletude" e concluiu com os versos: "Perdoai. Mas eu preciso ser outros. Eu penso renovar o homem usando borboletas".
Ao recepcioná-la, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Dorival Pavan, afirmou que a Corte ganha uma magistrada cuja trajetória é marcada pelo compromisso com o serviço público.
"O Tribunal de Justiça adquiriu um valor inestimável para as nossas fileiras. Uma pessoa dedicada, comprometida com o serviço público, comprometida com as causas da Justiça, sensata, sensível, humana, que trata a todos de forma igual", afirmou.
Pavan também destacou a experiência de Ana Carolina na Procuradoria-Geral do Estado e disse acreditar que a nova desembargadora contribuirá para fortalecer a produção de precedentes do Judiciário estadual.
"Tenho absoluta certeza de que, com o seu trabalho, nós vamos tornar este tribunal mais profícuo", declarou.
Responsável pelo discurso de acolhimento, a desembargadora Elizabete Anache afirmou que a chegada da nova integrante representa mais do que o preenchimento de uma vaga prevista na Constituição.
"A sua chegada simboliza não apenas o cumprimento de uma previsão constitucional, mas o fortalecimento de um tribunal que se enriquece com diferentes trajetórias e diferentes experiências jurídicas", disse.
Ela lembrou a atuação de Ana Carolina na advocacia privada, na advocacia pública, como consultora legislativa e à frente da Procuradoria-Geral do Estado. Também citou a participação da magistrada na comissão especial sobre demarcação de terras indígenas no Supremo Tribunal Federal, que resultou em um acordo para encerrar um conflito fundiário histórico em Mato Grosso do Sul.
Elizabete ressaltou ainda o avanço da participação feminina na Corte.
"Com sua posse, nós passamos a contar agora com cinco mulheres entre as integrantes deste tribunal. Esse dado, mais do que um número, representa um avanço. É o tribunal se aproximando cada vez mais da sociedade que julga", afirmou.
O governador Eduardo Riedel também destacou a trajetória da nova desembargadora e disse que a experiência acumulada em diferentes funções a prepara para o novo desafio.
"A Justiça sul-mato-grossense ganha uma magistrada forjada na conquista do conhecimento, na consciência do rigor das leis e na experiência exitosa da moderação de conflitos", afirmou.
Ao encerrar o discurso, desejou que Ana Carolina preserve as características que marcaram a carreira.
"Que ela possa regar o solo fértil das suas decisões com sensibilidade social e audição atenta às demandas coletivas, tão necessárias para dar respostas aos graves e urgentes problemas do Brasil do nosso tempo."
A cerimônia reuniu desembargadores, magistrados, integrantes do sistema de Justiça e autoridades dos três Poderes, entre elas o presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro (PP), o presidente da sucursal sul-mato-grossense da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Bitto Pereira, o presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, desembargador federal Luiz Alberto de Souza Ribeiro Johnson de Salvo, o procurador-geral do Estado, Márcio André Batista de Arruda, o procurador-geral de Justiça, Romão Avila Milhan Junior, o defensor público-geral Pedro Paulo Gasparini e o conselheiro do Tribunal de Contas Márcio Monteiro.
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